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Avatar Legends: The Fighting Game é um jogo de luta único, no bom e no mal sentido

Review - Jogo de luta foi apressado para acompanhar lançamento de filme, mas entrega qualidade acima do esperado para um projeto do tipo. Confira a análise!

Avatar do(a) autor(a): Mateus Mognon

schedule31/07/2026, às 21:15

updateAtualizado em 31/07/2026, às 21:18

Quem cresceu jogando na época do PlayStation 2 certamente guarda boas lembranças dos jogos lançados para acompanhar grandes filmes. Era comum ver adaptações de franquias como Matrix, Carros e até Ratatouille chegando às lojas ao mesmo tempo em que suas produções estreavam nos cinemas, quase sempre com resultados bastante irregulares.

Essa prática praticamente foi extinta ao longo dos anos, mas algo similar acaba de acontecer no mercado moderno. Aproveitando a estreia do filme Avatar Aang: O Último Mestre do Ar, a Paramount resolveu apostar em Avatar Legends: The Fighting Game, um novo jogo de luta ambientado no universo criado por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko.

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Embora a história do game não tenha ligação direta com o novo longa-metragem, é impossível ignorar que ambos fazem parte da mesma estratégia para expandir a franquia. O problema é que essa aproximação também parece ter acelerado o desenvolvimento do jogo, algo que fica evidente em alguns detalhes do lançamento.

O Voxel testou Avatar Legends: The Fighting Game no PlayStation 5 com uma chave cedida pela desenvolvedora Gameplay Group durante a última semana. Mesmo apresentando sinais claros de que precisaria de mais alguns meses de polimento, o resultado final me surpreendeu positivamente, tanto como gamer quanto como fã da franquia, e mostra que existe uma base extremamente sólida para o futuro do título.

Um jogo de luta cheio de conteúdo para o seu tamanho

Sempre que um jogo baseado em uma propriedade licenciada é anunciado, confesso que minha expectativa costuma ficar bem controlada. Tirando produções gigantes como Marvel's Spider-Man ou Batman: Arkham, a maioria dos projetos desse tipo acaba entregando experiências competentes, mas raramente memoráveis – em alguns casos, totalmente esquecíveis e evitáveis.

Essa desconfiança também vem de experiências anteriores com adaptações da própria Paramount. Franquias como Bob Esponja e Nickelodeon Kart Racers possuem boas ideias, mas frequentemente deixam a sensação de que poderiam ir muito mais longe com um pouco mais de orçamento ou tempo de desenvolvimento.

Foi justamente por isso que comecei Avatar Legends esperando um produto relativamente simples, focado apenas em aproveitar a popularidade da marca. Felizmente, bastaram poucas partidas para perceber que havia muito mais dedicação aqui do que normalmente encontramos em jogos desse perfil.

O primeiro mérito está justamente no conteúdo oferecido. Mesmo sendo um projeto claramente menor do que gigantes do gênero, Avatar Legends chega com campanha, Arcade, multiplayer local e online com rollback netcode e crossplay, modo treino completo, galeria de artes e diversas ferramentas que demonstram uma preocupação em atender tanto jogadores casuais quanto o público competitivo.

Essa quantidade de modos faz bastante diferença porque ajuda o jogo a se sustentar mesmo para quem não pretende disputar partidas online todos os dias. Em vez de entregar apenas um modo história curto e um versus tradicional, a Gameplay Group montou um pacote que consegue justificar seu espaço na biblioteca dos fãs da franquia.

Modo história apresenta limitações, mas diverte

O principal destaque do conteúdo single-player é a campanha principal, composta por cerca de 30 capítulos. A história reúne personagens de diferentes épocas do universo Avatar em uma aventura envolvendo distorções temporais e dimensões paralelas, permitindo que nomes como Aang, Korra, Kyoshi e Zaheer dividam espaço de uma forma que dificilmente seria possível na cronologia oficial.

Segundo a desenvolvedora, toda a narrativa foi criada em parceria com a Paramount e acompanhada pelos responsáveis pela franquia. Isso ajuda a manter a personalidade dos personagens intacta, mesmo em uma história que brinca bastante com o conceito de multiverso.

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Narrativa da história permite encontros inesperados durante o gameplay.

Pessoalmente, o roteiro não conseguiu me prender tanto quanto eu esperava. A trama funciona como desculpa para colocar os lutadores frente a frente e criar situações curiosas, mas dificilmente entrega momentos realmente marcantes para quem acompanha Avatar há anos.

A apresentação também denuncia algumas limitações de produção. Quase todas as cenas utilizam os próprios cenários das lutas, enquanto os personagens aparecem executando animações retiradas diretamente do gameplay, criando momentos que às vezes acabam parecendo involuntariamente engraçados.

Por outro lado, a campanha acerta em aspectos importantes. Toda a narrativa é narrada em inglês, conta com legendas em português brasileiro e consegue expandir o universo da franquia sem parecer apenas um modo Arcade disfarçado de história.

A localização, entretanto, ainda merece alguns ajustes em outros locais no game. Durante meus testes encontrei pequenas inconsistências na interface, incluindo traduções literais como "Wins" aparecendo simplesmente como "Vitórias", além de outros detalhes que passam a sensação de que faltou uma revisão final antes do lançamento.

Ainda assim, o modo história cumpre seu papel de apresentar os sistemas do jogo e oferecer um motivo para experimentar diferentes personagens. Mesmo sem uma narrativa memorável, ele consegue divertir graças ao elemento que realmente sustenta Avatar Legends do começo ao fim: seu gameplay.

Jogabilidade é complexa e divertida

Avatar Legends: The Fighting Game poderia simplesmente copiar fórmulas consagradas por Street Fighter, Mortal Kombat ou Guilty Gear. Em vez disso, a Gameplay Group decidiu construir uma identidade própria, criando um sistema que pode até assustar nos primeiros minutos, mas recompensa bastante quem decide investir tempo para entendê-lo.

O grande protagonista dessa experiência é o Sistema de Foco. Além da tradicional barra de vida e da barra de energia utilizada para ataques especiais, cada personagem também administra um medidor dedicado a ações ofensivas e defensivas que muda completamente o ritmo das lutas.

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O sistema de Foco garante uma jogabilidade única para Avatar Legends.

Na prática, isso significa que praticamente toda decisão exige gerenciamento de recursos. Gastar Foco para pressionar o adversário pode render combos devastadores, mas também deixa seu personagem vulnerável caso a barra acabe no momento errado.

O aspecto mais interessante é que esse mesmo recurso também serve para defesa. Ao segurar o botão de Foco durante determinados ataques, o personagem executa esquivas automáticas extremamente elegantes, consumindo parte da barra e permitindo escapar de sequências que normalmente seriam inevitáveis.

Meu recurso favorito, porém, acabou sendo o Escape de Foco. Sempre que o adversário me encurralava em um canto da arena, bastava gastar parte da barra para inverter completamente o posicionamento da luta, criando situações que dificilmente aparecem em outros jogos do gênero.

A movimentação também ganha personalidade graças ao uso das dobras de cada personagem. Aang consegue planar utilizando correntes de ar, enquanto Zuko e Azula espalham chamas pelo cenário, fazendo com que cada lutador tenha não apenas golpes diferentes, mas também maneiras distintas de controlar espaço durante os combates.

Essa variedade faz Avatar Legends parecer surpreendentemente original dentro de um gênero tão competitivo. Mesmo após dezenas de partidas, eu ainda encontrava pequenas interações, combinações e possibilidades que me incentivavam a trocar constantemente de personagem em busca de novas estratégias.

Elenco de personagens pequeno, mas bastante variado

Outro ponto que merece destaque é o elenco de personagens. No lançamento, Avatar Legends: The Fighting Game conta com apenas 12 lutadores jogáveis, um número bem abaixo do que vemos em grandes franquias do gênero. No entanto, a quantidade acaba sendo compensada pela personalidade de cada combatente.

A seleção reúne protagonistas, aliados e vilões das duas principais séries da franquia. Em vez de apostar apenas em nomes populares, a Gameplay Group também incluiu personagens menos óbvios, o que ajuda a agradar fãs de diferentes fases do universo Avatar.

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Elenco do lançamento conta com 12 lutadores.

Lutadores disponíveis no lançamento:

  • Aang
  • Avatar Aang (desbloqueável)
  • Korra
  • Nightmare Korra (desbloqueável)
  • Katara
  • Sokka
  • Toph
  • Kyoshi
  • Zuko
  • Azula
  • Ozai
  • Zaheer

Quem adquirir a edição Deluxe também terá acesso ao Passe do Ano 1, que adicionará mais cinco personagens ao longo dos próximos meses. Quatro deles já foram confirmados: Iroh, Ty Lee, Lin Beifong e Bolin, enquanto o quinto será escolhido pela própria comunidade entre Amon, Kuvira, Rei Bumi, Asami Sato e Tenzin.

Além disso, a Gameplay Group já confirmou que Tagah, personagem do novo filme da franquia, será distribuído gratuitamente para todos os jogadores. A estratégia mostra que o estúdio pretende manter o jogo vivo após o lançamento, algo essencial para qualquer título de luta atualmente.

Outro sistema interessante é o de personagens de suporte. Antes de cada luta, é possível escolher um aliado que permanece fora da arena e oferece habilidades específicas durante o combate, permitindo montar estratégias mais ofensivas, defensivas ou focadas em controle de espaço.

Mesmo com um elenco relativamente enxuto, a sensação é de que cada personagem realmente possui identidade própria. Jogar com Aang é completamente diferente de controlar Korra, enquanto lutadores como Sokka e Kyoshi conquistam justamente pelo carisma e pelas formas criativas como seus golpes foram adaptados para um jogo de luta.

Nem tudo, porém, está no mesmo nível de qualidade. Ozai, por exemplo, claramente parece menos refinado que o restante do elenco, apresentando animações mais simples e um gameplay que ainda precisa de ajustes — algo que a própria desenvolvedora já reconheceu e prometeu corrigir em futuras atualizações.

Modos de jogo entregam um pacote bastante competente

Além da campanha principal, Avatar Legends também oferece um modo Arcade com pequenas histórias individuais para cada lutador. Elas não possuem grande profundidade narrativa, mas funcionam como um bônus divertido para incentivar o jogador a experimentar todo o elenco.

O pacote ainda inclui partidas locais para dois jogadores, modo Treino extremamente completo e partidas online com rollback netcode e crossplay entre todas as plataformas. Para um projeto desse porte, é difícil reclamar da quantidade de conteúdo disponível logo no lançamento.

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Como esperado para um jogo do tipo, Avatar Legends traz suporte para partidas locais em dois jogadores.

O modo Treino merece um elogio especial pela quantidade de ferramentas oferecidas. Hitboxes, frame data, gravação de ações do adversário e opções como um Passo a Passo de ataques no tutorial mostram que o estúdio está de olho na comunidade competitiva.

Ao mesmo tempo, algumas ausências chamam atenção justamente por evidenciar que o jogo chegou às lojas antes do momento ideal. O modo Ranqueado, o Espectador, a Zona para Iniciantes, desafios de combos e parte dos conteúdos da edição Deluxe ainda não estavam disponíveis durante nossos testes.

Nem mesmo alguns bônus de pré-venda haviam sido liberados para os jogadores poucos dias após o lançamento. Não chega a comprometer a qualidade do jogo, mas certamente afeta a percepção inicial de quem comprou as versões mais caras esperando receber todo o conteúdo imediatamente.

A boa notícia é que a Gameplay Group vem sendo bastante transparente nas redes sociais e já divulgou um cronograma de atualizações. Ver um estúdio ouvindo a comunidade e reconhecendo problemas logo na estreia passa confiança de que Avatar Legends pode evoluir bastante nos próximos meses.

Um jogo complexo para iniciantes, mas lindo para qualquer um

Assim como acontece no universo Avatar, muito poder também pode se transformar em um desafio. O sistema de luta é extremamente rico, mas sua quantidade de mecânicas pode assustar quem acompanha apenas a animação e não possui experiência com jogos de luta.

Existe um tutorial relativamente completo, mas ele exige bastante leitura e nem sempre consegue explicar conceitos importantes da maneira mais intuitiva. Em alguns momentos, tive a sensação de que o jogo espera que o jogador já conheça termos comuns do gênero antes mesmo de começar.

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Ler alguns tutoriais é essencial, mas nem sempre as páginas são amigáveis e bem trabalhadas.

Curiosamente, isso não significa que iniciantes vão se divertir menos. Durante meu primeiro contato com Avatar Legends, joguei diversas partidas contra um amigo igualmente fã da série e, mesmo sem dominar praticamente nenhuma mecânica, conseguimos disputar confrontos bastante equilibrados apenas explorando golpes básicos e ataques especiais.

Essa acessibilidade inicial acaba funcionando muito melhor do que o próprio tutorial. O famoso "button mashing" rende momentos caóticos, engraçados e surpreendentemente equilibrados, permitindo que jogadores casuais também encontrem diversão antes de mergulhar nas camadas mais profundas do sistema.

Visualmente, Avatar Legends também merece muitos elogios. As animações desenhadas à mão conseguem reproduzir com enorme fidelidade o estilo da animação, enquanto os efeitos das dobras transformam praticamente todas as lutas em episódios interativos da série.

Os cenários também ajudam bastante na imersão, apesar da quantidade limitada de arenas. Cada local está repleto de pequenos detalhes, referências e elementos visuais que fazem qualquer fã da franquia reconhecer imediatamente os lugares visitados durante as animações.

Uma carta de amor para os fãs de Avatar

Entre erros e acertos, existe uma sensação que permanece constante durante todo o gameplay: Avatar Legends foi claramente desenvolvido por e para pessoas que gostam desse universo. Mesmo quando tropeça em limitações de orçamento ou no lançamento apressado, o jogo demonstra um carinho enorme pelo material original.

Isso aparece nas animações exclusivas de cada personagem, nas inúmeras referências espalhadas pelos cenários, nos diálogos, nos personagens de suporte e até mesmo na galeria de artes. É o tipo de cuidado que dificilmente passa despercebido para quem acompanha Avatar desde a época de A Lenda de Aang.

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Por isso, Avatar Legends consegue fazer algo que muitos jogos licenciados não alcançam. Além de ser um bom jogo de luta por mérito próprio, ele também funciona como uma expansão divertida desse universo, oferecendo aos fãs uma oportunidade inédita de reunir personagens de diferentes gerações em confrontos que jamais aconteceriam na cronologia oficial.

Se a Gameplay Group realmente cumprir o roteiro de atualizações prometido, corrigindo problemas de localização, refinando alguns personagens e adicionando os modos que ficaram de fora, existe um caminho bastante promissor pela frente. A base construída aqui é sólida o suficiente para justificar esse investimento.

Vale a pena?

Avatar Legends: The Fighting Game é um jogo de luta bonito, divertido e surpreendentemente competente para um projeto baseado em uma licença tão popular. Seu sistema de combate consegue criar identidade própria, enquanto o elenco, mesmo pequeno, oferece estilos bastante variados e um pacote de conteúdo acima do esperado para uma estreia.

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar que o lançamento aconteceu antes do momento ideal. Problemas de localização, conteúdos prometidos que ainda não estavam disponíveis e alguns personagens precisando de mais polimento impedem que o jogo alcance um nível ainda maior.

A boa notícia é que nenhuma dessas questões parece estrutural. A Gameplay Group vem demonstrando transparência, ouvindo a comunidade e já anunciou diversas melhorias, o que faz Avatar Legends parecer muito mais um jogo em evolução do que um projeto abandonado após a estreia.

Por preços a partir de R$ 89, o título já representa uma boa compra para fãs de Avatar e jogadores que procuram algo diferente dentro do gênero. Se você prefere experiências completamente polidas, talvez valha a pena esperar algumas atualizações ou uma promoção, mas fica a sensação de que este pode ser apenas o primeiro capítulo de uma franquia de luta bastante promissora.

Nota do Voxel: 85/100

Pontos positivos (Prós):

  • Sistema de luta criativo e bastante diferente de outros jogos do gênero
  • Personagens possuem estilos de jogo realmente distintos
  • Excelente direção de arte inspirada nas animações
  • Boa quantidade de conteúdo para um projeto desse porte
  • Rollback netcode e crossplay já disponíveis no lançamento
  • Grande carinho pelo universo de Avatar

Pontos negativos (Contras):

  • Lançamento claramente apressado
  • Problemas de localização em português brasileiro
  • Alguns personagens ainda precisam de refinamento
  • Tutorial poderia ensinar melhor as mecânicas mais básicas

Uma cópia de Avatar Legends: The Fighiting Game foi cedida pela desenvolvedora para a realização da review. O jogo já está disponível no PC, PS5 e Nintendo Switch, com a versão de Xbox Series S/X chegando em 3 de setembro. O título também receberá uma edição para Switch 2 futuramente.

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