2026 parece mesmo ser o ano em que lendas dos videogames se tornam realidade. Pragmata, por exemplo, apresentado pela Capcom em 2020, finalmente viu a luz do dia e não só isso: foi um sucesso comercial e de público. GTA VI, por sua vez, o grande titã do entretenimento, também ganhou uma data de lançamento definitiva, com direito a pré-venda e tudo. Ou seja: vai sair.
Pelo lado da Nintendo, a empresa não apenas trouxe de volta Star Fox, mas também revelou ao mundo o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, marcando o retorno de um dos maiores jogos da história. Tudo isso era improvável, mas não impossível. O que parecia impensável, no entanto, era a volta da série musical Rhythm Heaven.
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Disponível para o Nintendo Switch, Rhythm Heaven Groove coroa a trajetória lendária do console híbrido como um dos últimos grandes exclusivos da plataforma. Após mais de uma década de hiato, a franquia Rhythm Heaven reaparece como uma espécie de celebração musical ao sucesso da Big N, assim como aconteceu na era do Nintendo 3DS com Rhythm Heaven Megamix.
Tirando onda com a polirritmia
Para quem não conhece, Rhythm Heaven Groove é, em essência, um jogo de ritmo composto por dezenas de minijogos musicais. A estrutura lembra bastante a da franquia WarioWare, mas, em vez de priorizar reflexos e criatividade, concentra-se em colocar o senso de ritmo do jogador à prova. Qualquer semelhança não é mera coincidência: ambas as séries têm o dedo de Ko Takeuchi, experiente diretor de arte da Nintendo.
Em Rhythm Heaven Groove, somos apresentados a uma batelada de desafios rítmicos em sequência (mais de 80, para ser mais específico), cada um com suas próprias mecânicas e estruturas temporais, com o acréscimo de mais 30 fases destinadas ao modo multiplayer. Diferentemente de outros games de ritmo, o principal trunfo de Rhythm Heaven é sua capacidade de transformar minijogos simples em verdadeiros exercícios de polirritmia.
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Isso significa que não basta acompanhar o compasso e seguir o BPM: também é preciso internalizar padrões visuais que, por vezes, não coincidem com a música, operando em uma cadência distinta da batida principal. Na prática, a linguagem audiovisual cria um contraste incomum dentro do gênero, exigindo que o cérebro assimile diferentes camadas de tempo num mesmo instante. Em outras palavras, o que os olhos veem nem sempre se alinha com o que os ouvidos escutam.
Mais traiçoeiro que Hatsune Miku, Rhythm Heaven age “na maldade” e traz flutuações de andamento nas músicas, feitas para colocar a bola “no contrapé” do jogador, na pura intenção de induzi-lo ao erro em um arranjo aparentemente básico, o que demanda atenção máxima. A precisão cobrada nos comandos é milimétrica, mesmo que haja apenas um ou, no máximo, dois botões para apertar.
É aí que mora a graça: o jogo não é tão difícil a ponto de travar quem está jogando, nem tão fácil a ponto de ser superado de primeira. Muitos vão dizer que não há conteúdo suficiente, e eu respeitosamente discordo: Rhythm Heaven é sobre aprendizado, repetição e, principalmente, sobre a tentativa de superar os próprios recordes enquanto faz o tico e o teco trabalharem juntos.
Minigames únicos, com direito a um modo RPG
As fases introduzidas em Rhythm Heaven Groove dão um show à parte, mesmo quando retomam as bizarrices já conhecidas da franquia. A viagem alucinógena é, para dizer o mínimo, absurda: vai desde controlar um robô em uma fábrica de pudins até mediar uma conversa cheia de bipes entre humanos e alienígenas. O céu sempre foi o limite em Rhythm Heaven, e isso não mudou no novo título: não há nenhum minigame remotamente parecido ou reaproveitado dentro da própria experiência.
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Como novidade, há um modo com requintes de RPG intitulado Beatspell, no qual usamos feitiços sincronizados para vencer hordas de monstros. Numa dinâmica parecida com a de um tradicional combate por turnos, seu personagem e o inimigo possuem barras de vida e tempos de resfriamento para os ataques. A vantagem de acertar o timing das ações é poder ganhar um bônus de dano crítico, o que torna as batalhas rápidas e letais.
À medida que avança, você pode aplicar melhorias aos poderes de seu personagem e subir de nível, em um esquema de progressão que incentiva o retorno ao modo. O lado negativo é que ele não tem a profundidade que se espera de um RPG, sendo um tanto previsível mecanicamente, ainda que tente promover uma história e outros elementos que fogem do escopo da proposta rítmica.
Quase gabaritou
Sou suspeito para falar sobre Rhythm Heaven, pois foi um jogo que me marcou muito nos tempos de faculdade: era minha companhia inseparável no transporte público, junto do meu Nintendo DS. Admito que eu estava inclinado a dar nota máxima para Rhythm Heaven Groove, já que ele gabarita todos os quesitos do que se espera de um grande game de ritmo (ao menos para mim).
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Contudo, fiquei um tanto desapontado com a quantidade de composições cantadas, já que elas representam o ponto mais alto da trilha sonora. Além disso, não posso deixar de mencionar a ausência de textos em português do Brasil. Apesar de os diálogos não serem comuns nesse tipo de jogo, a localização poderia, sim, facilitar o entendimento dos tutoriais que aparecem antes de cada estágio.
Vale a pena?
Não tenho muito mais o que dizer para tentar convencê-lo de que Rhythm Heaven Groove é mais um excelente jogo da série esquisitona da Nintendo. Mais uma vez, Rhythm Heaven prova que guitarras de plástico e comandos complexos não são necessários para se sobressair em seu nicho: basta dançar no próprio ritmo, de preferência desengonçado, para ver a mágica acontecer.
Nota do Voxel: 90
Pontos positivos (Prós):
- Desafios rítmicos dos mais variados
- Novos modos de jogo
- Boa seleção de fases, solo e multiplayer
- As músicas cantadas são excelentes
- É cinema, mecanicamente falando
Pontos negativos (Contras):
- Poucas canções com voz
- Ausência de textos em português do Brasil
Uma cópia de Rhythm Heaven Groove foi gentilmente cedida pela Nintendo para o propósito de análise. O jogo está disponível para Nintendo Switch.
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