Muito se discute sobre o quão abusivo é o modelo de monetização de DLCs, com razão, mas pouco se fala de conteúdos que genuinamente transformam e enriquecem a jornada do título original. Ao longo dos anos, a própria sigla acabou acumulando um estigma negativo por culpa da própria indústria de videogames e de suas práticas predatórias.
Desenvolvido pela Cygames, Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok entra para a lista das raras exceções. É um exemplo a ser seguido de como as publicadoras podem (e devem), sim, cobrar pelo trabalho extra de seus desenvolvedores, desde que o impacto das novidades se justifique, o que nem sempre acontece.
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Em um momento de hardware e jogos cada vez mais caros, colocar na balança os prós e contras de um lançamento virou uma tarefa árdua, mas o rigor dobra ao avaliarmos DLCs. Além do impacto no bolso, vale a pena revisitar uma experiência que já conhecemos, ainda que sob outra ótica? Para a expansão de Granblue, a resposta é um categórico sim.
Veteranos, sintam-se em casa
Se você está por fora, Granblue Fantasy: Relink é um RPG de ação adaptado do game mobile de mesmo nome, que até hoje conserva seu prestígio em terras nipônicas. Em nossa análise original, que flertou com a nota máxima, o grande Bruno Magalhães classificou Relink como um spin-off competente e que eleva a série a novos horizontes.
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Não pretendo revisitar os pilares do jogo base aqui, então recomendo a leitura da review original, publicada no início de 2024, caso queira entender as minúcias do combate e do ciclo de gameplay. Antes de mais nada, convém destacar que Endless Ragnarok não almeja atrair marinheiros de primeira viagem. É justamente o oposto disso: um pacote de coisas novas para quem é hardcore.
Sim, a chegada do Endless Ragnarok pode ser um bom incentivo para começar a jogar, mas não espere que ele esteja disponível desde o início e tenha poder de reintroduzir a campanha padrão ou até mesmo de substituí-la. A campanha adicional é uma sequência direta e dá continuidade aos eventos de Relink, partindo exatamente do desfecho da história principal.
Por ser um terreno espinhoso e ser fácil deixar escapulir spoilers, vou me abster de comentar sobre a narrativa em si. O que posso dizer, entretanto, é que um evento catastrófico está alterando o equilíbrio de Zegagrande, enquanto a mudança das estações é acompanhada pelo surgimento de uma nova ameaça, afetando também as criaturas já conhecidas da região.
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Mais agressivos e resistentes que o normal, os monstros que conhecemos retornam sob novas condições, apresentando padrões de ataque diferentes e, sobretudo, uma nova cartilha de truques para modificar terrenos. Qualquer paralelo com a premissa de Monster Hunter World e Monster Hunter World: Iceborne não é acidental.
À la Iceborne
Aliás, Endless Ragnarok se assemelha à expansão Monster Hunter World: Iceborne em muitos aspectos, principalmente na maneira como expande Relink. Tal qual Iceborne, o conteúdo extra de Granblue Fantasy é destinado a jogadores que já acumularam dezenas de horas e estão, portanto, com personagens e equipamentos no teto do jogo base.
As missões inéditas, sejam paralelas ou vinculadas à história, partem do princípio de que você já está preparado e cobram um preço alto logo no início, sem nem dar tempo para aquecer os músculos. Todas elas devem ser concluídas na dificuldade Caos, que eleva o endgame a um novo patamar de masoquismo, ainda mais se a sua intenção for jogar sozinho, isto é, sem ajuda no modo cooperativo.
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Já me antecipando, minha única ressalva quanto à continuação de Relink não está relacionada ao fato de ela já chegar chutando o balde no âmbito da dificuldade, e sim às exigências que faz para que o jogador consiga acessá-la. É só desnecessário nos obrigar a concluir absolutamente todas as atividades de grau Imponente até que a luta com o Proto Bahamut seja destravada.
Em outras palavras, esteja ciente de que apenas concluir o modo história não concede passe livre para Endless Ragnarok: você vai precisar ralar para desbloqueá-lo. Chutando por baixo, gastei pelo menos umas 20 horas adicionais após o término da campanha para poder ver a introdução apocalíptica do novo episódio. Foi um esforço gratuitamente custoso, mas que, no fim, valeu a pena.
Complementos bem-vindos, obrigado
Para quem é veterano na franquia, prepare-se para mais cinquenta horas de conteúdo adicional, considerando todas as missões das dificuldades atreladas ao pacote, novos limites de nível para armas Terminus, equipamentos e selos, além das adições dos Pontos de Ressonância, das novas habilidades e dos seis personagens jogáveis que agora compõem um elenco de quase 30 combatentes. Ufa.
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A Cygames mobilizou tudo e mais um pouco para que a progressão de Granblue Fantasy, principal engrenagem dessa estrutura de jogo, fosse repaginada e expandida para fazer jus à quantidade obscena de atrações que se tem aqui. Somando tudo à versão vanilla, pode-se dizer que é uma aventura para mais de 200 horas se a sua intenção for evoluir todos os bonecos e usufruir de tudo o que o jogo tem a oferecer.
A evolução de Endless Ragnarok também é sentida na prática, ou seja, no combate. As invocações à la Final Fantasy massageiam os olhos com animações de primeiríssima qualidade e são usadas em momentos-chave das batalhas, por meio das pedras de invocação, como ótimos recursos de suporte. A inclusão do Primal Burst, por sua vez, permite prolongar combos com golpes especiais ainda mais devastadores que antes.
A grande estrela do rolê é o modo Confluência, uma variante de roguelite (ou roguelike, se preferir) que nos permite desbravar um reino alternativo no Monte Neigelith, por meio de um portal que surgiu no Santuário de Tredame. São dimensões com upgrades pelo caminho, cada qual com suas próprias bifurcações, que desbravamos em sequência até o encontro com um chefe final.
As recompensas são geradas aleatoriamente, assim como os caminhos que percorremos e os inimigos que enfrentamos, mas ao menos é possível conferir de antemão o que cada dungeon pode trazer. Por mais saturado que o gênero roguelike esteja, devo dizer que é um estilo que caiu como uma luva na proposta de grind de Granblue Fantasy. Certamente vou revisitar o modo de tempos em tempos, não só pelos itens de progresso, mas pela diversão.
Vale a pena?
O resumo da ópera é que Endless Ragnarok promove mudanças expressivas na experiência de Granblue Fantasy: Relink. A progressão ganhou mais camadas, as missões têm um desafio maior e o fator replay, já presente no game original, se beneficia de um modo roguelite que funciona perfeitamente em seu ciclo de repetição. Com ares de fim do mundo, a expansão complementa a aventura de Gran e sua tripulação como não imaginávamos que ela fosse precisar.
Nota do Voxel: 85
Prós
- Invocações, Primal Bursts e demais adições que agregam ao combate
- Modo Confluência com semblante de roguelike
- Missões com alto grau de desafio
- Progressão expandida para além de armas e equipamentos
- Temática com ares de fim de mundo
Contras
- Burocracias e exigências gratuitas para acessar a expansão
Uma cópia de Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok foi gentilmente cedida pela Cygames para o propósito de análise no PlayStation 5 Pro. O jogo está disponível para PS4, PS5, Nintendo Switch 2 e PC.
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