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Halo: Campaign Evolved moderniza um dos maiores FPS da história sem perder a essência original

O remake de Halo: Combat Evolved atualiza gráficos, gameplay e conteúdo sem abrir mão da essência do clássico

Avatar do(a) autor(a): Derek Keller

schedule23/07/2026, às 12:00

Como se deve apresentar um clássico a uma nova geração de jogadores? Talvez, esta tenha sido a pergunta de ouro do estúdio responsável pelo desenvolvimento de Halo: Campaign Evolved. A responsabilidade que caiu nos ombros da Halo Studios (antiga 343 Studios), era grande, já que Halo: Combat Evolved é considerado um dos jogos mais importantes da história dos videogames.

Caso você não seja familiarizado com a lore da franquia, te explicamos rapidamente: Halo: Campaign Evolved é o remake completo da versão original de Xbox, lançada em 2001. O jogo foi tão importante para a marca que foi considerado o “killer app” (jogo ou programa que justifica sozinho a compra de um dispositivo ou console). E isso por vários motivos – revolucionou os jogos de tiro nos consoles, trouxe mapas abertos gigantes e definiu o modo como jogamos FPS até hoje.

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Porém, a pergunta agora é: será que justifica revisitar o universo de Master Chief em 2026, mesmo num mundo onde a maioria dos jogos são “crias” de Halo: CE? Sendo direto e reto? Ainda vale, e muito – mesmo com algumas escorregadas no level design e escolhas que podem não agradar fãs de longa data. E é isso que contaremos neste review!

A história de Halo: Campaign Evolved

O ano é 2552. Após serem os únicos sobreviventes de um ataque devastador orquestrado pela raça da Irmandade, a nave Pilar do Outono acaba caindo em um mundo diferente de tudo que já viram, um mundo que tem um formato de anel do tamanho de uma lua. Com a missão de explorar e procurar sobreviventes do ataque, o soldado Master Chief se une a Cortana – a inteligência espacial da nave e juntos, descobrem que o tal Halo esconde segredos que podem alterar a vida na galáxia.

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A direção das cutscenes são destaque. Imagem: Derek Keller

É muito interessante comparar lado a lado as cinemáticas do novo Halo: CE, pois basicamente alteraram poucas coisas da versão original para o remake. A dupla de diretores de Campaign Evolved fizeram um ótimo trabalho na escolha tanto das cenas de ação nas cinemáticas quanto na direção dos atores – que retornaram para o remake, com uma redublagem bem mais natural e convincente que no original. O mesmo elogio serve para a dublagem da Irmandade, que era divertida no primeiro (e continua mais ainda no remake).

Embora a história continue a mesma, existem alguns detalhes em certas cenas que acabam dando uma leve camada de profundidade em alguns personagens, como o pedido do Capitão Keyes a Master Chief, que passa totalmente batido na versão de 2001. Mesmo que o primeiro jogo da franquia não seja a revolução da roda no quesito história, detalhes assim são legais de perceber.

Original vs Remake

Se você foi um dos jogadores que jogou Halo nos primórdios do primeiro Xbox (aliás, parabéns pelo feito), irá notar algumas diferenças na jogabilidade de Halo: Campaign Evolved. Claro, mesmo que o jogo tenha inaugurado uma nova era para jogos FPS nos consoles, muita coisa mudou de lá pra cá – e Campaign Evolved abraçou isso.

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Não importa a versão: essa paisagem é muito bonita. Imagem: Derek Keller

A primeira delas é a mudança nos controles: antes, não era possível correr ou atacar usando os analógicos, além da mira que não funcionava ao apertar o gatilho esquerdo. A sensação de jogar um FPS atual é clara, e isso não é demérito algum (afinal, foi Halo quem começou tudo isso). Caso você seja um jogador das antigas, é possível jogar na configuração original ou alterando os botões no menu de configurações, ou alternando para o modo Reconhecimento, que utiliza os padrões clássicos.

A HUD também foi refeita do zero, deixando de ser simplista e dando a sensação de estarmos dentro do capacete de Master Chief, não chegando a poluir a tela, além de agora ter indicativos para onde o jogador deve ir caso esteja perdido. Uma coisa que pode irritar fãs de longa data são os números de balas das armas principais – que caíram de 60 para “apenas” 36. Parece bobeira, mas quando chegar uma horda de Flooders na sua frente, essa limitação vai incomodar.

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A Espada de Energia faz um estrago legal. Imagem: Derek Keller

Falando em armas, cerca de nove novas estão disponíveis dentro dessa versão e, dentre elas, as que eu ficava mais feliz de encontrar eram a Espada de Energia (sim, agora é possível usar armas da Irmandade) e a Fuel Rod Cannon, que faz um estrago enorme quando usada. Porém, mesmo com ação desenfreada em boa parte do jogo, alguns níveis se tornam repetitivos demais, problema que a versão original também tinha. Isso é compreensível, já que é um remake fiel do jogo de 2001, porém ainda é válido comentar.

Mesmo que certos níveis ainda pareçam os mesmos, o game também merece o elogio por conta da direção de arte e iluminação dos vários ambientes, principalmente na fuga para a Biblioteca, uma das melhores sequências do game. Mesmo que muitos torçam o nariz para a Unreal Engine 5, ela cumpre aqui seu propósito, modernizando completamente os cenários, iluminação e efeitos visuais sem descaracterizar a identidade do original. E isso se encaixa com o design de som que, embora utilize os mesmos sons dos outros jogos, foi refinado para que a experiência usando fones de ouvido te levem para o meio de uma batalha feroz.

Um exemplo disso é quando somos apresentados ao Flooders, espécie parasita que habita o Halo: assim que entram em cena, o clima do jogo muda quase que de ação para terror. Mesmo sendo inimigos teoricamente mais fáceis, são difíceis de matar em grande quantidade, dando trabalho ao jogador.


Ainda dá pra melhorar

Uma das novidades de Halo: Campaign Evolved que não tinha no original (mas sim em jogos posteriores) era a habilidade de poder roubar veículos dos inimigos, como as naves Banshee e os Ghost. Mesmo ajudando muito em algumas partes, o controle deles é complicado, com explicações de uso que pipocam na tela, não dando tempo de ler. Porém, não se compara ao dirigir o Warthog: mesmo que tenham duas opções para dirigir o carro, é simplesmente horrível tentar fazer uma curva com ele sem que o carro quase gire em 360 graus ou capote, por conta do desequilíbrio na direção. Em um dos momentos finais do jogo, o Warthog tomava outro rumo quase, e isso era estressante. É muito legal trazer veículos para jogos de ação – mas eles precisam mais ajudar do que atrapalhar.  
 

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A direção do Warthog tá precisando passar na revisão. Imagem: Derek Keller

Como o salvamento automático podia acontecer durante algumas batalhas, às vezes ao retornar ao jogo depois de morrer eu acabava sendo pego de surpresa com o personagem no meio de uma batalha gigante e cercado de inimigos, não dando tempo nem de pensar e morrer novamente. Além disso, encontrei alguns pequenos bugs onde alguns inimigos simplesmente sumiram da tela durante o jogo ou a cutscene perdia a sincronização de áudio após pausar o jogo, mas acredito que com atualizações, isso deve melhorar.

Operação METEORITE e Crânios

Entre os conteúdos inéditos, o maior destaque são as três fases da Operação METEORITE, que acontecem cerca de um ano antes da história do jogo. Tendo o divertido Sargento Johnson como companheiro, Master Chief precisa se infiltrar em uma nave da Irmandade para coletar informações, onde infortúnios da vida acabam os levando para caminhos além do previsto originalmente. Com novas variantes de inimigos e armas que não aparecem na campanha, essa pequena “expansão” original consegue tornar o gameplay ainda mais divertido.

Ao acabar essa parte da campanha, a sensação que fica é que a franquia está em boas mãos, já que tanto a história quanto os problemas de level design que citei anteriormente parecem sumir aqui. Eu jogaria facilmente mais algumas horas dessa história, já que a fórmula de repetir vários ambientes e não manter sempre os mesmos inimigos não estão aqui. Pensada em agradar os fãs antigos da franquia, acredito que Operação METEORITE irá fazer sucesso dentro da comunidade de Halo.

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Imagem: Derek Keller

Além disso, vale também falar da volta dos Crânios – os modificadores clássicos da franquia. Agora, os jogadores poderão encontrar 42 deles espalhados pelo jogo – a maior quantidade até então – onde cada um deles concede mudanças na gameplay, como confetes que saem dos inimigos após levarem um tiro ou liberar o modo em terceira pessoa (que é totalmente opcional). Divertidos, eles são uma boa opção não só como coletáveis, mas também para trazer mais diversidade no gameplay, já que é possível ter cerca de quatro trilhões de combinações possíveis.

Mais do que uma expansão, Operação METEORITE funciona como uma demonstração do caminho que a Halo Studios pretende seguir daqui para frente. Se esse for o nível das próximas histórias inéditas, o futuro da franquia parece bastante promissor.

Vale a pena?

Em uma entrevista ao Polygon, Greg Hermann, o diretor do jogo, explica que Halo: Campaign Evolved foi pensado para ser apresentado para uma nova geração de jogadores que não conheciam a franquia – mesmo que existam três versões da mesma história. Porém, após jogar várias horas do game, é possível entender mais sobre o que o Greg estava querendo dizer.

Halo: Campaign Evolved consegue fazer algo que parecia bastante difícil: respeitar um clássico sem se prender ao passado. Ao mesmo tempo em que moderniza controles, gráficos e diversas mecânicas, o remake mantém intacta a identidade que transformou Combat Evolved em um dos FPS mais importantes da história.

Nem tudo funciona perfeitamente: o level design continua mostrando a idade do projeto original, a física dos veículos poderia ser melhor e alguns bugs ainda aparecem ao longo da campanha. Porém, o saldo é extremamente positivo graças às melhorias visuais, ao excelente trabalho de áudio, às novas armas, aos conteúdos inéditos e ao cuidado em preservar a experiência clássica.

Se essa era a missão da Halo Studios, ela foi cumprida. Master Chief continua sendo uma das figuras mais importantes da história dos videogames, e Campaign Evolved é a melhor porta de entrada para entender o motivo.

 

Nota do Voxel: 90

Pontos positivos:

  • Atualizações feitas respeitam o clássico sem perder a identidade
  • Nova iluminação, direção de arte e áudio refinado elevam a experiência. 
  • Operação METEORITE é um destaque que mostra um caminho promissor para o futuro da franquia
  • História preservada com melhorias pontuais
     

Pontos negativos

  • Level design datado e repetitivo prejudica o ritmo da campanha
  • Dirigibilidade inconsistente de alguns veículos 
  • Checkpoint automático mal posicionado
  • Pequenos bugs técnicos 

 

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