Análise Horizon Forbidden West: O Oeste é proibido e incrível

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Dia 28 de fevereiro vai fazer exatamente cinco anos do lançamento de Horizon Zero Dawn, um dos games mais populares da Playstation Studios. Porém, dez dias antes, 18 de fevereiro, teremos o lançamento da continuação da história de Aloy em uma parte do mundo pós-apocalíptico ainda não explorado com a chegada de Horizon Forbidden West.

Quem acompanha o canal do Voxel sabe que o primeiro jogo divide as opiniões da redação, enquanto alguns amam, outros odeiam. Mas o que importa é: será que Forbidden West evolui o que o primeiro jogo trouxe a ponto de manter a paixão daqueles que gostaram do primeiro e quem sabe conquistar os que torceram o nariz?

Bem, vamos tentar descobrir agora. Se prepare para a nossa análise de Horizon Forbidden West.

Senta que lá vem história

Como vocês estão acostumados, nas minhas análises trago um pouquinho da história da franquia, só para localizar todos. Não vou dar nenhum spoiler do primeiro jogo aqui, vou falar só o básico do básico para vocês se situarem.

É importantíssimo saber uma coisa logo de cara, Forbidden West é uma continuação direta de Zero Dawn, por tanto  é imprescindível que você tenha jogado o primeiro jogo para entender o que está acontecendo aqui, se você não sabe quem é GAIA, Ted Faro, ou Elisabet Sobeck, melhor nem começar o segundo game, pois você não vai entender absolutamente nada.

Rost

Desde o primeiro momento de Forbidden West, o game não faz questão nenhuma de situar quem não conhece a franquia. Isso não é necessariamente algo ruim, afinal quem vai jogar esse capítulo, provavelmente jogou seu antecessor, mas ele não é lá muito receptivo com quem não jogou. Mas fiquem tranquilos, vamos fazer um resumão do primeiro game no canal do Voxel antes do jogo ser lançado para vocês relembrarem tudo que aconteceu, então fiquem ligados.

Agora vamos para um pouquinho de história básica. A franquia Horizon se passa mil anos no futuro, em um mundo pós-apocalíptico onde criaturas mecanizadas gigantescas vagam em um planeta Terra que há muito tempo está totalmente fora do controle da humanidade. Isso porque os seres humanos que restaram na terra regrediram para um estado meio tribal, como se a nossa raça tivesse rebootado.

Os povos que ali vivem não fazem ideia do que aconteceu realmente no passado e cultuam algumas máquinas como se fossem deuses. O jogador encarna o Boneco Chucky… ok mentira, encarna a pequena exilada Aloy que vai crescer, se tornar uma exímia exterminadora de máquinas e descobrir que tem uma importância vital para a salvação da humanidade nesse novo mundo.

aloy

Após um trágico acontecimento em um ritual da sua tribo, Aloy parte para explorar o mundo e entender melhor o seu destino. Em sua jornada a garota descobre a existência de um projeto chamado Zero Dawn, que criou uma forma ultra-avançada de inteligência artificial denominada GAIA que iria coordenar subfunções para arrumar o planeta Terra após os eventos que levaram a humanidade a quase extinção.

Mas algo no meio do caminho deu ruim e as máquinas criadas pelas subfunções acabaram se voltando contra a humanidade e o planeta em si, após um código malicioso invadir GAIA e tornar as subfunções independentes. Aqui temos o plot principal da franquia explicado bem resumidamente.

Um passo adiante

Sendo bem direto, Forbidden West evolui quase tudo que Zero Dawn trouxe. Ele não vai reinventar a roda dos jogos de mundo aberto, mas tudo que existia no primeiro jogo foi melhorado, o sistema de armas, armaduras, inimigos, combate, exploração, narrativa, todo o trabalho da Guerrilla Games foi melhorado.

Começando com a parte gráfica. É bom pontuar aqui, jogamos o game na versão de PlayStation 5, por isso vou falar dos gráficos dessa versão. Dito isso, graficamente Forbidden West é lindíssimo, o jogo de luzes, a movimentação da vegetação, os detalhes nos rostos dos personagens são de cair o queixo. O primeiro jogo no Play 4 já era bonito para a época, mas com a evolução do console veio também a evolução gráfica.

deserto

O modo foto vai cantar para os apreciadores de boas imagens com certeza, eu mesmo passei um bom tempo brincando nele. Não é tão robusto quanto o do Spider-man, mas mesmo assim é bem legal.

O visual se enriquece com o ciclo de noite e dia do game. Todo o jogo de luz e sombra acompanha a movimentação do Sol e da Lua, mudando bastante a paisagem. A paisagem inclusive que tem uma variedade muito maior do que no primeiro jogo, onde até tínhamos alguns ambientes diferentes, como a tundra nevada, o deserto de Meridiana e algumas selvas e florestas, mas em Forbidden West os ecossistemas aumentaram exponencialmente, o que dá ao jogador mais vontade de explorar.

noite

Essa questão de luz e sombra, às vezes, dá espaço para alguns errinhos, já que em um momento, a cena ficou tão escura que não dava pra ver quase nada. Mas isso só aconteceu uma vez.

É legal ver também o cuidado que os desenvolvedores tiveram com as interações de Aloy com o cenários, reclamando do calor quando o sol está forte e tremendo de frio quando está em um ambiente mais gelado. Isso é novidade no mundo dos games? Obviamente que não, mas é bem legal ver quando os responsáveis pelas produções prestam atenção nessas pequenas coisas.

O clima dinâmico também contribui bastante para esse visual e ambientação ricos. A protagonista vai passar por tempestades de areia, chuvas pesadas, neve, ventanias e outros fenômenos meteorológicos que podem influenciar até no percurso das flechas.

Entre os problemas visuais, ficaram só a chuva (que não é horrorosa) mas que poderia ser melhor e na expressão no rosto de Aloy quando paramos para dialogar com NPCs, ou vice-versa. Em alguns momentos os NPCs parecem nem olhar para a protagonista enquanto passa uma informação. A gente pode até citar também as ondas da costa que não parecem lá muito naturais, mas o resto da imagem compensa.

costa

Outra coisa estranha visualmente é a mecânica dos cabelos da nossa heroína, que ainda se comporta de um jeito meio estranho. Na real parece até que o cabelo está vivo, igual no jogo passado, não passando a ideia de ser muito natural.

Mecânicas

Forbidden West conta com tudo que seu predecessor tinha, inclusive algumas atividades como os campos de caça, revelar o mapa usando os “Pescoções”, salvar usando as fogueiras e etc.

Além de outras novas, como a corrida de máquinas, a arena, culinária e até um joguinho de tabuleiro chamado “Ataque das Máquinas”. Todo esse novo conteúdo enriqueceu muito o game. Uma das críticas que existiam em Zero Dawn era que o game não tinha nada além de colecionáveis para fazer além da história.

ataque

Forbidden West aumenta muito o conteúdo geral, tem centenas de missões extras, tarefas e atividades. As missões secundárias realmente tem importância no contexto geral do jogo, se o jogador quer entender melhor as relações entre tribos, costumes e todo o ambiente que o cerca será preciso explorar locais do mapa que a campanha principal não chega nem perto, isso oferece um conteúdo extremamente rico para explorar mais aquele mundo, algo que no primeiro jogo pode ter faltado.

Mudanças nas armas e trajes

Uma das maiores estranhezas que o game vai causar no novo modo de tratar armas e armaduras. Quem jogou o primeiro jogo está acostumado com as bobinas, uns atributos extras que podíamos colocar nos equipamentos que nos garantiam alguns bônus. Agora, para liberar os espaços para as bobinas, será necessário passar seu equipamento de nível, e para fazer isso precisamos de materiais específicos.

Dependendo da raridade da sua arma (mostrada pelo sistema de cores, branco, verde, azul, roxo e amarelo sucessivamente), maior é o nível que seu equipamento pode alcançar e, é claro, que quanto maior é o nível mais raros serão os itens necessários para passá-lo de nível. Ou seja, quer deixar Aloy realmente poderosa? Vai ter que explorar muito o Oeste Proibido para encontrar as partes necessárias para passar cada item de nível.

armas

Um sistema de habilidades bem mais complexo

Falando na nossa protagonista, temos toda uma nova forma de melhorar as habilidades de moça dos cabelos de fogo. Para enfrentar as enormes máquinas desse novo território, Aloy ganhou um leque de habilidades que contam até com ataques especiais que podem desde arrebentar com inimigos com uma poderosa onda de choque, até dar um boost no dano do do arco ou de suas armadilhas.

A escolha desse especial vai depender totalmente da situação ou do estilo do jogador. Só para explicar melhor, existem seis árvores de habilidades no game: guerreira, emboscada, caçadora, sobrevivente, sabotadora e maquinista. Cada uma delas contêm habilidades ativas e passivas que ajudam Aloy a enfrentar as ameaças.

Entre as habilidades ativas, a heroína pode liberar novos combos corpo-a-corpo, liberar ataques alternativos com diversas armas e até mesmo uma melhoria no sistema de conversão de máquinas. Enquanto isso, as passivas podem diminuir dano sofrido, melhorar a porcentagem de cura ao utilizar medicamentos ou até aumentar a velocidade de movimento.

habilidades

Além dessas habilidades passivas e ativas, cada árvore também conta com dois desses especiais citados anteriormente, totalizando assim 12 habilidades especiais que podem ser aprendidas e utilizadas pela protagonista durante o game. Contudo, apenas uma pode ser equipada por vez.

Todo esse novo sistema dá ao game uma dinâmica muito melhor, oferecendo ao jogador uma personagem que pode ficar muito mais ao seu estilo de jogo e inclusive melhorando uma dos pontos mais fracos de Zero Dawn: o combate corpo a corpo e o stealth.

Não é que agora Horizon se tornou uma referência nesse quesito, longe disso, ainda é um ponto que o jogo não é lá grandes coisas, mas a adição de combos, novas animações de ataque e golpes especiais deu mais profundidade à porradaria franca.

Se falamos de armas corpo-a-corpo, não poderíamos deixar de falar dos destaques do jogo: as armas à distância. Forbidden West traz de volta todos os equipamentos que já conhecemos, como os arcos, armadilheiras, estilingues, lança-corda e etc. Mas, também traz adições bem interessantes, como o lança-dardos e a manopla trituradora.

O primeiro, como o próprio nome já diz, lança dardos poderosos que se fincam nos adversários, e dependendo do tipo de dardo que o jogador estiver usando pode até explodir causando um dano massivo. Enquanto o segundo, lança projéteis como se fossem bumerangues que enquanto passam pelo inimigo vai dilacerando tudo o que vê pela frente, costumam ser muito úteis para despedaçar partes de máquinas.

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Temos armas novas sim, mas as antigas também contam com novidades interessantes, um exemplo rápido que posso dar sem revelar muitas surpresas é a armadilheira, que ganhou uma munição capaz de criar campos de força.

Essas adições também abrem novas possibilidades de combate e me faz lembrar que existe uma outra novidade que o jogador deve prestar atenção nessa nova aventura: as barras de Vigor de arma e de Bravura.

Não pense que só porque temos armas novas e muito mais possibilidades de ataques alternativos que vamos poder sair por aí usando de qualquer forma imprudentemente. Aloy conta com duas barras importantes na hora da porradaria. O vigor de arma, simbolizado por uma barra amarela no canto inferior direito da tela, mede nossos ataques alternativos. Por exemplo, para utilizar os tiros concentrados poderosos dos arcos de precisão é preciso gastar uma certa quantidade dessa barra, que se carrega com o tempo ou então tomando poções especiais que podem ser preparadas com ingredientes encontrados pelo cenário.

Já a barra roxa é o seu medidor do “Impulso de Bravura” que são as habilidades especiais que citei anteriormente. Essa barra tem até três níveis, que podem ser desbloqueados na árvore de habilidades. Ao encher pelo menos o primeiro nível dessa barra, Aloy poderá usar seu Impulso, mas é importante saber: quanto mais cheia estiver essa barra, mais tempo vai durar seu especial ou mais poderoso ele será. Para carregar essa barra é necessário derrotar inimigos.

As maravilhas (ou não) do Oeste Proibido

O Oeste Proibido além de enorme (sério), o mapa do novo jogo é muito maior do que o de Zero Dawn, conta com vários novos inimigos bem diferentes daqueles que estávamos acostumados. Primeiro que os os vigias, aqueles inimigos mais basiquinhos, foram substituídos por uma versão que parece ser mais agressiva que se chama cavador.

Obviamente que vamos encontrar por aqui nossos antigos amigos, Falquinos, Arietes e Borrifantes, mas prepare-se para dar de cara com coisas novas Heliodos, um tipo de máquina Pterodáctilo, Roladores, um tatu gigante chatão e Garravelozes, que mais parecem os velociraptors de Jurassic Park.

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E se você está pensando que o famoso Tirânico vai ser seu maior problema entre as máquinas, pode esquecer, pois aqui existem coisas bem piores e como os Tremodontes, um mamutão que tem arma até enfiada no… pé… o Rastejador, uma serpente sinistra que lança rajadas de ácido na sua cara e os sempre muito simpáticos e nada ameaçadores Carnificinas, que parecem que estão sempre putos da vida. 

Esses são só alguns exemplos de perigos que você vai enfrentar, mas existem várias outras máquinas novas no game que agem de maneiras totalmente diferentes umas das outras, obrigando o jogador a tomar estratégias bem diversificadas para acabar com cada uma delas.

Um novo mundo embaixo d'água

O novo capítulo da franquia também nos oferece a possibilidade de explorar o mundo submarino, existem diversos locais inundados para buscar tesouros e se você tá pensando que vai estar livre das máquinas mergulhando, é bom tomar bastante cuidado, pois inimigos como os cavadores, bocarras e alguns novos podem ser ótimos nadadores.

A exploração submarina, apesar de ser muito legal, não traz nada de muito novidade, não tem uma mecânica nova de destaque ou nada super incrível a se destacar, mas é bom ter a possibilidade de explorar mais deste belo mundo.

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Acessibilidade

Tem sido uma ótima tendência nos últimos anos as opções de acessibilidade. As desenvolvedoras de games parecem cada vez mais preocupadas em oferecer esse tipo de  opções em seus títulos. Horizon Forbidden West não fica devendo e com uma lista bem longa de opções que vão ajudar a tornar o game mais inclusivo para um número maior de jogadores.

Esse tipo de iniciativa é bem interessante também porque muitas dessas opções podem ser usadas por todo tipo de jogador que quer apenas ter uma experiência mais confortável, não necessariamente porque não conseguiria jogar sem ou algo do tipo.

Forbidden West também vem com outra opção que está virando tendência que é a "dificuldade customizada". Além das famosas opções "fácil", "normal", "difícil" e outras que podemos ver por aí, os jogadores poderão escolher opções específicas de dificuldade.

Um exemplo é o "loot fácil", com ele ativado não precisamos arrancar partes específicas da máquina para adquiri-la - Assim que você derrotar o inimigo, todas as partes dele estarão disponíveis para pegar. Apesar de que para alguns isso pode tirar um pouco da intenção e graça do jogo, é importante ter em mente que esse tipo de configuração pode ajudar não somente jogadores que podem ter dificuldades motoras com a mira precisa necessária para arrancar partes específicas das máquinas, mas também aqueles que não estão interessados na parte de grinding de itens do jogo, independentemente do nível de dificuldade do combate.

Vale a pena?

cava

Não tenha dúvidas de uma coisa: se você gostou de Horizon Zero Dawn, é praticamente impossível não gostar de Forbidden West. Tudo que existia no jogo anterior foi aprimorado se tornando bem mais profundo, desde as mecânicas de combate, dublagem e complexidade de inimigos até as interações de Aloy com seus companheiros.

A história está melhor contada e mostra uma evolução narrativa mais envolvente com algumas amarras para alguns furos de roteiro do jogo anterior. As novas tribos apresentadas no jogo são bastante interessantes e faz o jogador querer explorar cada missão secundária para entender melhor o papel delas naquele ambiente.

Descobrir ruínas e encontrar arquivos do passado é um passatempo divertido para entender o que aconteceu naquele mundo e como as coisas chegaram até aquele ponto. Forbidden West está longe de ser um jogo perfeito, tem lá seus probleminhas e bugzinhos, até sofri com um que me obrigou a dar um soft reset no meu Play. A Guerilla Games já está ciente de alguns desses bugs e já nos informou que estarão arrumados no lançamento dia 18 de fevereiro.

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Uma pena é que quem não gostou do primeiro jogo, ao experimentar esse vai ficar completamente perdido, pois como eu falei lá no início da análise, essa é uma sequência direta de todos os acontecimentos de Zero Dawn e da DLC Frozen Wilds. Mas dar uma estudada na história da franquia basta para tentar dar uma chance para essa nova aventura.

Eu levei 44 horas para zerar o game, mas garanto que tem conteúdo para muito, mas muito mais, e posso dizer que os fãs de Aloy tem um prato cheio para se deliciarem com um jogo que está lindíssimo, com uma narrativa mais envolvente e com mecânicas simples mas muito bem evoluídas. Sua nota é 95.

Nota Voxel: 95

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