Max Payne 3 completa 10 anos! Relembre o AAA que se passou no Brasil

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Em meados dos anos 90, a Remedy, uma desenvolvedora finlandesa que estava começando a realizar seus primeiros trabalhos com demos audiovisuais, se aventurou em criar seu primeiro jogo: um título de corrida bem diferente da imagem que temos da produtora nos dias de hoje. Seria apenas em 2001 que Max Payne, um jogo de ação em terceira pessoa com muita influência de filmes de ação de Hong Kong (e muita admiração pelo diretor John Woo) chegaria ao mercado.

Icônico por seu gameplay frenético e uso da mecânica de slowmotion, muitas vezes comparado à Matrix, e consagrado por sua história de thriller noir sombria, o game se tornou um sucesso de críticas e vendas na época (e foi, inclusive, um dos poucos jogos dublados em PT-BR nos anos 2000). Contudo, ainda nos anos 2000, a Take-Two, companhia mãe da Rockstar, adquiriu a propriedade intelectual.

Max Payne 2 ainda foi desenvolvido pela Remedy (e já publicado pela Rockstar), mas o terceiro e último título, Max Payne 3, trocou de mãos quase uma década depois: agora, a própria Rockstar assumiu a criação do título, que hoje (15) faz 10 anos de existência. Para relembrar esse game bem fora da curva, tanto para a franquia quanto para o mercado brasileiro, separamos um texto nostálgico para celebrar seu aniversário!

A Remedy gostou de Max Payne 3

É natural que quando uma franquia tão autoral troque de criador o resultado seja diferente do que os fãs estavam acostumados. Apesar de ter recebido boas críticas em 2012, diversos fãs (eu incluso) notaram que a série se distanciou de suas raízes sombrias e de um suspense noir de primeira.

Similar, mas diferente, Max Payne 3 adotou uma estrutura mais linear, mudou cenários e ares, recebendo um tratamento de primeira da Rockstar Games que se voltou mais a um gameplay refinado do que uma história atmosférica. Entretanto, mesmo seguindo um rumo distinto de seus predecessores, o resultado aparentemente agradou a Remedy.

De acordo com Sam Lake (atual diretor criativo da Remedy e o rosto do primeiro Max Payne) e Oskari Häkkinen (um dos chefes de desenvolvimento do estúdio), a empresa foi consultada nos estágios finais de desenvolvimento e forneceu feedback ao estúdio de Vancouver da Rockstar e o que viram foi fantástico.

Sam Lake em especial, que atuou como o roteirista dos dois primeiros títulos sob o selo da Remedy, disse em entrevista que o terceiro jogo ainda teria um clima sombrio que a franquia originou. No fim, apesar de diferente em clima e ambientação das obras originais, Max Payne 3 trouxe uma história melancólica e uma sequência digna sob o selo de qualidade da Rockstar.

Um jogo que se passou no Brasil em 2012

Hoje em dia, é comum (e até padrão) que jogos cheguem ao mercado brasileiro em com legendas em português e, frequentemente, até mesmo dublados em nossa língua. Contudo, o começo da década de 2010 não era bem assim. O eixo norte de desenvolvimento de games ainda ensaiava investimentos maiores por aqui, com propagandas de jogos aparecendo em locais públicos e, vez ou outra, o público brasileiro era agraciado com legendas em PT-BR (e algumas raras vezes com dublagem).

O que Max Payne 3 foge da curva é que, além de trazer localização em seus textos para o português brasileiro, deu um passo extra: o título era ambientado no Brasil (em São Paulo, mais especificamente). Claro, existem alguns indies aqui e ali que fizeram isso, e há jogos de corrida, de luta e até fases de Call of Duty que tem missões (ou arenas/pistas) que dão o ar da graça às terras tupiniquins, mas até hoje nenhum AAA como Max Payne 3 se envolveu em nossas ruas e cultura.

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Em entrevista ao então Uol Jogos em 2011, Rob Nelson, diretor de arte do terceiro título, revelou que São Paulo foi uma adaptação fácil para a trama, já que apresenta muitas similaridades a Nova York.

“Nós sabemos que depois dos eventos de ‘Max Payne 2’, seria improvável que Max continuasse na polícia de qualquer maneira. Queríamos evoluir sua história de forma natural, dado o tipo de pessoa que ele é, e as habilidades que possui. Assim como Nova York, São Paulo é a capital cultural de seu país, com uma vida noturna badalada, arte de rua, arquitetura clássica e moderna e densos ambientes urbanos. E também, com a disparidade entre ricos e pobres, corrupção política e um poderoso submundo do crime, muitos dos problemas de São Paulo refletem os problemas da Nova York que Max conhecia. Foi surpreendentemente fácil transferir a atmosfera sombria de Nova York para a escura e chuvosa”, revelou o diretor.

De acordo com o diretor, um grupo de pesquisa dos estúdios Rockstar passaram um bom tempo em São Paulo para pesquisar a megalópole, tirar fotos e coletar materiais para criar uma ambientação mais fiel. Em um boletim da Rockstar, a empresa revelou que os pesquisadores até recomendavam que os fãs do game assistissem ao filme Tropa de Elite, de José Padilha.

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No game, existe a força policial UFE, que foi inspirado no esquadrão do BOPE (que, apesar de ser carioca, serviu de exemplo para criar uma força tática das forças armadas no game). Em dado momento, o jogo chegou até, inclusive, ser vendido em um pacote com um blu-ray do filme. Na trilha sonora, tivemos também uma faixa do cantor Emicida, chamada de 9 Círculos.

Apesar de os esforços serem grandes para representar São Paulo e o Brasil, na época alguns fãs perceberam que a ambientação em São Paulo foi um pouco genérica, se parecendo até com o Rio de Janeiro em alguns pontos (incluindo os sotaques em português em certos momentos).

Contudo, mesmo assim Max Payne 3 ainda foi um marco muito importante, já que é até hoje o único jogo AAA que teve uma campanha grande, de alto orçamento, ambientada quase inteira no Brasil.

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10 anos depois, ainda um game bem moderno

Para aqueles que nunca tiveram contato com a franquia Max Payne, que data de 2001, a ambientação noir é de primeira, mas os dois primeiros títulos já demonstram sinais do tempo e diversos elementos datados, desde seus gráficos até sua jogabilidade – tanto que, recentemente, a Remedy anunciou que fará remakes completos de ambos com ajuda da Rockstar. Ainda são um prato cheio para os fãs, não me entendam mal, mas um pouco distante dos padrões atuais.

Entretanto, Max Payne 3 sobreviveu e ainda sobrevive ao cenário atual. Feito na RAGE, engine proprietária da Rockstar, o jogo ainda apresenta gráficos muito bons para os nossos padrões, já que esse motor gráfico é o mesmo por trás de títulos contemporâneos, como GTA V e até Red Dead Redemption 2. E, para ajudar, o terceiro game da franquia também usufrui do software Euphoria, responsável por animações de personagens mais fluidas.

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Mecânicas, como o Bullet Time, que desacelera o tempo e cria momentos impressionantes, e o sistema de cobertura o tornam um shooter em terceira pessoa extremamente competente, algo que o destaca dos primeiros jogos.

Atualmente, Max Payne 3 está disponível para PC através da Steam e Rockstar Games Launcher, e no Xbox One e Xbox Series X|S através da retrocompatibilidade (mas sem melhorias para o Xbox One X ou Series X|S, ou seja, nada de resoluções maiores ou FPS Boost).

Com os remakes dos primeiros jogos chegando no futuro, será que um dia a Rockstar fará um remaster de qualidade de Max Payne 3 para ter toda a franquia jogável em consoles modernos? Resta ficar na torcida.