Xbox: do pior ao melhor, segundo a crítica

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No final dos anos 90, a Microsoft estava decidida a entrar no mundo dos video games. A empresa famosa por seus sistemas operacionais queria mostrar que conseguia confrontar qualquer outra empresa que já estava no mercado a muitos anos.

Depois de anos de desenvolvimento aliados à ótima infraestrutura da companhia de Bill Gates, foi lançado um dos maiores consoles dos anos 2000 e que contou até com o ator e lutador The Rock em seu anúncio. Sejam bem-vindos à mais um episódio do Pior ao Melhor de consoles com o Xbox. Aqui estão nossos critérios, prestem bastante atenção:

  • As notas apresentadas são baseadas no agregador de notas Metacritic.
  • Nós separamos os sete melhores e os sete piores jogos do video game. Em caso de empates, nós usamos a nota dos usuários como desempate.

Vamos começar com os piores.

7. Robocop (2003) — 30

Robocop, lançado em 2003, é baseado na série de filmes do policial robótico que fez sucesso nos anos 90. Ele é um FPS em que o jogador, na pele do tira ciborgue, deve encontrar os responsáveis por uma nova droga que vem fazendo sucesso nas ruas.

O game foi massacrado pelos analistas principalmente por conta de seu som e sua gameplay. Além disso, ainda tiveram reclamações relacionadas à dificuldade, movimentação lenta, péssimo sistema de mira, controles ruins e a quantidade gigantesca de inimigos. Sua nota é 30.

6. Sneakers (2002) — 28

Sneakers, também chamado de Nezmix: Have a mice day!, foi lançado em 2002. Nele, o jogador controla Apollo, um pequeno camundongo que deve acabar com todos os ratos da região para encontrar Tiki, o irmão de seu amigo.

Se tem uma palavra que define Sneakers é “chato”. Simplesmente nada nele é divertido, a jogabilidade é repetitiva, os controles são limitados, há muitos momentos frustrantes e a lista não para. Para poupá-los disso, vamos direto para a nota: 28.

5. Stake: Fortune Fighters (2003) — 26

Stake: Fortune Fighters, lançado em 2003, é um jogo de luta em arena em uma pegada parecida com Super Smash Bros, focado em batalhas para quatro pessoas. Ele tem um total de oito lutadores que podem ser escolhidos pelos jogadores.

Enquanto Smash é extremamente divertido, Stake é chato e cheio de problemas, os visuais são bem feios, o som é simplesmente horroroso e ele ainda tem problemas de câmera, para fechar o pacote. Sua nota é 26.

4. Aquaman: Battle for Atlantis (2003) — 26

Lançado também em 2003, temos Aquaman: Battle for Atlantis, jogo baseado na interpretação de Peter David do herói. Este é um jogo ruim que segue uma versão polêmica do personagem. Na história, o protagonista deve salvar Atlantis de seu arquirrival Black Manta, que voltou após ter sido considerado morto.

Uma das grandes reclamações foi seu preço alto para sua curta duração, mas se fosse só isso, seria tranquilo. Os ambientes são escuros e feios, o combate é extremamente chato e fácil, o som é tenebrosamente malfeito e a jogabilidade chega a ser frustrante de tão ruim. Sua nota é 26.

3. Batman: Dark Tomorrow (2003) — 25

E mais um jogo ruim de super-herói lançado em 2003. Batman: Dark Tomorrow tinha a ideia de ser mais realista e credível que outros games do herói, apresentando elementos do quadrinho Daughter of the Demon, que mostra o relacionamento de Bruce com Talia al Ghul, filha do supervilão Ra's Al Ghul.

A ideia não era ruim, tanto que uma visão mais madura do personagem fez muito sucesso nas mãos da Rocksteady na franquia Arkham. Só que nas mãos da HotGen, que fez a versão de Xbox, foi puro desastre. Os controles são péssimos, ele é lotado de bugs e ainda tem problema na câmera. Aquele combo que ninguém gosta de enfrentar. Sua nota é 25.

2. Pulse Racer (2003) — 24

2003 está com tudo… ou não! Pulse Racer é um jogo de corrida arcade futurista que se passa em 2024, cheio de carros tecnológicos e corredores forçados a competir para não perder a vida.

Direto ao ponto: tudo o que ele apresenta é uma cópia de outros jogos do mercado, só que feito da pior forma possível. Além disso, ele é o clássico caso de “bonito, mas sem conteúdo”, o que rendeu a ele a nota 24.

1. Drake of the 99 Dragons (2003) — 22

Drake of the 99 Dragons lançado em 2003 para o Xbox é uma bomba. Aqui, o jogador controla Drake que está em busca de vingar o assassinato de seu clã, o 99 Dragons, recuperando um artefato do vilão Tang.

Mais fraco que a premissa só o jogo em si. Aqui está uma lista das coisas que os críticos não gostaram: os controles, a gameplay, o sistema de duas armas, a câmera, os gráficos, o trabalho de voz, as animações, o design de som… precisamos dizer mais alguma coisa? Ah sim, a nota: 22.

Agora vamos para os melhores.

7. Tom Clancy's Splinter Cell Pandora Tomorrow (2004) — 93

Em sétimo lugar está Tom Clancy's Splinter Cell: Pandora Tomorrow. O game lançado em 2004, dois anos depois de seu antecessor, se situa no meio de uma guerra entre os militares do recém-independente Timor Leste e as milícias indonésias antisseparatistas. Entre essas milícias, está uma chamada Darah Dan Doa, que Sam Fisher invade para juntar informações de inteligência para o governo americano.

Grande parte do jogo segue os mesmos moldes do primeiro, com algumas melhorias de gráficos e algumas poucas adições, como o fato de que a cura não é mais item de inventário. Ele foi o primeiro da franquia a ter um multiplayer online chamado Spies vs. Mercs em que os jogadores devem se espiar e cumprir objetivos.

O jogo foi muito bem tanto em público quanto em crítica. Para os jornalistas da época, ele era mais coeso que o primeiro jogo, mas que a gameplay frequentemente oferecia um jogo de tentativa e erro. Sua narrativa também ficou mais linear com uma única solução possível para certos níveis, mas gostaram bastante de seu modo multiplayer. E sua nota, no fim de tudo, ficou em 93.

6. Burnout 3: Takedown (2004) — 94

Em sexto lugar, temos um jogo de corrida. Burnout 3: Takedown, lançado em 2004, tem foco em competições arcade com altíssima velocidade e perigo constante que se passam em circuitos fechados e em ambientes urbanos, com o tráfego intenso. Diferentemente de games anteriores, não é necessário encher uma barra para usar o boost, popularmente chamado de nitro, sendo possível acioná-lo logo que a luz verde acende. E, como não poderia faltar, tudo fica em câmera lenta quando um carro destrói o outro, marca registrada da série.

O jogo tem quatro modos, um deles sendo o inédito Road Rage, e um multiplayer online e local, com o split-screen que tanto amamos e idolatramos. Além disso, 67 veículos divididos em diversas classes estão presentes no título e vão sendo desbloqueados conforme o jogador vai evoluindo no modo World Tour.

Burnout 3: Takedown foi descrito na época como o melhor game de corrida já lançado, sendo elogiado pela mecânica de destruir carros, chamada de Takedowns, a expansão do modo Crash e pelos seus visuais lindos. Sua nota é 94.

5. Ninja Gaiden Black (2005) — 94

Quem ficou em quinto lugar foi Ninja Gaiden Black, lançado em 2005. Ele é um prequel dos jogos da franquia lançados para o NES e se passa no mundo da série Dead or Alive, com o jogador controlando Ryu Hayabusa que está em busca de vingança contra os assassinos de Kureha.

O mapa do mundo é dividido em diversos distritos que vão sendo liberados com o passar do tempo conforme o jogador vai resolvendo puzzles e matando inimigos. Por ser um hack and slash, o jogador deve "sentar o dedo" em todo adversário que estiver no caminho usando uma grande variedade de armas são conquistadas conforme o player progride, cada uma com suas vantagens e desvantagens.

O jogo foi muito elogiado pela sua jogabilidade bem focada na ação, sua grande quantidade de conteúdos, seus visuais bonitos, seu áudio muito bem trabalhados e por conter o Ninja Gaiden de arcade escondido dentro desse. Uma das poucas críticas que ele recebeu é que, para os fãs da série, a história é meio "mais do mesmo". Ainda assim, ele impressionou até quem não curtia muito a franquia e ficou com 94 de nota.

4. Tom Clancy's Splinter Cell Chaos Theory (2005) — 94

Lançado em 2005, Tom Clancy's Splinter Cell: Chaos Theory tem um tom muito mais sombrio e sério que os outros da franquia, com mais opções de combate e a possibilidade de interrogar inimigos. Com isso, ele acabou recebendo a classificação M de Mature. Sua história, que se passa em 2007, envolve uma tensão entre China, Japão, Coreia do Norte e do Sul por conta de o Japão formar uma força de defesa relacionada a informações, o que seria uma violação da constituição pós-Segunda Guerra Mundial.

O jogo contém um modo multiplayer cooperativo e um competitivo, sendo que nenhum dos dois influencia ou expande a campanha do jogo. Seu motor gráfico é a Unreal Engine 2.5, o que proporcionou melhorias nos gráficos e adições como um mapa normal, um parallax e luz HDR. Uma curiosidade interessante é que a trilha sonora foi composta pelo produtor de música eletrônica brasileiro Amon Tobin. A Ubisoft gostou tanto do trabalho dele que decidiu lançar um CD com as músicas meses antes do lançamento do jogo.

O jogo chegou às lojas em 21 de março e, no fim do mesmo mês, já tinha vendido 2,5 milhões de cópias. Ele foi descrito pelos analistas como o pico da série, com um equilíbrio quase perfeito entre gameplay e enredo e que esse era o game que o primeiro jogo da série estava buscando ser. Uma melhoria em relação ao jogo anterior é que agora não há uma única forma de resolver as missões, dando maior liberdade para os jogadores criarem suas próprias estratégias. Ah, e por conta da guerra entre as Coreias que o jogo retrata, ele foi banido da Coreia do Sul até 2006. Chaos Theory acabou ficando no segundo lugar da nossa lista com 94 de nota.

3. Star Wars: Knights of the Old Republic (2003) — 94

Em terceiro lugar, fazendo sua estreia neste quadro, temos Star Wars: Knights of the Old Republic, lançado em 2003. Ele é um RPG no qual o jogador pode criar seu próprio personagem, escolher seu alinhamento e traçar seu caminho. A história se passa aproximadamente 4 mil anos antes da formação do Império Galáctico, com o sith Darth Malak enviando uma força malvada contra a República.

O título é um expoente para a franquia espacial por introduzir dezenas de personagens, localizações e até mesmo sabres de luz. As ações do jogador nos principais pontos da trama dão pontos dos dois lados da Força, o que determina seu alinhamento como comentado anteriormente.

O game é considerado um clássico, recebendo dezenas de prêmios de melhor do ano. Ele foi elogiado pela acessibilidade, pelas mecânicas bem trabalhadas, pela história envolvente, pelas novidades trazidas à série e pelo desenvolvimento dos personagens. Sua nota é 94.

Durante um evento da PlayStation em 2021, foi confirmado que Knights of the Old Republic receberá um remake desenvolvido pela Aspyr, que já trabalhou com outros jogos da franquia. Ele ainda não tem data de lançamento definida.

2. Halo 2 (2004) — 95

Em segundo lugar, temos Halo 2, lançado em 2004, que teve a árdua tarefa de continuar e melhorar o que seu antecessor tinha feito e podemos dizer que ele tirou de letra. Inicialmente, não havia sido pensado uma sequência para Combat Evolve, mas com seu enorme sucesso, a Bungie começou a mexer os pauzinhos para criar sua continuação.

Entre as mudanças que foram feitas para o novo título estão a engine, a física, as sombras e até o protagonista. Ok, não é como se não desse para jogar com Master Chief, mas é que o player controla também o alien Arbiter, com as fases do game alternando entre eles e mostrando os dois lados do conflito do jogo, relacionado à megaestrutura em formato de anel chamada Halo, que para uns é a salvação enquanto para outros é a destruição.

Assim como no título anterior, ele tem um modo multiplayer, que agora tem suporte pela Xbox Live. Olhando para a parte sonora do game, o produtor e compositor da trilha sonora fizeram questão de que em nenhum momento o jogo estaria em completo silêncio, já que o som ambiente é um dos principais meios de deixar as pessoas imersas psicologicamente.

O marketing de Halo 2 contou com uma estratégia inusitada: um ARG, ou jogo de realidade alternada, chamado Eu Amo Abelhas. Nele, os jogadores deveriam resolver enigmas que misturavam o mundo real e o virtual. Isso acabou virando algo recorrente nas campanhas de divulgação de títulos da franquia.

E, como é possível imaginar, a crítica amou Halo 2. Os jornalistas da época elogiaram o multiplayer, o áudio, a gameplay menos repetitiva que seu anterior, mas o cliffhanger abrupto no final da campanha não agradou muito. Ele ficou com 95 de nota.

1. Halo: Combat Evolved (2001) — 97

Lançado no final de 2001, Halo: Combat Evolve foi o jogo que começou a trajetória de Master Chief e Cortana no mundo dos video games. Desenvolvido para o primeiro Xbox pela Bungie, ele foi descrito por críticos da época como o mais importante título já lançado para os consoles. No entanto, sua história não começou com a Microsoft.

Na metade de 1999 o jogo foi mostrado ao mundo pela primeira vez por Steve Jobs na Macworld Conference & Expo, só que a Bungie passou por diversos problemas financeiros, o que resultou na sua compra pela empresa do Bill Gates na metade de 2000. O desenvolvimento do game foi bem conturbado. Inicialmente ele era em terceira pessoa, mudou para primeira, diversas ideias tiveram que ser cortadas por conta do prazo, o modo multiplayer teve que ser refeito quatro meses antes do lançamento e outras coisas que com certeza deixaram muita gente que trabalhava na empresa de cabelo em pé.

Mas como já foi comentado, tudo valeu a pena. O jogo de tiro futurista aqueceu o coração dos críticos e criou uma legião de fãs ao redor dos Estados Unidos. A mídia chamou ele de imperdível, o melhor shooter já feito, 5 estrelas e mais um monte de coisa que coloca ele como um dos melhores da franquia. Sua nota é 97.

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