Se você sente saudades da autenticidade de jogos que marcaram o início dos anos 2000, com ideias completamente excêntricas, Denshattack tem grandes chances de ser o seu próximo favorito. Produzido pelo estúdio independente Undercoders, de Barcelona, e publicado pela Fireshine Games, o título pode ser descrito como uma inusitada mistura de Jet Set Radio com Tony Hawk’s Pro Skater, esbanjando visuais coloridos e estilosos. A grande diferença: você controla um trem e faz manobras radicais com ele.
O Voxel teve acesso antecipado a uma versão de demonstração de Denshattack, gentilmente fornecida pela assessoria de imprensa da Fireshine Games, e conta a seguir as primeiras impressões. Vale notar que a versão jogável estará disponível como parte do tradicional Steam Vem Aí (ou Steam Next Fest), a partir de 19 de março. Por sua vez, a versão completa chega ainda em 2026, sem uma data definida, para PC, PS5 e Xbox Series. Confira:
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Denshattack é mais do que aparenta
A ideia de controlar um trem por um trilho pré-determinado pode dar a impressão de que o jogo é linear e sem muita agência do jogador, mas Denshattack surpreende com suas mecânicas engenhosas e por permitir a expressão individual dos jogadores, mesmo sob essa premissa. É preciso fazer derrapagens no momento certo para ganhar turbo; buzinar para abrir cancelas automáticas; saltar entre trilhos para pegar o caminho correto; esquivar de obstruções; descobrir segredos pelo percurso e muito mais.
Na prática, é uma jogabilidade que deve testar os seus reflexos e tomadas de decisão. E dificilmente você irá se contentar com apenas uma partida: os desafios e objetivos secundários, que ajudam a determinar seu desempenho, são um convite para decorar as rotas, experimentar novas formas de travessia e executar manobras cada vez mais ousadas. As fases presentes na demonstração também são bastante variadas e divertidas.

Falando nelas, a lista de manobras para o trem é comicamente imensa, contando com dezenas delas. Existem aquelas com execução mais simples, mas também outras mais avançadas e que exigem movimentos nada convencionais no analógico direito — além de, claro, serem mais recompensadoras caso feitas com êxito.
Na minha experiência, não há necessidade de se preocupar tanto com a execução perfeita das manobras: eventualmente você conseguirá realizar truques mais complexos na tentativa e erro. Desde que você esteja no ar com seu trem, qualquer movimento irá resultar em alguma manobra. Você só precisa garantir que ela terá terminado ao retornar aos trilhos. É um gameplay coeso, divertido e simplesmente funcional.

Um deleite para quem gosta de cultura japonesa
A história do jogo também se mostrou interessante para dar o pano de fundo adequado para um conceito tão maluco. Tudo se passa em uma distopia japonesa, num futuro não muito distante do nosso, em que a crise climática obrigou a população a se isolar e domos de ar por todo o país — um serviço fornecido por uma megacorporação sinistra chamada Miraidô . E é por isso que os trens são tão importantes, pois eles conectam as cidades e são usados para serviços de entregas.
No entanto, formou-se toda uma cultura marginalizada de trens que usam trilhos abandonados para disputar corridas. Nesse sentido, os jogadores, no papel da entregadora Emi, se interessam pela modalidade, conquistam reputação entre gangues e rebeldes e tentam dar um fim aos planos maliciosos da Miraidô. Claro, com muito estilo e velocidade.
Os percursos buscam inspiração em lugares reais do Japão e há muitas referências à cultura pop oriental, que devem agradar especialmente fãs de animes e mangás. Os trailers de gameplay já deram um vislumbre do que esperar, incluindo um combate contra chefe que é um robô gigante com transformação típica de obras de garotas mágicas — ou mahou shoujo, em japonês.

Imperdível para fãs de jogos arcade
O tempo que passei em Denshattack foi “videogame puro” e me deixou muito empolgado para o lançamento da versão completa. É um jogo diferente de tudo que tem saído nas plataformas atuais, remetendo a uma época em que os games não tinham medo de ser esquisitos — num bom sentido.
É um jogo rápido, com visuais estilo anime que saltam aos olhos e com um gameplay fácil de entender, mas com profundidade o bastante para ser desafiador e convidar o jogador a aprender suas nuances. Seja para partidas descompromissadas ou para quem quiser se aprofundar nos seus controles precisos, Denshattack vai além das suas inspirações óbvias e cria uma identidade própria. É um jogo que precisa estar no seu radar de favoritos para 2026.
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