Jogos táticos por turno nunca foram meu gênero favorito. XCOM, Final Fantasy Tactics, Fire Emblem são jogos que, embora pareçam ter uma história legal por trás, o gameplay baseado em “atacar e esperar” nunca me chamou a atenção, e juntar isso com Star Wars, uma franquia que já teve de tudo nos games, parecia uma aposta arriscada. Porém, depois de algumas horas jogando Star Wars Zero Company em acesso antecipado, saí com uma opinião um pouco diferente do que antes.
O jogo desenvolvido pela Bit Reactor e pela Respawn Entertainment se passa durante um período conhecido pelos fãs de Guerra nas Estrelas – durante as Guerras Clônicas, um período histórico que, pelo visto, ainda pode render muita história escondida. Jogamos Star Wars Zero Company em acesso antecipado, e você poderá ler nossas primeiras impressões a seguir.
Uma história sobre pessoas comuns
No jogo, você comanda a Companhia Zero, um esquadrão de mercenários liderado por Hawks, um ex-capitão (ou capitã) da Grande Armada da República que preferiu largar as fileiras do governo para fazer trabalhos perigosos por conta própria. O objetivo central da história é conter a Bobina Infinita, um culto paramilitar alinhado aos Separatistas, cujos membros são infectados pela Praga das Sombras, uma doença misteriosa que concede resistência e habilidades letais anormais.
Um primeiro acerto dentro do jogo é a escolha de afastar a história do eixo Jedi vs. Sith, que já está (infelizmente) gasto por conta do alto número de obras que só visavam o lucro que não faziam sentido algum. Os personagens da Companhia Zero são pessoas comuns tentando sobreviver numa galáxia em guerra, e isso cria espaço para motivações mais humanas e menos heróicas do que o normal em Star Wars.
Nossos vídeos em destaque
)
Dos quatro personagens que tive tempo de jogar – Hawks, Kabb Uppercut (um ex-lutador Felshi com um braço cibernético e um jeito peculiar de falar em rimas), Trick (um clone declarado inapto para o serviço militar que carrega um passado pouco claro) e Jae Mordant (uma ex-baronesa de minério que quer reconquistar seu planeta), todos parecem ter camadas que a história vai revelando aos poucos. Não são heróis, mas sim pessoas com razões próprias para estar ali, e isso faz diferença na hora de se importar com o que acontece com eles.
Por isso, é divertido existir o permadeath dentro do jogo. Se um personagem morrer em combate, ele se vai e é isso, podendo afetar (ou não) o rumo da sua própria história. É possível desativar o permadeath nas configurações, mas os próprios desenvolvedores recomendam manter ativado, e faz total sentido!
Um sistema de batalhas acessível
Como falei antes, nunca fui fã de XCOM ou Marvel Midnight Suns, mas Star Wars Zero Company conseguiu me chamar a atenção no sistema tático criado ali. O jogo não é simples, mas também não joga tudo no seu colo de uma vez, com um longo tutorial explicando o que cada classe e personagem pode fazer, não assustando quem está chegando ao gênero pela primeira vez.
Um dos sistemas mais interessantes é o de vínculos entre os membros do esquadrão: colocar personagens juntos nas missões fortalece o laço entre eles, e esse vínculo desbloqueia novas habilidades táticas e muda a forma como eles se comunicam e se tratam durante o combate.
Coloquei Jae Mordant (que claramente não é exatamente amada pelos outros membros) junto com Hawks e Trick, e as interações durante a batalha mostraram melhora ao final dela, com tudo acontecendo entre pequenos diálogos durante as lutas, sem precisar de longas cutscenes.
)
A Vigilância é outra mecânica bem implementada: você posiciona um personagem para vigiar uma área e, se um inimigo cruzar aquele espaço, ele leva dano e tem a ação especial interrompida. Não é um ataque devastador e não gasta muitos pontos, mas pode ser decisivo especialmente quando o inimigo estava prestes a atacar alguém do seu time com pouca vida. Junto com a possibilidade de gastar pontos de ataque para dar ataques assistidos (em que um personagem ataca logo após outro), o combate tem mais dinâmica do que parecia à primeira vista.
Cada personagem começa com um talento e uma especialização que definem suas habilidades iniciais, e a maioria pode ser reconfigurada livremente ao longo do jogo. Isso dá flexibilidade para testar combinações sem punir quem não soube de cara o que estava fazendo.
A base e as missões
O Den é a base de operações da Companhia Zero e funciona como hub entre as missões. Situado no Anel de Kafrene (sim, aquele mesmo de Rogue One), é lá que você recruta e equipa operadores, cuida dos feridos e conversa com os membros do esquadrão para entender melhor o que está acontecendo com cada um. Aqui a câmera muda da visão isométrica do campo de batalha para uma perspectiva em terceira pessoa, o que ajuda a dar maior imersão ao espaço.
As missões se dividem em dois tipos: Missões Táticas, que são os combates principais da campanha, e Operações, missões secundárias resolvidas sem combate direto que necessitam de Informações para serem acessadas. A distinção faz sentido no papel, mas na prática, as Operações passam rápido demais. Algumas são resolvidas em menos de um minuto, com Hawks mandando alguém a um lugar e o resultado aparecendo em texto.
)
Algumas dessas situações pareciam interessantes o suficiente para merecer uma cutscene ou ao menos uma batalha, mesmo que menor. É uma oportunidade perdida que espero que seja expandida no jogo final ou em atualizações (culpem os roteiristas pelo bom trabalho aqui).
Vale a pena esperar?
Sendo bem sincero, comecei a jogar Star Wars Zero Company esperando não gostar e com baixas expectativas, ficando feliz ao ver que queria continuar jogando depois que desligava o computador. Para quem já é fã de jogos táticos, o sistema tem profundidade suficiente para sustentar o interesse. Para quem nunca jogou esse tipo de jogo, a história e o universo de Star Wars funcionam como uma porta de entrada acessível sem abrir mão da complexidade do gênero.
O game talvez tenha pontos a melhorar, especialmente nas Operações, que poderiam ser não só mais elaboradas, mas ganhar a atenção necessária. Mas o que está aqui já é sólido o suficiente para recomendar atenção. Como disse Greg Foertsch, diretor do jogo durante a apresentação à imprensa: “Se você é fã de Star Wars e nunca jogou um jogo tático, Zero Company é pra você.” Depois de alguns dias jogando, concordo bastante com ele.
Star Wars Zero Company chega no dia 27 de agosto para PS5, Xbox Series X/S e PC.
Jogo testado com acesso antecipado cedido pela Electronic Arts.
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)