Like a Dragon Gaiden é uma jornada enxuta, familiar e emocionante - review

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Imagem: Reprodução/Bruno Magalhães

Yakuza é uma franquia que passou por mudanças muito radicais em um curto intervalo. Não somente seu título foi renomeado, fazendo justiça ao nome original em japonês, Ryuu ga Gotoku (Like a Dragon, em inglês), como o seu gênero migrou do tradicional beat'em up para RPGs por turnos. Tudo isso entrou em vigor com Yakuza: Like a Dragon (2020), o sétimo lançamento numerado que também chocou com o estreante Ichiban Kasuga no papel de protagonista — substituindo de vez o lendário Kazuma Kiryu.

Ainda que essas mudanças tenham sido bem aplicadas e aceitas pelos fãs, restaram dúvidas sobre o verdadeiro paradeiro da Kiryu e as consequências da sua decisão após o fim de Yakuza 6: The Song of Life (2016). Para responder essas questões, a Sega finalmente lança, em 8 de novembro, o jogo Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name.

O lançamento foi pensado originalmente como um DLC e é considerado um spin-off, mas traz informações importantes àqueles que querem entender mais da jornada de Kiryu e os motivos que o levaram a cruzar caminho com Ichiban Kasuga nos acontecimentos de Yakuza: Like a Dragon. Mas será que o jogo vale a pena? Você descobre a seguir, no review completo do Voxel.

Um pouco de contexto

À esta altura, não é surpresa dizer que Like a Dragon Gaiden traz spoilers pesados de Yakuza 6: The Song of Life. Isso está explícito até mesmo no título do jogo, então recomendamos a leitura por sua conta e risco. Sem entrar em muitos detalhes, a história se passa logo após os acontecimentos do título de 2016, em que Kazuma Kiryu, em um acordo com a facção Daidouji, forja a sua morte para proteger as crianças do orfanato de Okinawa.

O jogo busca apresentar o inferno vivido pelo protagonista que, muito resoluto de que fez a coisa certa, abandona completamente o seu nome e vida passada, sendo conhecido agora como Joryu. Ele vive isolado em um templo e cumprindo ordens sujas da organização como um agente desde então. No entanto, devido à sua reputação, muitas famílias de yakuza custam a acreditar na sua morte. Isso leva ao primeiro dilema do jogo, em que a família Watase acaba descobrindo que Kiryu está vivo e faz de tudo para atrair sua atenção.

Like a Dragon Gaiden traz um Kiryu mais melancólico, mas ainda resoluto e com forte senso de justiçaLike a Dragon Gaiden traz um Kiryu mais melancólico, mas ainda resoluto e com forte senso de justiçaFonte:  Reprodução/Bruno Magalhães 

A história está repleta de drama, reviravoltas e momentos emocionantes que prometem marcar os fãs do protagonista — que nunca esteve tão melancólico, diga-se de passagem. Também há novos personagens intrigantes e carismáticos para conhecer, com destaque para a jovem Akame. O jogo traz os acontecimentos que levam Kiryu e Kasuga Ichiban a se conhecerem em Yakuza: Like a Dragon, na dissolução da Aliança Omi. E claro, também explica o motivo pelo qual o Dragão de Dojima viaja até o Havaí no próximo grande lançamento da série, Like a Dragon: Infinite Wealth.

A Sega considera Like a Dragon Gaiden uma boa "porta de entrada" para principiantes da franquia, mas isso não é necessariamente verdade. Em termos de história, é um jogo indispensável para quem jogou The Song of Life. Já àqueles que começaram no sétimo título da série, pode ser interessante para acompanhar a perspectiva de Kiryu até o momento da sua misteriosa aparição no game.

Nada necessariamente novo

Por se tratar de uma experiência paralela, Like a Dragon Gaiden reaproveita muito daquilo que já foi visto em jogos anteriores da série. Para começar, a aventura resgata a fórmula de briga de rua em tempo real e se passa novamente em Sotenbori, um distrito fictício de Osaka que é abundante em entretenimento. Por isso, é possível revisitar mini-games clássicos como corridas de autorama, karaokê, golfe, sinuca, encontros de cabaret, jogos de tabuleiro tradicionais, clássicos de Master System e até mesmo fliperamas da Sega, incluindo títulos como Sonic the Fighters, Fighting Vipers 2 e Virtua Fighter.

A novidade fica por conta de uma nova área chamada Castle, uma cidade secreta localizada em um navio-contâiner em alto mar, vinculado à Aliança Omi, e que serve de centro para negócios ilegais, jogos de aposta e até mesmo um coliseu. O jogador chega até esse local já no segundo capítulo da história e é apresentado a um sistema de recrutamento, pois é possível montar uma equipe para participar de lutas em grupo — ou até mesmo controlar algum dos personagens individualmente, aumentado seu nível e atributos.

Vários mini-games clássicos estão de volta em Like a Dragon Gaiden, incluindo as corridas de autoramaVários mini-games clássicos estão de volta em Like a Dragon Gaiden, incluindo as corridas de autoramaFonte:  Reprodução/Bruno Magalhães 

O usuário tem liberdade para explorar Castle e Sotenbori no seu próprio ritmo, e as atividades secundárias são divertidas e garantem dezenas de horas de jogatina para quem quiser cumprir todos os seus objetivos. Mas quando se trata da história principal, Like a Dragon Gaiden é bastante enxuto para os padrões da franquia e pode ser concluído facilmente em cerca de doze horas. Para compensar, a conclusão da campanha garante acesso a uma demonstração especial de Like a Dragon: Infinite Wealth para curtir.

A ideia é que o jogador não mergulhe em Like a Dragon Gaiden como um jogo linear. Em vez disso, o ideal é explorar suas atividades secundárias, que são muito recompensadoras, e curtir a jornada de maneira descompromissada. Tudo o que o jogador fizer, seja em Sotenbori ou no Castle, garante pontos e dinheiro para gastar com melhorias e destravar novas técnicas. Por sinal, o Castle tem um sistema de ranque que, quanto maior, mais áreas ficam disponíveis para acessar. Isso também inclui lojas com itens e equipamentos cada vez melhores.

Sistema de combate e interface de usuário

Like a Dragon Gaiden é bastante direto ao ponto no seu sistema de combate. Há apenas dois estilos selecionáveis: o tradicional Yakuza, idêntico ao dos jogos anteriores, e o inédito Agente, que se utiliza de periféricos tecnológicos para controle de grupo. É divertido descobrir as possibilidades do modo Agente, mas poucas técnicas se provam verdadeiramente úteis nos combates.

As melhores técnicas do estilo Agente, por exemplo, foram a Aranha e Serpente. A primeira é um fio brilhante que Kiryu utiliza para agarrar itens e inimigos à distância, que é definitivamente a mais útil. Já a segunda é um impulso nos sapatos para deslizar com facilidade pela arena, atropelando os inimigos. As demais não chamaram atenção por serem difíceis de usar ou pouco recompensadoras.

As batalhas contra chefes ainda são de tirar o fôlego, especialmente na reta final da históriaAs batalhas contra chefes ainda são de tirar o fôlego, especialmente na reta final da históriaFonte:  Reprodução/Bruno Magalhães 

Por consequência, as lutas acabam ficando repetitivas com muita facilidade. Também pesa o fato de que Sotenbori está repleta de arruaceiros a cada esquina, então o ideal é despender pontos para aumentar atributos como vida e dano a fim de evitar dores de cabeça. É possível liberar algumas técnicas adicionais, mas a interface de usuário é uma confusão e não explica muito bem o que você está resgatando com seus pontos — os menus poderiam ser mais bem organizados.

Visuais e desempenho

Os nossos testes aconteceram no PlayStation 5 e a sensação foi de que o desempenho do jogo podia ser melhor. Por algum motivo, ele não roda a 60 quadros por segundo e pode levar um tempo até se acostumar com a cadência dos combates — especialmente na hora de executar combos. Além disso, há algum filtro de tela que aplica desfoque de movimento e causa desconforto na hora de ler de diálogos de NPCs durante a exploração do mundo, obrigando a parar a câmera para prestar atenção.

Vale notar que a versão de console não traz um menu focado em configurações gráficas, com exceção da possibilidade de habilitar HDR em monitores compatíveis. Por isso, é de se esperar que a versão de PC ofereça uma experiência mais fluida e com possibilidades de personalização.

Inspirado em Osaka, Sotenbori é o cenário perfeito para esbanjar belos efeitos de iluminaçãoInspirado em Osaka, Sotenbori é o cenário perfeito para esbanjar belos efeitos de iluminaçãoFonte:  Reprodução/Bruno Magalhães 

Já com relação aos visuais, Like a Dragon Gaiden consegue entregar gráficos mais bonitos que os de Yakuza: Like a Dragon e capricha especialmente nos efeitos de iluminação. O jogo se beneficia bastante dos seus cenários, já que Sotenbori e o próprio Castle são regiões muito agitadas à noite e repletas de detalhes.

Localização em português do Brasil

De modo a deixar a experiência mais acessível, Like a Dragon Gaiden chega já no lançamento com localização em português do Brasil. Essa é uma grande conquista, já que se trata de uma franquia muito densa em diálogos. O trabalho vai muito além de uma tradução literal e toma algumas liberdades divertidas que só o público brasileiro seria capaz de entender — em especial nas missões secundárias.

Esse esforço por parte da Sega mostra como a empresa deseja apresentar a série para um novo público e o resultado é bastante satisfatório. Vale lembrar que Yakuza: Like a Dragon também recebeu suporte em português do Brasil, mas apenas um ano depois do seu lançamento original.

Like a Dragon Gaiden traz novos personagens carismáticosLike a Dragon Gaiden traz novos personagens carismáticosFonte:  Reprodução/Bruno Magalhães 

Vale a pena?

Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name é muito mais simples que os jogos principais da série, mas também é capaz de render dezenas de horas de diversão com suas atividades secundárias. O sentimento de controlar Kiryu mais uma vez chega a ser nostálgico e a história segue à risca o padrão de qualidade da franquia, com vários motivos para rir e chorar com seus desdobramentos.

O jogo sempre traz incentivos para completar suas atividades, mas nada é necessariamente inédito para os veteranos. Já aos principiantes, existem títulos melhores como uma porta de entrada, em especial Yakuza 0 e o próprio Yakuza: Like a Dragon, mas o fato de Gaiden também sair no Game Pass é um convite indispensável.

A retomada do estilo de ação em tempo real apela sobretudo à nostalgia e é um bom aperitivo, mas a execução mostra como a franquia tomou um rumo mais certeiro e interessante como um RPG por turnos. Ainda assim, Like a Dragon Gaiden é um ótimo jogo para passar o tempo e apertar botão de forma despretensiosa.

Nota do Voxel: 85

Pontos positivos (prós):

- História emocionante e que amarra pontas soltas da série;
- Inúmeras atividades secundárias para se divertir;
- Personagens carismáticos;
- Localização em português do Brasil já no lançamento.

Pontos negativos (contras):

- Desempenho deixa a desejar no PS5;
- Sistema de combate não traz muita variedade;
- Interface de usuário confusa.

A análise de Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name foi realizada no PS5 com uma chave fornecida pela assessoria da Sega. O jogo chega em 8 de novembro com versões para PC (Steam), PS4, PS5 e consoles Xbox, incluindo Game Pass.

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