Ashwalkers traz um grande conflito entre narrativa e gerenciamento

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A vida de 200 mil pessoas está em jogo. O terceiro esquadrão resolve se aventurar em um cenário desconhecido, cheio de desafios e sem notícia dos demais aventureiros que tentaram arriscar suas vidas para salvar a humanidade.

Citadel, um lugar tranquilo, mas que se transformou no último desejo dos habitantes da região. A única solução é achar um local próspero para continuar a viver. Petra é uma líder nata. Sing, um exímio lutador e Nadir, um grande explorador. Kali é uma pessoa esperta, que tem sempre uma solução para tudo. O esquadrão estava completo.

Há duas semanas eles deixaram seu passado para tentar salvar a população, em busca do Dome dos Domes. A tarefa não seria simples, pois você sabe que passará fome, frio, e encontrará desafios intensos pela frente.

Que comece a aventura

Ashwalkers pode ser considerado um RPG de mesa, com um pano de fundo pós-apocalíptico e inóspito. O jogo foi desenvolvido pelo Nameless XIII, estúdio chefiado por um dos criadores de Life is Strange, Herve Bonin. Quem jogou este clássico sabe que o forte está na narrativa. Ashwalkers não foge desta premissa.

Por mais que os ingredientes de gerenciamento estejam presentes no game, o enredo é o ponto forte, mas será que os produtores tiveram êxito nele? Durante a aventura que leva cerca de 3 horas e meia, você percebe um roteiro bem feito, mas nada fora do normal, sem um plot twist convincente e que te ajuda a elaborar melhor dos arquétipos criados na aventura.

Mesmo com a produtora enfatizando a possibilidade de 34 desfechos distintos, suas escolhas não parecem determinar o futuro do esquadrão, ou pelo menos o tempo no desenrolar da história não deixa isto muito claro. Quando você imagina que as coisas vão esquentar, o jogo termina.

Mesmo jogando 3 finais diferentes, não foi possível se vangloriar das decisões tomadas pelo seu líder. E aqui é que entram dois temas conflitantes no jogo: tempo e gerenciamento.

Ashwalkers permite conduzir um grupo de pessoas em busca de um novo refúgio. Para isto, será necessário cuidar da vida da sua tropa. Ela poderá ser feita de duas maneiras. A primeira delas diz respeito à coleta de itens, como alimento, medicamento e madeira.

A segunda, se refere à maneira como eles serão utilizados ao longo da aventura. Isto só é possível no momento em que o acampamento é feito. Você utiliza o alimento quando está com fome. O medicamento, quando quer recuperar energia. Já, a madeira, para te esquentar, pois você pode morrer de frio.

Quando dissemos que este é um dos temas conflitantes no jogo, queremos dizer que o jogo circula entre a sua narrativa e o gerenciamento dos itens. Só que por serem simples, eles acabam tornando-se repetitivos em pouco mais de 1 hora de jogo. É sempre a mesma conta. Você anda um pouco, coleta itens e arma seu acampamento.

Junte a este problema o tempo. Imagine passar 8, 10 horas fazendo todo este trabalho? Nem mesmo o criador do jogo aguentaria. Por isso a aventura é curta e, no final das contas, a história não consegue ser desenvolvida da melhor forma possível.

Vale destacar também que as ações de jogo são sempre por meio de narrativas e elas são curtas e grossas. Dificilmente o desenrolar de uma história fará com que você se prenda ao roteiro.

Dentro do acampamento existem algumas tarefas que poderão ser feitas, como a exploração de recursos, conversar com um parceiro ou então descansar. Todas elas impactam diretamente no rendimento do seu esquadrão, então é bom ficar de olho nesta parte.

A arte de Ashwalkers utiliza o famoso tom sobre tom, amplamente mostrado em games nestes últimos anos. Isso não impede o jogo de ser bonito, utilizando muitas vezes a mudança de clima como um fator surpreendente.

O gameplay é leve, muito bem otimizado e, independentemente das cores fortes, é possível se guiar no mapa sem problemas. Apesar disso, o cenário é pouco explorável, fazendo com que você se preocupe muito mais com a integridade dos seu esquadrão do que com a procura de itens.

A trilha sonora também tem destaque. Ela não é depressiva, mas futurística, trazendo uma grandiosidade e imersão na medida certa ao jogador. O ambiente também é muito bem retratado no jogo, seja com músicas ou com seus objetos.

A desenvolvedora optou por generalizar todos os demais personagens no jogo, dando um Q de almas escuras. Tanto os selvagens, quanto os animais possuem a mesma roupagem. Creio que poderia ter ocorrido um trato melhor neste quesito, dando uma abordagem mais imersiva ao título.

Vale a pena?

Ashwalers é um jogo que pode te proporcionar de 3 a 90 horas de jogatina. Tudo dependerá do que você achou da sua primeira aventura. Confesso que não consegui jogar mais do que 10 horas, devido ao desafio pouco intenso e as mecânicas repetitivas.

O game não é um grande marco na indústria eletrônica, mas possui um preço bem convidativo, na Steam. Talvez possa preencher um tempo que você tenha de sobra para curtir uma história

Nota: 72

Pontos positivos

  • Gráficos bonitos
  • 34 finais diferentes

Pontos negativos

  • Mecânicas repetitivas
  • Pouco desafiador

Uma hora você terá que escolher pela vida, ou pela morte.

Ashwalkers traz um grande conflito entre narrativa e gerenciamento