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Captain Tsubasa 2: World Fighters melhora em campo, mas peca em tudo fora dele

Novo título da franquia melhora jogabilidade, mas traz menos conteúdo que antecessor

Avatar do(a) autor(a): João Pedro Muller Meireles Assumpção

schedule07/09/2026, às 10:54

Não existe coisa mais linda do que uma partida de futebol. O esporte inventado na Inglaterra, mas revolucionado e dominado por nós, brasileiros, tornou-se parte da nossa identidade e cultura. Não é de se estranhar que Captain Tsubasa (ou Super Campeões, no Brasil) tenha sido um sucesso estrondoso por aqui, rivalizando em popularidade com outros clássicos dos anos 90. O anime, que também desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do futebol japonês, recebeu diversos jogos ao longo dos anos, de gachas a títulos no estilo TCG, sendo sua última grande entrada o ótimo Captain Tsubasa: Rise of New Champions.

Seis anos após o lançamento do título que mistura futebol com ação e os clássicos movimentos mirabolantes da franquia, como o surreal Skylab Hurricane dos irmãos Tachibana, temos a aguardada sequência: Captain Tsubasa 2: World Fighters. O jogo dá continuidade à história contada no primeiro título e recria o arco do Mundial Sub-19, com Tsubasa, agora jogando no São Paulo, reencontrando seus companheiros japoneses em mais uma jornada rumo à glória. Mas será que World Fighters faz jus à qualidade do primeiro game e à importância desse arco na história da série? Confira nossa análise a seguir.

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Dentro das quatro linhas

Quando analisamos Captain Tsubasa, dois aspectos são fundamentais para determinar a qualidade do jogo: a jogabilidade e os modos de jogo. No primeiro quesito, fico feliz em afirmar que World Fighters é, na minha opinião, uma evolução do que vimos em Rise of New Champions, ainda que algumas decisões inexplicáveis tomadas pela Tamsoft impeçam que essa seja uma melhoria direta em todos os aspectos.

Uma das adições mais bem-vindas é a mudança no funcionamento dos goleiros, que, no primeiro título, atuavam praticamente como uma simples barra de vida. Felizmente, isso mudou nesta sequência. Agora os arqueiros também permitem que o jogador escolha a direção da defesa em reação ao chute adversário. Caso a decisão seja muito equivocada, o goleiro perde uma quantidade muito maior de resistência. Por outro lado, uma defesa perfeita garante que o gol não acontecerá, independentemente do estado físico do jogador.

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Defender bem um chute pode ser a diferença entre vencer ou perder uma partida

Outra novidade interessante é o sistema de break, que ocorre quando um chute causa muito mais “dano” do que a resistência restante do goleiro. Nesses casos, além de vermos uma das clássicas animações de bola furando a rede, como no anime, a resistência máxima do arqueiro também é reduzida até o final da partida.

Outra novidade foi a adição dos super movimentos, habilidades que todos os jogadores em campo possuem e podem ativar após encher uma barra por meio de ações normais durante a partida. Esses especiais são divididos entre chutes, o clássico da franquia, dribles, passes, divididas, bloqueios e defesas milagrosas, no caso dos goleiros.

Embora seja divertido que cada jogador tenha sua oportunidade de brilhar, a frequência com que essas ações acontecem torna boa parte das partidas extremamente caótica, com uma abundância de carrinhos especiais praticamente impossíveis de evitar e dribles sucessivos. Além disso, como os chutes são executados quase instantaneamente, oferecendo apenas uma pequena janela para reação, sinto que parte da skill expression presente no jogo original acabou se perdendo. Afinal, uma das habilidades mais importantes era justamente saber carregar o chute até atingir o máximo de força possível para liberar esses especiais.

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Prepara-se para ver muitos carrinhos assim

Além da confusão gerada pelos super movimentos, é preciso destacar uma mudança simplesmente inexplicável: em World Fighters não é possível realizar substituições nem acessar a formação da equipe durante a partida. Começou perdendo e gostaria de mudar para uma escalação mais ofensiva? Infelizmente, e reitero, inexplicavelmente, isso não é possível no jogo.

Para além das quatro linhas

Se a jogabilidade, apesar dos tropeços, representa uma leve evolução em relação ao seu antecessor, Captain Tsubasa 2: World Fighters falha, e feio, no segundo quesito que citamos anteriormente: os modos de jogo. Contando apenas com o modo história e partidas online ou offline contra o computador ou amigos, o jogo não oferece praticamente mais nada. Trata-se de um retrocesso considerável em relação a Rise of New Champions, que permitia a criação de torneios offline, disputas de pênaltis e até mesmo a montagem de um Dream Team com jogadores de diferentes seleções para utilização nesses modos, uma das opções mais divertidas do título anterior.

Além da quantidade, a qualidade também é um problema na sequência, com o modo história sendo consideravelmente mais simples. Se antes tínhamos diferentes rotas baseadas na escola que escolhemos, agora temos uma campanha totalmente linear, o que prejudica, e muito, o valor de revisitar a experiência. Vale lembrar que a história é, na prática, o principal modo de jogo do pacote. No fim das contas, a campanha, que faz uso excessivo de diálogos e frequentemente tem seu ritmo quebrado por telas de carregamento inexplicáveis, acaba sendo uma experiência capaz de agradar apenas os fãs mais dedicados da obra original.

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Momentos icônicos da obra não são o suficiente para carregar o modo história

Além disso, outra mudança difícil de compreender é a remoção dos atributos individuais dos jogadores. Como consequência, o personagem criado pelo jogador também se torna incapaz de evoluir de forma significativa, limitando sua progressão à aquisição de novas habilidades especiais. Essa decisão prejudica diretamente a longevidade do título, já que elimina boa parte do incentivo para revisitar o modo história e criar novos atletas customizados com características diferentes.

Outro problema que impacta negativamente a experiência em World Fighters é a ausência de áudio ou legendas em português. A situação beira o absurdo quando lembramos que Rise of New Champions contava com localização em nosso idioma e que esta sequência, curiosamente, inicia sua campanha com uma série de partidas disputadas no Brasil. Ainda assim, o recurso foi simplesmente removido.

Vale a pena?

Mesmo com melhorias significativas na jogabilidade, que já era um dos pontos fortes do primeiro título, Captain Tsubasa 2: World Fighters acaba entregando um pacote muito mais pobre do que seu antecessor. As novidades dentro de campo são bem-vindas e ajudam a tornar as partidas mais dinâmicas, mas a falta de conteúdo fora delas pesa demais na experiência geral.

Com um modo história simplificado, pouca variedade de conteúdo e a ausência de recursos presentes em Rise of New Champions, fica difícil recomendar o jogo para qualquer público que não seja formado por fãs dedicados da saga de Oliver Tsubasa. No fim, World Fighters é uma sequência divertida quando a bola está rolando, mas que representa um claro passo atrás em praticamente todo o resto.

Nota do Voxel: 70

Pontos positivos (Prós): 
-Jogabilidade divertida e dinâmica 
-Ótimas animações e visual fiel ao anime

Pontos negativos (Contras): 
-Modo história linear, sem escolhas relevantes e com diálogos travados
-Falta de modos de jogo e conteúdo complementar
-Não permite alterar a formação ou realizar substituições durante as partidas

Uma cópia de Captain Tsubasa 2: World Fighters foi cedida pela desenvolvedora para a review do jogo no PC. O game também está disponível no PS5, Xbox Series S/X e Nintendo Switch.

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