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Review: Diablo 2 Reign of Warlock é uma promissora direção para o futuro de um clássico

Atualização do já lendário jogo aponta que Diablo 2 ainda tem muita lenha para queimar

Avatar do(a) autor(a): João Pedro Muller Meireles Assumpção

schedule17/03/2026, às 07:15

Poucos títulos possuem um status tão lendário quanto a franquia Diablo, responsável por moldar uma geração de jogadores e criar um gênero que permanece em destaque até hoje, com sucessos como Path of Exile, Last Epoch e a mais recente iteração, Diablo 4. Embora o primeiro jogo da franquia tenha sido fundamental ao quebrar paradigmas e apresentar o aRPG isométrico ao mundo, foi Diablo 2, sua sequência, que elevou a saga ao patamar de pilar da indústria.  

Passados 25 anos desde sua última expansão, Lord of Destruction, todos fomos pegos de surpresa quando, nas comemorações do aniversário da franquia, foi anunciado que Diablo 2 receberia não apenas uma nova classe adicionada ao universo, o Bruxo (Warlock, em inglês), mas também uma expansão trazendo novos itens e inúmeras melhorias de qualidade de vida. Resta saber: será que Reign of Warlock corresponde às expectativas de uma legião apaixonada que aguardou mais de duas décadas por novidades?

Toda a força do Bruxo

Embora as melhorias adicionadas em Reign of Warlock sejam tão aguardadas pelos jogadores, é inegável, como o título já sugere, que a grande expectativa gira em torno da nova classe e de suas possibilidades, o Bruxo. Com poderes oriundos de magia sombria e proibida, o Bruxo é capaz de conjurar feitiços infernais, como fogo e sombras, além de controlar demônios e manipular pedras das almas.

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Antes de tudo, é preciso destacar: a nova classe é atualmente a mais forte do jogo, especialmente durante o processo de evolução até os níveis mais altos e a última dificuldade. Mas não é apenas no início que o poder do Bruxo se sobressai. Com uma ampla variedade de possíveis builds, que dialogam com estilos de outras classes, o novo personagem agrada a diferentes perfis de jogadores, desde aqueles que preferem exércitos de servos a seu comando, com sua build focada em controle de demônios, até os que optam por combates mais próximos, utilizando armas de forma mágica.

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Nova classe é forte e divertida na medida certa

Além da força, a diversão é um fator extremamente relevante, e aqui novamente o Bruxo não decepciona, embora haja um detalhe importante. Todas as builds, do começo ao fim do jogo, são bastante divertidas, mas os fãs mais hardcore de Diablo 2 podem estranhar, ou até desgostar, do desenvolvimento da nova classe. Isso porque, apesar do esforço da Blizzard em fazê-la parecer parte do jogo original, é evidente a influência de títulos modernos de aRPG no personagem, sobretudo em um aspecto que pode incomodar jogadores mais antigos: a ausência de fraquezas claras. Para novos jogadores, ou para aqueles que não se importam com esse power creep, o acerto é evidente, já para os mais puristas, pode sim ser um ponto de incômodo.

Um novo caminho a frente

Uma das maiores expectativas que eu particularmente tinha quando o anúncio de Reign of Warlock foi feito, era como a nova classe e seus efeitos se comportariam no modo visual legado, já que a equipe da Blizzard teria que praticamente criar o personagem para dois jogos diferentes. Para minha decepção inicial, Reign of Warlock é tratado como um jogo à parte, assim como acontece com a diferença entre Diablo 2 e Lord of Destruction, ao se iniciar o jogo, e essa versão não permite a ativação do filtro visual para o jogo legado. 

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Bruxo infelizmente só pode ser apreciado no novo visual de Diablo 2

Embora isso tenha sido um ponto negativo para mim, e sei que muitos jogadores também irão considerar dessa forma por desejarem a opção de usar a classe no visual antigo, acredito que aqui temos não apenas um dos grandes acertos dessa expansão, como também uma das notícias mais importantes para o futuro de Diablo 2. Ao optar por separar Reign of Warlock do jogo base, a Blizzard se dá hoje, e no futuro, a possibilidade de expandir o já lendário título de forma mais disruptiva do que se tivesse a obrigação de manter o original atualizado, além de oferecer aos jogadores que não aprovarem tais mudanças a opção de permanecer com o jogo clássico.  

Um exemplo disso, além do Bruxo, é a adição de conteúdo extra, como novos itens lendários e sets, e as melhorias de qualidade de vida trazidas pela expansão. Para os que estavam em dúvida se apenas a nova classe justificaria o preço, fico feliz em dizer que essas melhorias agregam tanto valor ao produto quanto o personagem inédito. Entre elas, está a alteração do baú, que agora conta com divisórias e organização semi-automática para alguns itens, como runas e joias. Também foi implementado um filtro de loot, recurso amplamente utilizado em Path of Exile, que adiciona enorme valor por sua simplicidade e praticidade, tornando obsoletos os mods criados para essa função.

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As melhorias de qualidade de vida adicionam muito à experiência com Reign of Warlock

Para os fãs mais hardcore, também são bem-vindas as pequenas, porém substanciais, mudanças no conteúdo de fim de jogo. Mesmo sem novos atos para a história, as zonas de terror sofreram alterações significativas, tornando-se mais atrativas como ferramenta de farm. Além de terem seu tempo de spawn reduzido de uma hora para trinta minutos, agora é possível encontrar itens chamados shards, que permitem “aterrorizar” um ato inteiro, possibilitando ao jogador caçar várias zonas sem precisar reiniciar a sessão. Para os veteranos mais dedicados, há ainda a adição de um novo chefe uber, uma versão mais poderosa dos Ancients, inimigos enfrentados no topo de Arreat no Ato V.

Vale a pena?

Após perder algumas boas horas com Reign of Warlock, é difícil não recomendar a expansão tanto para novos jogadores quanto para veteranos de Diablo 2. Para os novatos, temos uma das classes mais interessantes e diversificadas da história da franquia Diablo, com estrutura e jogabilidade mais alinhadas ao que o gênero oferece atualmente, algo que pode facilitar a adaptação ao clássico. 

Para os veteranos, além do Bruxo, há excelentes adições de conteúdo, tanto em itens quanto no fim de jogo, sem perder a possibilidade de permanecer no já lendário título caso a nostalgia fale mais alto em algum momento. Reign of Warlock é um exemplo de como se deve fazer uma expansão, e pavimenta um futuro promissor para a continuidade de um dos títulos mais amados e conceituados já criados pela Blizzard.

Nota voxel: 90

Pontos positivos:  
- Nova classe  
- Novos itens e melhoria de qualidade de vida  
- Modificações na zona de terror

Pontos negativos: 
- Falta de filtro para modo legado  
- Falta de melhorias para classes antigas para ficarem a par do Bruxo

Uma cópia de Diablo 2 Reign of Warlock foi liberada pela Blizzard para a realização da review. 

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