Desde o lançamento do primeiro game, High on Life acabou ganhando certa atenção do público, por diversos motivos: suas armas falantes, dubladores reconhecidos na comédia americana, piadas de cunho duvidoso, e principalmente pelo envolvimento de um de seus criadores, Justin Roiland — também conhecido como uma das mentes por trás da animação de sucesso Rick and Morty, do Adult Swim, e um dos fundadores da Squanch Games.
Embora Roiland não esteja envolvido na sequência por motivos pesados, o segundo capítulo da franquia consegue não só dar a volta por cima como também mostrar que pode, sim, manter o bom humor e criatividade unidos, algo do qual o primeiro game foi altamente criticado, seja por conta de suas “piadas bobas" e história rasa. Longe de ser perfeito, High on Life 2 consegue divertir — mesmo que a jogabilidade e alguns bugs atrapalhem a experiência.
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É novo aqui? Não se preocupe
Mesmo que pareça óbvio falar, High on Life 2 é uma continuação direta do primeiro game, mas direta mesmo: depois de salvar os humanos do temido Cartel G3, o jogador/caçador de recompensas vira uma celebridade em seu novo planeta, participando de talk-shows, programas de namoro, comerciais ridículos e todo aquele pacote básico de sub-celebridades. Aqui, jogadores novos são ambientados ao mundo bizarro do game — e de quebra ao humor dele também.
Após evitar que a humanidade vire receita para drogas (sim, os alienígenas queriam literalmente nos usar para fumo), nosso herói vive agora em um dos melhores lugares da cidade, com direito até a um museu próprio — que existe simplesmente para te situar dos acontecimentos do primeiro game. Porém, tudo muda quando Lizzie, sua irmã, vira alvo da policia e é acusada de terrorismo, cabendo a você a missão de salvar ela e descobrir quem é o verdadeiro vilão por trás de tudo.
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Salvar Lizzie ou não, você escolhe. A partir daqui, é onde High on Life 2 começa a se destacar por conta do humor satírico e principalmente da criatividade dos roteiristas, que não estão nem aí se você irá seguir a história ou não (uma dica: escute os pensamentos intrusivos ao salvar sua irmã).
Setup + Punchline
Há quem não goste de High on Life por conta do seu humor de cunho (às vezes) duvidoso, e é compreensível. Uma das principais reclamações do primeiro game era justamente sobre isso (embora humor seja igual a… digital do dedo, cada um tem o seu). Porém, o segundo game deixa um pouco de lado esse “humor ácido” para dar lugar a diálogos e piadas que fazem sentido dentro do contexto do jogo, não estando lá somente para chocar.
Logo no começo, um dos Gatlians (armas com vida própria que conversam com você) simplesmente solta uma de várias piadas que vão além da quarta parede, pegando de surpresa o jogador com o ouvido atento — e olho também, já que agora o game está legendado em português brasileiro. Aliás, o jogador se comunica com os outros personagens somente via Gatlians, onde cada uma das armas possui um temperamento diferente, o que pode deixar o diálogo com NPCs mais sério ou mais divertido.
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Aliás, vale a pena conversar com alguns dos NPCs do game, seja para ameaçar atirar ou para ouvir suas histórias sem pé nem cabeça. Um exemplo foi um guarda do qual eu precisava do cartão de segurança, onde eu iria conseguir obtê-lo (até então) de duas maneiras: convencendo o guarda ou o matando. Acabou que, depois de tanto atirar a esmo pela fase, o guarda ficou com medo e acabou me dando o cartão, desde que eu não o matasse. Era minha última opção, mas que bom que ele prezou pela aposentadoria.
Se referência matasse…
… High on Life 2 não sobreviveria nem à próxima encarnação. É absurdo o número de referências dentro do game, desde detalhes bobos da vida real até claramente filmes (vários filmes) de sucesso. Sabemos que em altas doses, isso pode acabar com o produto final dependendo da obra — sim, estou falando com você, Marvel Studios. Porém, High on Life 2 sabe bem dosá-las, fazendo com que se encaixem bem dentro da narrativa sem soar forçado.
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De Jurassic Park a O Hóspede Quer Bananas, a impressão é de que cada um dos membros do time de roteiristas se juntaram numa sala e fizeram o seguinte pitching: cite um momento específico de sua vida que ele irá fazer parte do jogo, mas quanto mais graça, melhor (um segredo das melhores piadas: quanto mais pessoal, melhor).
Uma das minhas favoritas é onde um grupo de adolescentes pede para você andar de skate numa piscina e buscar umas letras gigantes que estão por lá e formar uma palavra — que segundo as regras dos jogos do Tony Hawk, a palavra é SKATE. Só que, o conjunto de letras pego de forma aleatória não faz sentido algum, acaba formando uma palavra que não existe, deixando a situação mais cômica ainda quando dita em voz alta. De quebra, algumas fases depois ainda existe o callback da piada, onde você descobre onde as letras são forjadas.
Gameplay intenso, mas com boas ressalvas
Mesmo acertando no desenvolvimento dos personagens e história, High on Life 2 pesa no básico: gameplay. Embora agora o jogo tenha adicionado um skate para ajudar o jogador a se locomover dentro das fases, às vezes ele mais atrapalha do que ajuda. Com controles confusos e muitas vezes descontrolados, você vai pulando no lugar errado ao tentar fazer um grind, mesmo que o game queira que o jogador flua pela fase. O lugar mais notável disso é a missão do jantar com sua mãe, onde (por algum motivo), você precisa atravessar a cidade por baixo dos esgotos usando o skate. Aqui, o uso dele é irritante.
Seguindo na contramão, se tem uma coisa que a Squanch Games deu um belo destaque foram na batalhas dos chefes, onde cada uma consegue ser melhor que a outra. Enquanto uma delas é resolvida sem lutas, mas sim resolvendo um mistério de assassinato (a lá Benoit Blanc), uma outra o chefe entra dentro da bios do jogo, obrigando o jogador a pausar o game ali mesmo, numa caçada tão divertida que até Hideo Kojima dos anos 2000 teria orgulho. Talvez, esse seja o ponto alto do jogo até então.
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Mas… mesmo com bons diálogos em português, às vezes eles se perdem por conta de diversos bugs nas legendas. Uma hora a legenda simplesmente não acompanhava a fala do personagem, em outra estava totalmente em inglês (geralmente, no meio de batalhas intensas contra vários inimigos). Jogando no Xbox Series X, somente duas vezes o game apresentou uma queda de quadros considerável, porém em quase todas as batalhas as legendas se perdiam, tornando tudo mais caótico ainda.
Vale a pena?
Mesmo com problemas que podem facilmente serem removidos ou alterados após algumas atualizações, High on Life 2 se destaca não pelo gameplay (que mesmo frenético, ainda é um pouco genérico) nem pela história, mas sim pela criatividade. Batalhas memoráveis e criativas contra chefes e diálogos afiados sem muito exagero fazem com que High on Life 2 se destaque no seu principal objetivo: entregar diversão.
Assim como no primeiro capítulo, a Squanch Games deixa claro que não é um jogo para todos — e nem tenta ser. High on Life 2 existe para aqueles dias em que você só quer desligar o cérebro e atirar em alguma coisa, rindo vez ou outra de uma piada que talvez evitasse no dia a dia. No fim, o game não se leva a sério, e às vezes é exatamente disso que a gente também precisa.
- Veja também - Criadores de High On Life 2 falam sobre impacto do Xbox Game Pass e PS Plus na franquia | Voxel
Nota: 80
Pontos positivos (Prós):
- Batalhas contra chefes criativas;
- Ótimos diálogos;
- Referências para todas as idades.
Pontos negativos (Contras):
- Diversos bugs nas legendas;
- Gameplay genérico;
- Skate precisa de mais polimento.
Uma cópia de High on Life 2 foi gentilmente cedida pela Xbox Brasil para o propósito de análise no Xbox Series X. O jogo está disponível para Xbox Series S|X, PS5, PC e Nintendo Switch 2, incluso também na assinatura Game Pass Ultimate.
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