Death Stranding Director's Cut aprimora um dos grandes da geração

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Imagem: Kojima Productions
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Quando a Kojima Productions trouxe Death Stranding ao mundo em novembro de 2019, a reação do público foi um tanto polarizada, como não poderia deixar de ser. O projeto do diretor Hideo Kojima era diferente de tudo o que já tínhamos visto nos video games até então, com uma premissa de gameplay naturalmente divisiva.

Longe da proposta mais palatável de Metal Gear Solid, em que qualquer fã de ação e stealth pode se divertir, Death Stranding girava ao redor de planejar rotas, transportar cargas, enfrentar terrenos e passar muito, muito tempo andando e ficando imerso no ambiente, na trama e na atmosfera. Como foi bem pontuado no review do jogo original, é algo brilhante, mas certamente não é para todo mundo.

Com a chegada do PlayStation 5, quem deixou esse lançamento passar batido na época tem agora uma chance de tirar o atraso, assim como os fãs das antigas podem matar a saudade e curtir as várias novidades e os retoques presentes em Death Stranding Director's Cut.

A melhor forma de (re)apreciar esse jogão

Como a gente já fez uma análise bem caprichada do jogo original, vamos partir do pressuposto de que você já leu o review, até porque a experiência dele é essencialmente a mesma da versão Director's Cut, que se limita a trazer algumas melhorias pontuais nos mais diversos aspectos do game.

Em uma breve recapitulação e em linhas gerais, esse é um dos melhores lançamentos da geração passada e uma das obras mais pertinentes do Kojima, que conseguiu tratar muito bem vários temas que entraram no debate público atual, como a necessidade de se reconectar com as pessoas e de valorizar os trabalhadores que dão duro em subempregos para sustentar o modo de vida das elites.

Se você quiser experimentar essa história pela primeira vez em 2021 ou além, sem dúvida deve começar pela nova edição, pois ela conta a maior e melhor versão da jornada do herói Sam Porter Bridges para reconectar a América sem tirar qualquer ponto do que fazia o jogo anterior ser incrível e adicionando o suficiente para tornar a saga ainda mais agradável de jogar.

Mas o que exatamente tem de novo por aqui? Partindo dos elementos mais óbvios que logo saltam aos olhos, na nova geração é possível escolher entre dois modos: performance com 4K escalonado e 60 FPS ou modo fidelidade em 4K nativo com suporte a HDR. O que já era muito bonito há 2 anos agora está embasbacante.

Você pode conferir na primeira hora de gameplay como o visual ficou legal:

Tanto os modelos dos personagens como as texturas e os detalhes dos cenários foram bem aprimorados, então cada frame de Death Stranding Director's Cut acaba parecendo um wallpaper prontinho para você capturar e usar como plano de fundo.

Para ajudar ainda mais na imersão, o controle DualSense conta com suporte a feedback háptico, fazendo sentir os diferentes terrenos conforme se explora o mapa, além de gatilhos adaptáveis com sensibilidade dependendo da situação. Vale a pena jogar com um bom headphone também, já que o título recebeu suporte a áudio 3D em periféricos compatíveis.

Fora as melhorias sensoriais e estéticas, os tutoriais foram aprimorados e estão mais detalhados, amigáveis e embasados por detalhes pertinentes. Logo cedo, dicas pipocam no mapa ensinando como estudar os terrenos e apontando diferentes rotas possíveis com prós e contras para cumprir uma missão, o que, de memória, não era feito no Death Stranding original.

Para novos jogadores, agora é mais fácil entender como funciona o mapa graças ao tutorial melhoradoPara novos jogadores, agora é mais fácil entender como funciona o mapa, graças ao tutorial melhorado.Fonte:  Reprodução / Thomas Schulze 

Fora isso, as primeiras 5 ou 6 horas do jogo são virtualmente idênticas à experiência original; as coisas só começam a mudar para valer depois do longo e orgânico tutorial sobre como viajar, construir coisas e engajar em combate, tendo acesso a missões mais elaboradas.

Mais armas, mais recursos e ainda mais diversão

Para a nova aventura, Sam ganhou um pouco mais de poder de fogo graças à adição da inédita Maser Gun, com a qual é possível atordoar as Mulas usando choques elétricos. E ela é útil ao longo do game inteiro, já que é destrancada relativamente cedo, ao abrir o pedido 9 no West Distribution Center. Uma nova área de treinamento de tiro também foi adicionada, com certa carinha de VR Missions.

Para chegar lá, é preciso aceitar o pedido 14, o que vai fazer o Die-Hardman entregar granadas e liberar os campos de treino a partir de qualquer terminal de entrega, dando mais uma função a essas estações. Também há novas construções para ajudar ainda mais no gameplay, como a possibilidade de construir uma catapulta de cargas. A partir do episódio 5, ganha-se o poder de atirar as entregas até áreas mais distantes, o que permite viajar mais leve até lá.

Completando o pedido 83, Sam ganha acesso a um novo companheiro, o Buddy Bot, que consegue não apenas carregar cargas, mas também levar o próprio protagonista nas costas. Se quiser, dá até para abrir o mapa e dar ordens de rotas para o robozinho amigo. No episódio 3 da campanha, o teletransporte da Fragile também foi aprimorado, e não é mais preciso acessar as locações através de uma lista, e sim navegando pelo mapa, o que é muito mais útil e intuitivo.

No vídeo acima é possível ver como as mecânicas básicas de construção e exploração permanecem virtualmente inalteradas. O que é novo mesmo (e é uma novidade tão inusitada quanto divertida) é a adição de pistas de corrida. Enquanto o tão aguardado meme do Bloodborne Kart não vira realidade, já é possível se esbaldar no "Death Stranding Kart" a partir do episódio 3 da campanha.

Ele é liberado no pedido 35, quando um protótipo é entregue no South Distribution Center. Depois disso, é possível montar a própria pista de corrida na Timefall Farm, e foi especialmente engraçado e divertido ver o quão bem os controles funcionam. Para quem já fez de tudo no jogo original, é quase um game à parte e digno de ocupar dezenas de horas do seu tempo.

Até porque as funcionalidades online foram expandidas com placares de liderança e suporte a jogo com amigos, mas infelizmente não deu para testar muito disso antes do lançamento, já que o servidor estava vazio e com acesso limitado durante os testes. Quem sabe não mergulhamos nisso em uma futura live de gameplay por aqui?

De todo modo, a exploração no mundo normal também ficou mais radical, agora que Sam pode construir não só as antigas pontes, mas também rampas. Ou seja, dá para saltar de um lado para o outro de um abismo em grande estilo, fazendo até umas manobras no ar para tirar onda.

Burocracias ingratas

Para quem curte customizar as coisas, novas funções foram adicionadas para até mesmo dar uma mudada na cara do pod do BB. No quarto, dá para alterar o esquema de cores da maquininha e deixar o visual todo mais estiloso no processo. Também dá para fazer mudanças no visual e nas funções da mochila, alterando a aparência e adicionando funções inéditas, como uma unidade de maior movimentação para descer de lugares altos numa boa.

Além dos gráficos aprimorados, explorar o mapa fica ainda mais legal com a maior possibilidade de customizaçãoAlém dos gráficos aprimorados, explorar o mapa fica ainda mais legal com a maior possibilidade de customização.Fonte:  Reprodução / Thomas Schulze 

Mas como nem tudo são flores, precisamos apontar que a Sony continua tropeçando tanto na forma de vender os jogos, já que é preciso pagar para curtir os aprimoramentos de performance da nova geração, quanto quando o assunto é transferir o save entre consoles. Talvez inspirado no BB, o processo aqui é "um parto", já que é preciso ter o patch mais recente instalado na versão de PS4 e então carregar o game por lá.

Uma vez dentro do game, é necessário acessar os recursos da algema, ir até a aba de sistema e clicar na opção "Exportar dados de salvamento". Só depois de confirmar as informações os dados são finalmente enviados para a nuvem, e aí Death Stranding Director's Cut pode ser aberto no PS5 ao clicar na opção de carregar um save do PS4 no menu inicial.

Mesmo tendo zerado o jogo original, não conseguimos pegar os dados, já que só tínhamos o disco físico do game original e um PlayStation 5 digital. Considerando o bom trabalho que Ghost of Tsushima Director's Cut fez facilitando o acesso quase instantâneo aos saves do PS4, bastando tê-los na memória do novo console, é um retrocesso e tanto.

Vale a pena jogar?

Como você deve ter notado, Death Stranding Director's Cut não é, de forma alguma, uma experiência totalmente nova. Por mais que introduza algumas missões e mecânicas inéditas, o conteúdo está mais próximo de uma pequena expansão do que de um relançamento de luxo como foi, por exemplo, Metal Gears Solid The Twin Snakes.

Se você estava com saudades de Death Stranding, comprou uma televisão 4K e quer revisitá-lo com gráficos ainda melhores ou quem sabe disputar uns rachas curtindo o novo modo de corridas, pode valer a pena pagar pelo upgrade. Novatos também podem encontrar a melhor forma de jogar essa grande obra. Mas se você platinou a aventura original e fez tudo o que dava para fazer no endgame, fica difícil recomendar a compra dessa versão aprimorada, a não ser que Death Stranding seja um dos jogos da sua vida.

Nota Voxel: 85

"Death Stranding Director's Cut é a melhor forma de (re)visitar um dos melhores games do Kojima."

Pontos positivos

  • Gráficos lindos com suporte a resolução 4K
  • Feedback háptico e áudio 3D tornam tudo mais imersivo
  • Apesar de polarizante por natureza, a gameplay segue incrível
  • Tutoriais e mecânicas mais amigáveis
  • Ainda é uma das narrativas mais poderosas e atuais dos video games
  • Corridas e novas missões foram adições divertidas

Pontos negativos

  • Dificuldades para importar o save do PS4 para o PS5
  • Preço muito elevado para o que oferece de novo
  • Gameplay bem ao estilo "ame ou odeie"
Imagem: Jogo Death Stranding - versão do diretor, PlayStation 5
Imagem: Tecmundo Recomenda

Jogo Death Stranding - versão do diretor, PlayStation 5

Remasterizado para o PlayStation 5, em Death Stranding Director's Cut viva uma nova experiência no papel de Sam Bridges, que tem como missão dar esperança à humanidade.