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IA do Google que faz jogos 'quebra' até a dona de GTA 6! Entenda impacto do Genie 3

Lançamento do Genie 3, inteligência artificial do Google que faz jogos, fez ações da Take-Two e mais empresas despencarem. Saiba mais detalhes e entenda a situação.

Avatar do(a) autor(a): Mateus Mognon

schedule01/02/2026, às 17:47

updateAtualizado em 01/02/2026, às 17:55

O anúncio do Project Genie 3, nova tecnologia de inteligência artificial do Google capaz de gerar mundos interativos a partir de simples comandos de texto, provocou um efeito brutal no mercado financeiro. Na última sexta-feira (30), ações de algumas das maiores empresas da indústria de games despencaram, com investidores reagindo de forma agressiva a um futuro que, para muitos deles, pareceu ameaçador demais.

A queda mais simbólica foi a da Take-Two Interactive, dona da Rockstar Games e de franquias como GTA e Red Dead Redemption. A empresa perdeu quase 10% de seu valor de mercado em um único dia, o equivalente a mais de US$ 3,5 bilhões evaporando em Wall Street. E ela não ficou sozinha: Unity, CD Projekt Red, Roblox, Tencent e até Nintendo também sentiram o impacto.

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Apesar do pânico, especialistas e profissionais da indústria apontam que a reação do mercado diz mais sobre o medo em torno do rótulo “IA” do que sobre uma ameaça real e imediata ao desenvolvimento de jogos como conhecemos hoje.

O que é o Genie 3 e por que ele assustou investidores

O Genie 3, apresentado pelo Google como um “modelo geral de mundos”, consegue gerar ambientes 3D navegáveis em tempo real a partir de prompts de texto. Segundo a própria empresa, o sistema entrega experiências interativas a 24 quadros por segundo, em 720p, com consistência limitada a alguns minutos — normalmente cerca de 60 segundos.

Na prática, isso significa que o usuário pode “andar” por um mundo criado por IA, interagir de forma básica com o ambiente e explorar o cenário por um curto período. Não há objetivos claros, narrativa estruturada, sistemas complexos de gameplay ou persistência de mundo. 

Ainda assim, vídeos demonstrando protótipos semelhantes a Fortnite, Dark Souls ou GTA viralizaram rapidamente nas redes sociais. Para parte dos investidores, isso foi suficiente para gerar pânico, resultando em um grande crash no mercado.

O impacto do Google Genie 3 no mercado de games

Além da Take-Two, empresas como Unity chegaram a registrar quedas de até 20% de seu valor, refletindo o temor de que ferramentas como o Genie possam, no futuro, substituir motores gráficos tradicionais. CD Projekt Red, Roblox e Tencent também fecharam o dia em forte baixa, enquanto poucas exceções, como a Sega, conseguiram escapar praticamente ilesas.

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A leitura dominante no mercado parece ter sido a de que, se “qualquer pessoa” pode criar um jogo com IA, então grandes estúdios perderiam relevância. O problema é que essa interpretação ignora completamente como jogos são feitos.

Como resumiu o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, em redes sociais: o mercado está reagindo a algo que não entende. Apesar das imagens impressionantes do Genie 3, a solução está longe de ameaçar gigantes do mercado.

“Genie 3 não foi criado para fazer jogos”, diz especialista

Em entrevista ao Voxel, Neri Neto, jornalista formado pela UFSC que é especialista em desenvolvimento de games e inteligência artificial, comentou sobre o assunto. Ele afirma que o foco do Genie 3 está sendo amplamente mal interpretado.

“O ponto mais importante é entender que o Genie 3 não foi criado para criar jogos, mas sim para treinar máquinas e robôs. Esse é o próximo passo lógico do desenvolvimento da IA. A utilização para entretenimento surge como algo secundário”, explica.

“O Genie 3 não foi criado para criar jogos, mas sim para treinar máquinas e robôs”

Segundo ele, ferramentas desse tipo são fundamentais para simular ambientes complexos de forma digital, algo essencial para o avanço da robótica e de modelos de IA avançados. O entretenimento entra como uma camada adicional — e comercial — de um investimento que já aconteceria de qualquer forma.

“Já vimos iniciativas parecidas, como o GWM-1 da Runway. Todas têm a mesma base: criar mundos digitais para treinamento. O uso em games vem depois, quase como um bônus”, completa.

Experimentos chamam atenção, mas limites são claros

Apesar do impacto visual, o Genie 3 ainda apresenta limitações severas. Os mundos gerados são curtos, frequentemente inconsistentes e incapazes de sustentar regras complexas, narrativa profunda ou sistemas robustos de progressão — pilares de qualquer jogo AAA.

Grande parte dos exemplos mais populares na internet são, na verdade, recriações quase literais de jogos já existentes, levantando inclusive discussões sobre direitos autorais. Para Neri Neto, isso reforça o caráter experimental da tecnologia. 

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“É só o comecinho de algo. Genie é um gerador de experiências 3D e foi lançado ao público de forma bastante controlada, justamente para entender o que pode surgir daí. Ninguém sabe ainda qual será o retorno real dos usuários.”

A indústria de games está ameaçada?

Apesar da reação inicial, a indústria de games, como um todo, está totalmente segura. Mesmo com as quedas drásticas, o movimento de queda causado pelo Genie 3 não deve durar no mercado financeiro.

“A indústria de games está longe de morrer. Empresas gigantes não tendem a ser afetadas a curto prazo e, mesmo no médio ou longo prazo, isso é improvável. Elas têm grana, nome e controle de qualidade”, explica Neri Neto.

O impacto mais sensível, segundo ele, pode recair sobre desenvolvedores independentes, especialmente aqueles que criam experiências mais simples e facilmente replicáveis por sistemas generativos. Com isso em mente, a tendência é que os primeiros impactados sejam criadores de aplicativos para celular e experiências em plataformas como Roblox ou Fortnite, por exemplo.

Ainda assim, há um ponto-chave que o mercado parece ignorar: IA já faz parte do desenvolvimento de jogos. Segundo uma pesquisa do Google Cloud, 90% dos desenvolvedores de jogos já utilizam algum tipo de ferramenta baseada em IA, seja em animação, testes, prototipagem ou otimização de processos.

O que esperar do futuro?

O colapso momentâneo das ações mostra o quanto o mercado está hipersensível a qualquer novidade envolvendo inteligência artificial. No caso do Genie 3, a reação parece ter sido desproporcional às capacidades reais da tecnologia apresentada até agora.

O histórico da indústria de games mostra que ela já sobreviveu — e se adaptou — a ciclos de disrupção muito mais profundos. Por enquanto, o Genie 3 parece menos um “fim dos jogos como conhecemos” e mais um lembrete de que, quando o assunto é IA, o medo costuma viajar mais rápido que os fatos.

Para Neri Neto, que está imerso no universo de desenvolvimento e criação de conteúdo, o Genie 3 pode não acabar com a indústria de games, mas dar vida para um novo mercado. Ele acredita que novas formas de consumo e criação podem surgir a partir dessas tecnologias, possivelmente com curadoria, plataformas próprias e até modelos de monetização inspirados em YouTube, Fortnite ou Roblox. 

No entanto, isso não elimina o papel dos grandes estúdios — apenas muda o jogo. “Nossa relação com jogos é complexa, envolve mais do que criar o mundo que queremos. Nós dependemos do que outros dizem sobre os nossos mundos, sobre o que as pessoas olham e acham valor”, explica o jornalista e desenvolvedor.

E aí, qual a sua opinião sobre o assunto? Comente nas redes sociais do Voxel e do TecMundo!

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