Detective Pikachu Returns é um tímido retorno do spin-off detetivesco - review

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Com o estrondoso sucesso de Pokémon: Detective Pikachu, o primeiro live-action da série projetado para os cinemas, era uma questão de tempo até a sequência de Detective Pikachu, o spin-off original de Nintendo 3DS, ganhar vida.

O filme, aliás, para muitos (e eu assino embaixo), é tido como uma das melhores adaptações de jogos de todos os tempos. Mas isso não é uma grande conquista, tendo em vista o nível questionável de seus concorrentes.

Trazendo referências à produção cinematográfica, Detective Pikachu Returns é uma continuação direta do game anterior e reproduz, sem tirar nem pôr, a fórmula de aventura detetivesca que já conhecíamos. A premissa aqui é desenvolver uma narrativa palatável capaz de expandir o universo dos monstrinhos de bolso para além das batalhas. Confira a análise completa:

Ora, ora, temos um “Xeroque Rolmes” aqui de novo

A nova jornada de Tim Goodman e seu fiel escudeiro, um Pikachu tagarela e amante de café, se desenrola dois anos após os acontecimentos do primeiro jogo, com a dupla ainda tentando descobrir o paradeiro de Harry Goodman, pai de Tim e ex-parceiro do Pokémon elétrico.

Tim e Pikachu são premiados pelo prefeito de Ryme City por terem resolvido o emblemático caso da substância R, um componente com células de Mewto capaz de alterar o comportamento natural dos Pokémon, e é assim que Detective Pikachu Returns começa. E não, você não precisa ter a bagagem do game de 3DS para poder desfrutar da sequência, já que o novo título contextualiza quem está chegando agora.

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Em paralelo à investigação do sumiço repentino de Harry, a dupla dinâmica é acionada para desvendar o roubo de uma inestimável joia em uma mansão. Apesar de a trama ter um tom mais sério, Pikachu Returns opera com o mesmo bom humor que vimos nas telonas e no primeiro título.

As tiradas de Pikachu são mais frequentes agora. Você pode estimular o Pokémon a falar em momentos-chave da história por meio de um único botão. A novidade promove alguns dos diálogos mais engraçados e engajantes da série.

Sem tantas pretensões, a história consegue entrelaçar os acontecimentos como uma boa série de televisão, mas não escapa dos clichês e carece das surpresas que costumamos ver em obras de suspense investigativo. Considerando que a aventura exige de 12 a 15 horas para ser concluída, um tempo até que razoável para um game que se entrega 100% ao enredo, há espaço de sobra para mais plot twists e menos desfechos “manjados”.

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Ainda que Pikachu Returns seja destinado a um público mais, digamos, casual, a Creatures Inc., desenvolvedora da obra, poderia ter tornado a experiência menos previsível. Talvez fosse o caso de deixar a conversa entre personagens e monstrinhos mais sutil, isto é, sem tantas dicas nas entrelinhas.

A humanização dos Pokémon

O empenho do estúdio em tornar Ryme City convidativa para a exploração é notável. O lugar no qual humanos e Pokémon coexistem é denso e com muitos personagens e criaturas interessantes para se conhecer, embora a Pokédex seja modesta, com pouco mais de 100 monstrinhos de diferentes gerações.

Na contramão da série principal, Pikachu Returns abre mão do colecionismo e do sistema de combate por turnos para se aprofundar em desenvolver a personalidade dos Pokémon. Pikachu reserva parte de seu tempo para conversar com outros Pokémon sobre seus hobbies e assuntos do cotidiano, mostrando um lado mais “humano” dos bichinhos.

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Como fã assíduo da franquia, posso dizer que fiquei encantado com o protagonismo de certos Pokémon, como Cramorant e Minior, que nunca tiveram a chance de brilhar por alguns minutos em um game. Para falar a verdade, eu nem sequer me lembrava da existência de algumas criaturas que Pikachu Returns resgatou nos confins da minha memória.

Bastam alguns minutos de jogatina para notar que Pikachu Returns tem a mesma estética de Scarlet & Violet. Logo, a qualidade dos modelos dos Pokémon é acima da média (ainda aquém de Let's Go, Pikachu! e Let's Go, Eevee!), com criaturas esbanjando fofura e carisma, mas as limitações técnicas claramente existem. O visual, de modo geral, parece ter saído de um 3DS, o que muda mesmo é a resolução.

Exploração e muita conversa: o loop do gameplay

Num resumo rápido, o loop de gameplay consiste em conversar com NPCs para obter informações, esmiuçar cenários em busca de pistas e analisar provas a fim de formar um veredito. Há tarefas corriqueiras a serem conciliadas com o caso principal, como encontrar um Lillipup que se perdeu do dono, por exemplo, mas esse tipo de conteúdo opcional é tímido.

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Se você não gostou do Detective Pikachu original ou acha que jogo de investigação não é muito a sua praia, Pikachu Returns não vai te fazer mudar de ideia. A aventura é entregue do mesmo jeito simplista do game anterior, moldada a partir de muitos textos, puzzles e quizzes básicos.

Isso significa que você confabula quase o tempo todo, parando só para resolver simples quebra-cabeças aqui e ali. Para o que o jogo se propõe a fazer, funciona – só não espere uma evolução nas mecânicas.

Desafio quase inexistente e sem legendas em português

Há trechos em que é preciso vasculhar áreas de Ryme City com a ajuda de outro Pokémon, dando ao jogador controle total de Pikachu – e é aí que temos um pico de diversão. O Pokémon elétrico pode, por exemplo, montar em um Growlithe para farejar vestígios, dando um frescor para a experiência e quebrando a cadência das partes com Tim.

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Renunciando à complexidade, o desafio é quase inexistente e não testa as habilidades de detetive do jogador, especialmente se você for um fã experiente de Pokémon. É possível que muita gente torça o nariz para a dificuldade baixa, em especial se a pessoa embarca com a expectativa de ver algo no nível de um Professor Layton ou Ace Attorney, mas é importante saber que Pikachu Returns é, definitivamente, voltado a um público mais jovem.

O problema, no entanto, é não haver legendas em português do Brasil, um aspecto que acaba invalidando o principal público-alvo do game em nosso país. Infelizmente, não vejo uma maneira de aproveitar o jogo sem dominar uma língua estrangeira, levando em conta que quase tudo que se faz aqui demanda primeiro compreender um texto.

Veredito

Detective Pikachu Returns sabe dialogar com seu nicho e joga seguro como sequência, sem se reinventar ou modernizar sua estrutura centrada em histórias de mistério e leves desafios. Se você gosta da ideia de ter um “CSI Pokémon”, algo que fuja do bom e velho sistema de combate por turnos e foque no potencial narrativo da franquia, invista.

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No entanto, é válido considerar que, devido às limitações de jogabilidade e à estrutura parecida com a do título de 3DS, inclusive com uma duração semelhante, Detective Pikachu Returns pode não agradar a todos. Além, é claro, de não ter legendas em nosso idioma – a meu ver, a principal ressalva pelo tipo de produto que é.

Nota do Voxel: 70

Pontos positivos (prós):

  • Clima detetivesco o diferencia dos demais spin-offs
  • História envolvente, apesar dos clichês
  • Ryme City parece realmente uma metrópole viva
  • O humor característico do primeiro game está aqui
  • Controlar Pikachu com seus parceiros Pokémon é diversão em seu estado puro
  • Diálogos com o Pikachu falante tornam as criaturas mais “humanas”.

Pontos negativos (contras):

  • Número tímido da Pokédex, embora a seleção de monstros seja ok
  • Carece de desafio, o que pode ser um problema para certos jogadores
  • A ausência de legendas em português deve ser a maior barreira para os fãs
  • Tecnicamente limitado, mesmo com belos modelos 3D de Pokémon .

Detective Pikachu Returns foi gentilmente cedido pela Nintendo para a realização desta análise. O jogo já está disponível atualmente para Nintendo Switch.

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