A vida imita a arte? Mais frequentemente, a arte imita a vida. Tendo em vista a rica história de nosso planeta e sua idade – contrastando com a juventude notável dos video games, menos de 50 anos – as fontes são inúmeras para que desenvolvedores se inspirem e criem games com os mais variados temas. Isto, juntamente com a natural imaginação humana, faz com que tenhamos uma fonte inesgotável de ideias.
No entanto, algumas são particularmente atraentes, em comparação a outras. A título de exemplo, seria difícil criar um jogo interessante baseado inteiramente na transição do modo de vida nômade de nossos antepassados para o sedentarismo. Mas ninguém reclama de se jogar em um campo de batalha para dizimar nazistas a torto e a direito.
Aí chegamos em um ponto interessante. Temas polêmicos irão naturalmente gerar maior reação por parte do público, seja ela negativa ou positiva. O que é delicado a respeito disso é a forma como eles são retratados. Explico já: algumas coisas são universalmente aceitas – com a exceção de algumas poucas pessoas – como o fato de nazistas terem sido completamente perversos. Ninguém iria contestar um game que os retratasse desta forma.
Agora, imagine um jogo que colocasse você no papel de Hitler, devendo comandar a expansão germânica durante a Segunda Guerra. Você deveria decidir quais locais invadir primeiro, para onde mandar suas tropas, e mais: para quais campos de concentração enviar os judeus das diversas regiões. Você crê que este jogo veria a luz do dia? Talvez se produzido no Irã.
Este é outro detalhe importante. Nossa cultura é em grande parte responsável por determinar o que é aceitável e o que não é. O Ocidente, do qual fazemos parte, tem uma tradição inegavelmente cristã e europeia, devido à colonização de nosso continente pelos habitantes do Velho Mundo. Portanto, temos tabus diferentes de pessoas que possuem uma cultura, por exemplo, islâmica.
Games retratando guerras existem desde sempre. Conflitos sempre despertaram a curiosidade humana, tendo em vista que a defesa de interesses próprios é algo inerente a nossa espécie. Por isso, não teríamos problema com um game como Six Days in Fallujah (recentemente renegado pela Konami) , que retrata um conflito da guerra do Iraque – afinal de contas, não estamos envolvidos e o ponto de vista seria o dos americanos, com os quais compartilhamos grande parte de nossa cultura.
Chegamos finalmente ao ponto que eu gostaria de expor: o retrato, de acontecimentos delicados recentes do mundo real, em entretenimento interativo. Ninguém vê problema em dizimar os deuses do Olimpo através de Kratos, mas tenho certeza que os gregos antigos não iriam apreciar tal sacrilégio. Da mesma forma que seria de extremo mau gosto um título que nos colocasse no papel de Judas, traindo Jesus Cristo.
Mas quando falamos de algum evento cujas feridas ainda não tiveram tempo de fechar, a coisa é muito mais séria. Peguemos por exemplo o game sobre os tiroteios em Columbine, em uma escola norte-americana – ou o jogo em que você deve assassinar John Kennedy. Será que são formas válidas de entretenimento?
São títulos que tratam de tragédias que não possuem nada de divertido ou de bom, que refletem acontecimentos que deveriam ser estudados e compreendidos – e não banalizados. O quanto a propaganda que este tipo de mídia confere aos incidentes compensa o fato de você estar se colocando no lugar de assassinos e criminosos reais – e não fictícios, como em GTA?
Vejamos outros exemplos ainda mais recentes: O jogo em desenvolvimento sobre a prisão de Guantánamo, do vídeo acima; e uma ideia que rola na internet sobre um game baseado no 11 de setembro de 2001. Ambos os temas são objetos de enorme discussão – não somente entre a população em geral, mas em foros internacionais como a ONU e a OTAN.
O que eu penso? Bem, a minha opinião pessoal é bastante pautada pela moral ocidental que permeia nossa sociedade, o que me faz adotar uma postura bastante lógica – e fria, para os padrões de alguns. O que não quer dizer que haja um consenso da equipe a respeito disso; na verdade, creio que devo estar sozinho nessa.
Parto do princípio que a maioria dos desenvolvedores de games são ocidentais. O que define em grande parte o tipo de jogos que são disponibilizados. E, consequentemente, eles levam em consideração a nossa visão de mundo. Isto faz com que eu ache de extremo mau gosto jogos que retratam o assassinato de Kennedy ou de inocentes em Columbine pela perspectiva do assassino. Se os mesmos títulos se colocassem do lado oposto, eu os consideraria adequados.
Como dizer o que é ético em jogos – coisa que alguns fazem ao criticar Six Days in Fallujah – quando existe um presidente de um país que afirma que outro estado deve ser aniquilado e apagado do mapa? Pois é isto que Ahmadinejad, presidente do Irã, disse a respeito de Israel. Tenho certeza de que existem publicações naquela região que refletem este sentimento – e possuem adeptos.
Jogos eletrônicos nada mais são do que mais uma forma de expressão midiática que leva em consideração toda a bagagem cultural, moral e os princípios que formam as pessoas responsáveis pelo seu desenvolvimento. Por isso, considero games como Six Days in Fallujah uma tentativa louvável de honrar os sacrifícios feitos por homens de seu país, por parte de uma desenvolvedora estadunidense!
Alguns dizem que a guerra do Iraque é ilegal, imoral, entre outros adjetivos igualmente depreciativos. Pois digam-me, alguma guerra é legal? Alguma guerra é moral? Alguma guerra, considerando todas as alternativas, é justa? Guerras são a expressão maior de um desentendimento levado às últimas consequências, não algo que possa ser considerado bom ou ruim.
Para evitar me estender demais sobre um assunto que poderia render até mesmo um livro, paro por aqui. Deixo apenas uma consideração final: o que é aceitável ou não depende demais dos valores de cada sociedade. Atualmente a tentativa é sempre de englobar todos os mercados e agradar a todo mundo, de forma a vender mais cópias dos títulos.
Mas ainda acho que há espaço para jogos que reflitam o modo de pensar de nossa sociedade e que defendam nossos valores e princípios. Espero que Six Days in Fallujah arrume outro distribuidor e revele-se um game incrível, mesmo que apenas para mostrar ao mundo que alguns ainda possuem diretrizes éticas e morais pautando suas decisões – e não apenas mercadológicas, cedendo aos apelos de pessoas politicamente corretas.
Aí fica minha curiosidade. Vocês acham que qualquer tipo de adaptação é válida? Ou devemos ainda tomar cuidado com o que publicamos? Xinguem-me, apoiem-me, mas digam-me o que pensam!
No entanto, algumas são particularmente atraentes, em comparação a outras. A título de exemplo, seria difícil criar um jogo interessante baseado inteiramente na transição do modo de vida nômade de nossos antepassados para o sedentarismo. Mas ninguém reclama de se jogar em um campo de batalha para dizimar nazistas a torto e a direito.
Aí chegamos em um ponto interessante. Temas polêmicos irão naturalmente gerar maior reação por parte do público, seja ela negativa ou positiva. O que é delicado a respeito disso é a forma como eles são retratados. Explico já: algumas coisas são universalmente aceitas – com a exceção de algumas poucas pessoas – como o fato de nazistas terem sido completamente perversos. Ninguém iria contestar um game que os retratasse desta forma.
Agora, imagine um jogo que colocasse você no papel de Hitler, devendo comandar a expansão germânica durante a Segunda Guerra. Você deveria decidir quais locais invadir primeiro, para onde mandar suas tropas, e mais: para quais campos de concentração enviar os judeus das diversas regiões. Você crê que este jogo veria a luz do dia? Talvez se produzido no Irã.
Este é outro detalhe importante. Nossa cultura é em grande parte responsável por determinar o que é aceitável e o que não é. O Ocidente, do qual fazemos parte, tem uma tradição inegavelmente cristã e europeia, devido à colonização de nosso continente pelos habitantes do Velho Mundo. Portanto, temos tabus diferentes de pessoas que possuem uma cultura, por exemplo, islâmica.
Games retratando guerras existem desde sempre. Conflitos sempre despertaram a curiosidade humana, tendo em vista que a defesa de interesses próprios é algo inerente a nossa espécie. Por isso, não teríamos problema com um game como Six Days in Fallujah (recentemente renegado pela Konami) , que retrata um conflito da guerra do Iraque – afinal de contas, não estamos envolvidos e o ponto de vista seria o dos americanos, com os quais compartilhamos grande parte de nossa cultura.
Chegamos finalmente ao ponto que eu gostaria de expor: o retrato, de acontecimentos delicados recentes do mundo real, em entretenimento interativo. Ninguém vê problema em dizimar os deuses do Olimpo através de Kratos, mas tenho certeza que os gregos antigos não iriam apreciar tal sacrilégio. Da mesma forma que seria de extremo mau gosto um título que nos colocasse no papel de Judas, traindo Jesus Cristo.
Mas quando falamos de algum evento cujas feridas ainda não tiveram tempo de fechar, a coisa é muito mais séria. Peguemos por exemplo o game sobre os tiroteios em Columbine, em uma escola norte-americana – ou o jogo em que você deve assassinar John Kennedy. Será que são formas válidas de entretenimento?
São títulos que tratam de tragédias que não possuem nada de divertido ou de bom, que refletem acontecimentos que deveriam ser estudados e compreendidos – e não banalizados. O quanto a propaganda que este tipo de mídia confere aos incidentes compensa o fato de você estar se colocando no lugar de assassinos e criminosos reais – e não fictícios, como em GTA?
Vejamos outros exemplos ainda mais recentes: O jogo em desenvolvimento sobre a prisão de Guantánamo, do vídeo acima; e uma ideia que rola na internet sobre um game baseado no 11 de setembro de 2001. Ambos os temas são objetos de enorme discussão – não somente entre a população em geral, mas em foros internacionais como a ONU e a OTAN.
O que eu penso? Bem, a minha opinião pessoal é bastante pautada pela moral ocidental que permeia nossa sociedade, o que me faz adotar uma postura bastante lógica – e fria, para os padrões de alguns. O que não quer dizer que haja um consenso da equipe a respeito disso; na verdade, creio que devo estar sozinho nessa.
Parto do princípio que a maioria dos desenvolvedores de games são ocidentais. O que define em grande parte o tipo de jogos que são disponibilizados. E, consequentemente, eles levam em consideração a nossa visão de mundo. Isto faz com que eu ache de extremo mau gosto jogos que retratam o assassinato de Kennedy ou de inocentes em Columbine pela perspectiva do assassino. Se os mesmos títulos se colocassem do lado oposto, eu os consideraria adequados.
Como dizer o que é ético em jogos – coisa que alguns fazem ao criticar Six Days in Fallujah – quando existe um presidente de um país que afirma que outro estado deve ser aniquilado e apagado do mapa? Pois é isto que Ahmadinejad, presidente do Irã, disse a respeito de Israel. Tenho certeza de que existem publicações naquela região que refletem este sentimento – e possuem adeptos.
Jogos eletrônicos nada mais são do que mais uma forma de expressão midiática que leva em consideração toda a bagagem cultural, moral e os princípios que formam as pessoas responsáveis pelo seu desenvolvimento. Por isso, considero games como Six Days in Fallujah uma tentativa louvável de honrar os sacrifícios feitos por homens de seu país, por parte de uma desenvolvedora estadunidense!
Alguns dizem que a guerra do Iraque é ilegal, imoral, entre outros adjetivos igualmente depreciativos. Pois digam-me, alguma guerra é legal? Alguma guerra é moral? Alguma guerra, considerando todas as alternativas, é justa? Guerras são a expressão maior de um desentendimento levado às últimas consequências, não algo que possa ser considerado bom ou ruim.
Para evitar me estender demais sobre um assunto que poderia render até mesmo um livro, paro por aqui. Deixo apenas uma consideração final: o que é aceitável ou não depende demais dos valores de cada sociedade. Atualmente a tentativa é sempre de englobar todos os mercados e agradar a todo mundo, de forma a vender mais cópias dos títulos.
Mas ainda acho que há espaço para jogos que reflitam o modo de pensar de nossa sociedade e que defendam nossos valores e princípios. Espero que Six Days in Fallujah arrume outro distribuidor e revele-se um game incrível, mesmo que apenas para mostrar ao mundo que alguns ainda possuem diretrizes éticas e morais pautando suas decisões – e não apenas mercadológicas, cedendo aos apelos de pessoas politicamente corretas.
Aí fica minha curiosidade. Vocês acham que qualquer tipo de adaptação é válida? Ou devemos ainda tomar cuidado com o que publicamos? Xinguem-me, apoiem-me, mas digam-me o que pensam!
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