House of Ashes é uma queda brusca em um abismo repleto de horrores

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Imagem: Supermassive Games
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Desde a primeira vez que joguei Heavy Rain, comecei a me interessar por jogos no drama interativo, principalmente os de terror, por passarem aquela sensação de ser um personagem dentro do filme, e não apenas um espectador gritando com a tela cada vez que alguém decide se separar do grupo, ou desbravar algum cômodo escuro que provavelmente irá resultar em uma morte trágica.

Então, quando a Supermassive Games passou a lançar Dark Pictures Anthology, meu interesse só aumentou, tendo curtido muito o navio fantasma de Man of Medan, e as bruxas de Little Hope. E em 22 de outubro, fomos apresentados a House of Ashes, o terceiro capítulo dessa antologia aterrorizante.

Mas será que esta história com toques de mitologia suméria conseguiu se equiparar, ou até mesmo superar seus antecessores? Bom, confiram a análise para descobrir.

Previsão de chuva de balas com chances de quedas bruscas em templos antigos

Em uma viagem de volta a 2003, durante a Guerra do Iraque, assumimos o controle de um grupo de americanos compostos pela agente da CIA Rachel King; seu marido e um tenente-coronel da Força Aérea dos USA, Eric; o primeiro-tenente dos fuzileiros navais Jason Kolchek; e o sargento Nick Kay; que partem em uma missão para encontrar o suposto arsenal de armas químicas de Saddam Hussen.

Fonte:  Stella/Voxel 

Porém, a operação não sai como esperado e o clima esquenta quando o exército iraquiano aparece no local, incluindo Salim Othman, o último personagem jogável.

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Como se um combate acalorado entre duas forças militares já não fosse ruim o bastante, tudo piora quando o chão da área sede, lançando ambas para as profundezas de um antigo templo criado em homenagem a deuses e demônios sumérios, como Pazuzu, que está repleto de horrores que nenhum deles estava preparado para enfrentar.

Fonte:  Stella/Voxel 

A história tem bons toques de Indiana Jones, com os indivíduos precisando desbravar e entender melhor o local no qual foram parar através de relíquias e anotações que desafortunados arqueólogos deixaram para trás, mas não deixa de lembrar um pouco de Aliens: O Resgate, pois os soldados precisam lutar para sobreviver contra horrendas criaturas aladas que não parecem ligar muito para verdadeiras chuvas de balas.

Fonte:  Stella/Voxel 

O "gore rola solto", e alguns cenários são realmente desconfortantes, fazendo com que o jogador queira sair dali o mais rápido possível. A guerra acaba servindo apenas como um plano de fundo, e mesmo com a tensão constante dos diversos ataques dos monstros, ainda sobra espaço para lidar com um triângulo amoroso e novas amizades se formando ao longo da aventura, afinal “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

Fonte:  Stella/Voxel 

Contudo, House of Ashes prova diversas vezes que não é composto só de bons relacionamentos. Em vários momentos da jogatina dá para escolher agir de forma traiçoeira, abandonando seus parceiros para a morte em troca de tentar sobreviver mais um pouco neste lugar amaldiçoado.

Fonte:  Stella/Voxel 

Armas em punho e reflexos afiados

Assim como em seus antecessores, o terceiro capítulo desta antologia permite escolher entre jogar sozinho, com amigos presencialmente, ou até com outras pessoas online. Eu acho esse diferencial da franquia extremamente divertido, porque não tem nada melhor do que poder dividir o nervoso e a tensão entre mais pessoas.

Fonte:  Stella/Voxel 

E desde Little Hope, a Supermassive Games implantou avisos mais precisos de Quick Time Reactions (QTR), que servem para auxiliar os jogadores a se prepararem para o momento de utilizar comandos críticos para o avanço do jogo. Porém, mesmo com os QTRs, é preciso prestar muita atenção, porque cada reação pode ser completamente essencial para a sobrevivência de alguém.

Fonte:  Stella/Voxel 

Em um determinado momento, eu errei um tiro, o que acarretou um ferimento em meu aliado, impedindo que ele atirasse para fornecer cobertura para que outra pessoa escapasse. Isso causou um problemão danado, e eu acabei voltando a cena para ver se o acerto faria alguma diferença, e realmente compensou! Atirar na hora certa garantiu que o outro fuzileiro pudesse afastar o inimigo por tempo suficiente para que o outro indivíduo pudesse buscar cobertura e ficar a salvo.

Fonte:  Stella/Voxel 

Mesmo ficando extremamente atenta para não perder os momentos certos, em algumas partes é preciso esmagar botões ou acertar um inimigo em um piscar de olhos. Tudo isso cria um estado de nervosismo que aumenta o terror da aventura, porque nunca se sabe quando uma falha pode acabar matando um ou mais dos protagonistas, e podem acreditar, o que não falta em House of Ashes são chances para eles perecerem.

Fonte:  Stella/Voxel 

E lembram das traições? Bom, em algumas situações é preciso realmente parar e pensar se realizar uma ação realmente vale a pena, pois o ato pode acabar em tragédia. Às vezes, o melhor é ignorar o instinto de agir.

Fonte:  Stella/Voxel 

Um detalhe muito legal é que suas escolhas de diálogos realmente impactam as características iniciais de cada um. Na minha jogatina, eu vi o famoso fuzileiro durão e intolerante se tornar um cara mais aberto e gentil, pronto a arriscar sua vida por um estranho que antes estava determinado a combater.

Fonte:  Stella/Voxel 

É claro que sempre dá para escolher caminhos que levam ao caos e a destruição, e isso é o divertido dessas aventuras interativas, os personagens vão se tornando aquilo que você gostaria que eles fossem e podem caminhar para vários finais diferentes.

Todos temos nossos demônios

Nada nessa vida é composto apenas de pontos positivos, e House of Ashes também não deixa de ter suas falhas. Em certas partes, os ângulos das câmeras podem ficar bem estranhos e acabam atrapalhando a visibilidade.

Fonte:  Stella/Voxel 

E os capítulos são muito longos, então se decidir voltar para refazer a situação que deu errado, pode se preparar para um período muito maçante e repleto de cenas longas já vistas, o que leva a considerar se realmente é uma boa passar por isso de novo, principalmente em momentos cheios de QTRs surpresas que podem acabar com os protagonistas que você tanto lutou para salvar.

Vale a pena?

Mesmo com os probleminhas e cenas longas, com certeza é uma boa ideia dar uma chance para esse game. O enredo é muito bem-feito, apresentando detalhes ao longo do gameplay na forma de arquivos, tabuletas e narrações que vão completando aos poucos o quebra-cabeça dos horrores que ocorreram no templo.

Fonte:  Stella/Voxel 

Além disso, os personagens apresentam personalidades interessantes, que vão fazendo com que você não passe só a se afeiçoar por eles, mas também faça de tudo para eles poderem sair deste lugar infernal. E sendo um título relativamente curto, é uma ótima opção para aproveitar um ou dois dias aterrorizantes, sozinho ou acompanhado.

House of Ashes foi gentilmente cedido pela Bandai Nanco para a realização desta análise.