MotoGP 21 mostra evolução em gráficos, mas peca na simulação

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O primeiro jogo de motociclismo que eu me diverti foi GP Rider, game que vinha na memória do Master System. Desde então, minha leitura para corrida começou a ficar mais aguçada e sempre procurei pelos simuladores. Seja com veículos ou motos.

É notório o trabalho feito ano após ano com a série MotoGP, pela italiana Milestone, que lançou o primeiro game da série em 2007. Desde então, um serviço bem intenso vem sendo feito no quesito simulação. Tive a oportunidade de testar o recém-lançado MotoGP 21 e vou contar para vocês o que achei do jogo.

Investimento na medida certa

Fica claro que a cada ano que passa, os italianos estão investindo pesado no game. Mesmo com o pouco que pode ser feito entre lançamentos anuais, é muito bom ver o cuidado que a desenvolvedora tem com o título.

Isto fica mais evidente quando percebemos os gráficos, cada vez mais robustos e bem trabalhados. Este sempre foi um dos calcanhares de Aquiles da desenvolvedora. Porém, é possível perceber como o jogo melhora a cada ano, neste sentido.

Os gráficos das pistas são lindos, deixando até em dúvida se não são reais. Detalhes ganharam mais espaço, como o cascalho fora da pista e até mesmo as explosões que ocorrem no escapamento. Os rostos dos pilotos apresentam cada vez mais detalhes.

Vale destacar o momento em que você perde o controle da moto. Ao cair, a câmera interna do piloto ganha vida, dando uma imersão absurda à corrida. Se já não bastasse, você assume o controle do piloto em terceira pessoa para continuar a prova.

Os esforços para trazer o jogo totalmente em português são louváveis. Temos empresas gigantes no mercado que não estão nem aí para esta história. Sem contar o fato de termos a voz marcante de Hamilton Rodrigues, que também narra a competição no Fox Sports para o Brasil.

Para este ano, um novo pacote gráfico para os menus foi apresentado e eu gostei bastante do que vi. A tela ganhou vida, com muitas cores e usabilidade mais simples.

Muita diversão

MotoGP 21 traz diversas formas de se aventurar nas pistas do mundo. A principal delas é o modo carreira, muito completo. Você começa escolhendo um agente para direcionar sua carreira e engenheiros de pista para ajudar no seu desempenho nas voltas velozes.

Vale destacar também que você pode começar sua aventura em 3 categorias: MOTO3, MOTO2 e MOTOGP. Para quem é novato, recomendo iniciar nas categorias menores, pois as motos variam muito de uma modalidade para outra, algo que vamos debater mais a frente.

Segue como destaque o desenvolvimento da sua moto, fazendo com que corrida após corrida você possa incrementá-la e melhorá-la. Ainda segue o desafio da empresa em encontrar um melhor balanceamento entre os compostos utilizados.

O título ainda traz modos rápidos de jogo, como correr um fim de semana no circuito de maior interesse, modo multiplayer e tempo cronometrado, para sempre testar sua velocidade.

Agora, temos que destacar o trabalho feito para os novatos. Digo isto, pois não pense que se você está acostumado a dirigir veículos nas pistas virtuais terá a mesma facilidade com as motos. Elas são bem diferentes.

A Milestone caprichou no tutorial, que chega a ser bem detalhado, dando a possibilidade de controlar melhor a moto, apresenta dicas para acertar a melhor trajetória e a melhor forma de ultrapassar o adversário.

Aqui a coisa pega

Como disse no início da nossa conversa, sempre existe uma grande discussão entre jogos de corrida: alguns deles são focados no modo arcade, outros na simulação. MotoGP 21 não é uma coisa, nem outra.

Digo isto pois existe um menu de opções que pode tornar o jogo mais fácil, com o controle dos freios dianteiros e traseiros entre outras customizações. Mas ressalto que o apresentado não impacta, pois o grande problema da série continua sendo a física implementada.

Não adianta você colocar diversas opções para o jogador se a física não corresponde com o que encontramos na proposta. As motos deslizam muito na pista e a sensação de velocidade é tenebrosa

Imagine que você precisa fazer uma curva a 80 quilômetros por hora. Até aí, tudo normal, porém, o jogo não te passa essa sensação, o que dificulta uma leitura dos movimentos mais precisos e ideais. É praticamente impossível jogar sem o guia de curvas e velocidade que aparece na tela.

Junte a isso os controles que são pouco responsivos. Em certos momentos, a impressão que temos é que você comanda um navio cargueiro. Você teima em virar para a direita ou para esquerda, mas a moto mexe lentamente. Por mais que seus engenheiros façam alterações nas configurações da moto, a situação não melhora.

O controle dos freios são terríveis. Caso tenha um joystick antigo, prepare-se para passar dor de cabeça na hora de fazer uma curva. Em diversas oportunidades a sua moto vai empinar com a roda traseira, principalmente na categoria MOTOGP, onde as cilindradas são mais pesadas.

Curiosamente, a física foi modificada na última versão do jogo e ela continua da mesma forma em MotoGP 21. Era gostoso correr no MotoGP 19. Não existia todos estes problemas na física e a imersão era outra.

Vale a pena?

MotoGP 21 dividirá opiniões. Para mim, infelizmente ele não agradou, principalmente pela física. Segue o mesmo que foi implementado no jogo anterior, o que dificultou demais na diversão. Este é um dos motivos da nota ser tão baixa.

Independentemente das belezas gráficas, de um menu mais robusto e da excelente otimização, tudo cai por terra quando não se tem uma física que não te deixa em pé na moto. Quem gostou da versão de 2020, com certeza vai se divertir bastante com a nova edição.

Nota: 70

Pontos positivos

  • Gráficos muito bons
  • Modo carreira
  • Traduzido para o português

Pontos negativos

  • Física ruim
  • Controles pouco responsivos
  • Tente ficar 5 minutos em pé na moto e depois me conte sua experiência
MotoGP 21 mostra evolução em gráficos, mas peca na simulação