Tekken 8 justifica espera com um incrível salto geracional - Review

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Imagem: Reprodução/Bruno Magalhães

Nem parece que já faz quase nove anos desde o lançamento original de Tekken 7, ainda nos arcades japoneses. Durante esse período, o título manteve sua comunidade engajada com novos conteúdos, atualizações de qualidade de vida e circuitos competitivos, garantindo uma posição confortável entre os entusiastas. Mas a barra de qualidade esperada para o gênero de jogos de luta subiu e naturalmente chegou o momento de dar um passo adiante. É com esse sentimento que Tekken 8 chega ao PC (Steam), PlayStation 5 e Xbox Series X/S em 26 de janeiro.

O jogo utiliza o poder da Unreal Engine 5 para entregar um maior nível de fidelidade visual, retrabalhando os modelos de todos os seus personagens. Além disso, ele também refina suas mecânicas para entregar partidas mais agitadas e apelativas para novos jogadores. O resultado é um legítimo jogo de luta para a nova geração, que está atento às demandas do seu público e entrega as ferramentas confiáveis para fomentar sua comunidade por anos a fio. Você confere os detalhes a seguir, no review completo do Voxel.

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Seguindo o exemplo do seu antecessor, Tekken 8 traz uma história cinematográfica que continua a conturbada relação familiar dos Mishima e Kazama. Agora sem obstáculos no seu caminho, Kazuya alcança o ápice do seu poder e promove um novo torneio de artes marciais para que lutadores do mundo todo provem o seu valor em sua nova era de tirania, com o detalhe de que os perdedores terão seus países de origem dizimados.

Em meio a isso, o seu filho, Jin Kazama, que ainda lida com conflitos internos pelo sangue de inocentes que derramou no passado, enfrenta uma jornada de aceitação para dominar o gene demoníaco e se redimir dos seus pecados, confrontando Kazuya de uma vez por todas. A história cinematográfica já começa com o conflito entre pai e filho, misturando cenas pré-renderizadas com ação em tempo real para proporcionar uma experiência cinematográfica e épica.

Que a verdade seja dita: Tekken nunca foi um suprassumo do enredo, então é mais seguro curtir a história do novo jogo com o pé no chão, controlando as expectativas. As cenas são bonitas e realmente há lutas muito eletrizantes, especialmente na reta final, que fazem valer a experiência. No entanto, a história é curtinha, podendo ser concluída com cerca de três horas de gameplay, e os eventos escalam de forma muito rápida. O resultado disso é que o roteiro aproveita muito mal os seus personagens — o que é uma pena considerando a participação de estreantes como Reina, Victor e Azucena.

Os estreantes de Tekken 8 roubam a cena em design e gameplayOs estreantes de Tekken 8 roubam a cena em design e gameplayFonte:  Reprodução/Bruno Magalhães 

Desde que foi revelada, Reina chamou rapidamente a atenção pelo seu design e personalidade imponente, além do seu suposto parentesco com Heihachi Mishima. A personagem é incrível, mas sua participação na história deixa a desejar e os jogadores acabam com mais perguntas do que respostas. Isso também é verdade sobre Jun Kazama, a mãe de Jin que sobreviveu de alguma forma e o jogo não explora essa reviravolta. O sentimentalismo barato entre os personagens também não convence, e tudo acontece por conveniência do roteiro. Também pesa o fato de que Jin é tão carismático quanto uma pedra, então uma história protagonizada por ele não fisga tão facilmente a atenção dos jogadores.

É mais seguro curtir a história do novo jogo com o pé no chão, controlando as expectativas.

Mas para não ser injusto, a história também tem seus momentos interessantes. Como já dissemos, as cenas são bem-feitas e eletrizantes, e o jogo também busca variar um pouquinho a forma de jogar. Os fãs de modos clássicos como Tekken Force têm motivos para se empolgar com homenagens, e também há piadinhas e situações que remetem a jogos cultuados da série, incluindo Tekken 5.

O jogo também traz um modo paralelo, o Episódios de Personagens, que apresenta uma pequena sequência de lutas. Chegando ao fim, o jogador pode assistir a um encerramento animado de altíssima qualidade para cada lutador. A única questão é que não faz sentido essa ser uma modalidade separada do tradicional Arcade, que acaba ficando obsoleto.

Após quase uma década de espera, Tekken 8 é maior salto geracional da franquiaApós quase uma década de espera, Tekken 8 é maior salto geracional da franquiaFonte:  Divulgação/Bandai Namco 

Outra atividade que despertou a curiosidade do público é a Missão Arcade, ou Arcade Quest na versão em inglês. Aqui, os jogadores podem criar um avatar bastante fofinho e experimentar um pouco da cultura de fliperama, visitando diferentes casas para descobrir jogadores e aprender os fundamentos básicos de Tekken. O objetivo é ficar forte o bastante para subir no palco do Tekken World Tour, que também é o mundial no universo do game. A história é muito bobinha e esquecível, além de ter cerca de duas horinhas de duração se você tiver experiência com jogos de luta.

A tarefa do Missão Arcade é guiar jogadores que nunca tiveram contato com Tekken, tanto que os tutoriais estão disponíveis apenas dentro deste modo. Isso é um pouco contraintuitivo e pode causar confusão no início. Há um NPC que acompanha o jogador e ensina técnicas conforme subimos nos ranques, tocando em assuntos como iniciadores de combos e punições. É bacana o fato de que ele direciona os ensinamentos para o personagem que utilizamos, então é realmente possível aprender algo novo com ele.

É um modo bem-intencionado para instruir principiantes, mas que eu sinto que não é tão efetivo quanto poderia. Seria interessante se ele realmente guiasse o aprendizado mostrando quais golpes do personagem são úteis no neutro e têm vantagem quando defendidos, ou quais sequências podem ser viáveis para pressionar o adversário sem ser punido. Existe uma obsessão em causar dano e em usar o Heat System, e não necessariamente em como se comportar em uma partida.

O conteúdo offline de Tekken 8 deixa um pouco a desejarO conteúdo offline de Tekken 8 deixa um pouco a desejarFonte:  Divulgação/Bandai Namco 

Em compensação, a sala de treinamento é bastante completa e traz conveniências muito bem-vindas, como a possibilidade de destacar algo da lista de comandos enquanto controla o personagem. Isso é fundamental já que os personagens têm dezenas de movimentos, mas não é necessariamente uma novidade na franquia. Também existe a exibição em tempo real de frame data, para conferir as vantagens e desvantagens dos botões dos bonecos, e um treinamento de punição que traz vários dos golpes mais utilizados pelos lutadores do elenco. É bastante útil para quem ainda está aprendendo o jogo e não sabe configurar a sala com exatidão.

Também existem desafios de combos que dão uma ideia do funcionamento de cada personagem, e é bastante divertido experimentar um pouquinho de cada. Os jogadores que não estiverem muito acostumados com os controles também podem optar por um estilo facilitado, em que é possível executar sequências pré-definidas e golpes mais fortes com o pressionar de um único botão. Esse modo é habilitado a qualquer momento da partida pressionando L1, dispensando a burocracia dos menus. Também é um recurso muito útil para um público casual.

Para fechar o conteúdo single-player, o clássico Tekken Ball está de volta. Esse é um modo que simula um vôlei de praia, em que os lutadores realizam golpes para arremessar uma bola no campo adversário. Atingir o outro boneco com a bola é a única forma de causar dano, então é uma proposta divertida se tiver algum amigo para curtir junto. A impressão é de que Tekken 8 podia entregar mais em conteúdo offline, mas felizmente ele compensa isso em outros aspectos.

Algo digno de nota é que o jogo tem opções de acessibilidade bastante interessantes para pessoas com deficiência visual, incluindo configurações para diferentes níveis de daltonismo. Também existem filtros de máscara em que os personagens são preenchidos por linhas verticais e horizontais para serem diferenciados. Só é uma pena que as opções de acessibilidade se limitem a filtros visuais. Também seriam bem-vindos indicativos sonoros do posicionamento dos personagens como os que existem em Street Fighter 6, por exemplo.

Um novo patamar em visuais e gameplay

A franquia Tekken sempre foi referência em gráficos já na época do PlayStation 1. Com Tekken 8, o time de desenvolvimento levou a sério a tarefa de entregar um legítimo jogo de luta da nova geração. Os modelos dos personagens e os cenários saltam aos olhos pela qualidade visual: tudo é muito bonito e vibrante. É muito difícil ter a dimensão da qualidade gráfica deste jogo por vídeos na internet: ver ele rodando na sua frente é muito impressionante.

Os desenvolvedores também capricharam muito nos efeitos e na cadência das partidas, já que agora a agressividade é a palavra-chave do jogo. Isso se reflete no seu Heat System, uma condição em que os personagens não apenas causam mais dano com seus ataques, mas também destravam novos golpes finalizadores — úteis para combos ou para pressionar o adversário, já que costumam ser positivos na defesa.

Os jogadores podem ativar o Heat no neutro, pressionando apenas R1, ou utilizando ataques específicos da lista de comando que engatilham uma ativação, chamados de Heat Engagers. Como esse sistema acelera o ritmo da partida e causa muito dano mesmo em caso de defesa, ele é o responsável por ditar as rotas de combo e de pressão dos jogadores. É daí que vem o lema de agressividade do novo jogo.

O gameplay de Tekken 8 tem ênfase na agressividade, com mecânicas que privilegiam a ofensivaO gameplay de Tekken 8 tem ênfase na agressividade, com mecânicas que privilegiam a ofensivaFonte:  Reprodução/Bruno Magalhães 

Esse sistema tornou até mesmo os personagens antigos muito mais divertidos e extravagantes, enriquecendo seus arsenais. Então, por mais que seja possível jogar com um conhecimento prévio e utilizando sua memória muscular, há novas possibilidades que mudam completamente a forma como nos movimentamos e pensamos durante as partidas. Mais do que nunca, é preciso aprender contramedidas para lidar com o Heat System de cada personagem, ou as lutas podem ficar bastante unilaterais.

Tekken 8 conta com 32 lutadores em seu lançamento.

O sistema de Rage dos jogos anteriores também está de volta, aumentando o dano causado pelo personagem quando estiver com pouca vida e destravando uma técnica especial, o Rage Art. Ela é basicamente o especial cinematográfico que todos os personagens têm, que foi introduzida em Tekken 7. Com todos esses sistemas, Tekken 8 é não apenas o lançamento mais divertido da série de se jogar, mas também de assistir. A Bandai Namco tomou notas do que fez do jogo anterior um absoluto sucesso e foi além, entregando o gameplay mais satisfatório e divertido de dominar da história da franquia.

Por sinal, seu elenco de lançamento é bastante generoso e conta com 32 lutadores selecionáveis — partindo na dianteira, com relativa folga, se comparado a outros jogos de luta da atualidade. É claro que a maior parte é composta por personagens retornantes, mas os estreantes do jogo não deixam a desejar e são alguns dos mais divertidos já apresentados na história da franquia.

Tekken 8 chega com ecossistema online confiável para fomentar comunidades por anos a fioTekken 8 chega com ecossistema online confiável para fomentar comunidades por anos a fioFonte:  Divulgação/Bandai Namco 

A desenvolvedora também tomou notas com relação ao ecossistema online, afinal de contas, o jogo anterior acabou ficando defasado conforme tecnologias como o rollback e cross-play começaram a se popularizar. Para garantir um lançamento com tudo o que é necessário para que o jogo funcione no lançamento, ele chega já com um netcode confiável e a possibilidade de parear com jogadores em qualquer plataforma. Existe até mesmo a opção de ajustar o rollback, priorizando a responsividade ou a qualidade visual.

Como o jogo chegou com semanas de antecedência para a análise, não foi possível testar o funcionamento dos lobbies online ou o matchmaking, pois os servidores estavam offline. Mas, aqui, vale lembrar a experiência com o último Beta que aconteceu em outubro do ano passado. Os primeiros testes tiveram problemas de matchmaking, com longas filas de espera, mas logo a desenvolvedora corrigiu e foi possível encontrar partidas muito satisfatórias — mesmo contra adversários de fora do Brasil. Portanto, é de se esperar que a qualidade seja equivalente na versão final.

Vale a pena?

Tekken 8 chega para agitar ainda mais a temporada de lançamentos desta que já é considerada a “Nova Era de Ouro” dos jogos de luta. Embora seu conteúdo offline seja aquém do esperado, o título entrega um sistema de combate envolvente e seus personagens nunca foram tão divertidos quanto agora. A apresentação visual também está muito acima da média e assume posição de destaque mesmo se comparado a vários dos lançamentos que, em tese, são o chamariz da atual geração de consoles.

O jogo também merece elogios por assegurar, desde o lançamento, recursos fundamentais como rollback e cross-play, garantindo um ecossistema confiável para fomentar comunidades com um leque maior de jogadores possíveis, sem barreiras entre plataformas. Fica bastante claro que a Bandai Namco observou as tendências dos últimos anos e tomou notas dos pontos fracos do seu antecessor. Mais do que nunca, Tekken está de volta e vislumbra um futuro bastante promissor.

Nota do Voxel: 90

Pontos positivos (prós):

  • Visuais incríveis;
  • Mecânicas de gameplay satisfatórias;
  • Melhor elenco base da história da franquia;
  • Suporte a netcode de rollback e cross-play no lançamento;
  • Localização em português do Brasil.

Pontos negativos (contras):

  • Conteúdo offline raso;
  • História é muito apressada e aproveita mal seus personagens.

Tekken 8 foi testado no PS5 com uma chave cedida pela Bandai Namco. O jogo será lançado em 26 de janeiro no PlayStation 5, Xbox Series S/X e também no PC.

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