Wolfenstein: Do pior ao melhor, segundo a crítica

11 min de leitura
Imagem de: Wolfenstein: Do pior ao melhor, segundo a crítica

Você já parou pra pensar como seria o mercado dos videogames se não existissem os FPS? Sem BioShock, sem Black, CoD, Battlefield, Medal of Honor… é realmente difícil. Uma coisa que dá pra ter certeza é que o gênero só existe hoje em dia por causa dessa franquia.

Além disso, não tem nada mais gostoso nos jogos que pegar uma metralhadora e matar nazistas. Vocês pediram, votaram e aqui está o do Pior ao Melhor da franquia Wolfenstein. Aqui estão nossos critérios, prestem bastante atenção:

  • As notas apresentadas são baseadas no agregador de notas Metacritic. Se o título foi lançado para mais de uma plataforma inicialmente, pegaremos as notas de cada uma das versões e faremos uma média aritmética.
  • No caso dos 3 primeiros títulos da franquia, tivemos muita dificuldade para achar avaliações com notas, tanto que só encontramos uma para cada um deles. Então, para não deixá-los de fora, usamos essas notas, que são meio extremas, já adiantando pra vocês.
  • Nós consideramos os principais jogos da franquia, então os games de mobile e VR não entraram.

10) Castle Wolfenstein (1981) - 30 (Apple II, Atari, Commodore 64, MS-DOS)

Castle Wolfenstein, lançado em 1981, foi o primeiro jogo da série e um dos dois lançados pré-id Software. Desenvolvido pela Muse Software, empresa que encontrou seu fim em 1987, o jogo acompanha um espião das forças aliadas que foi preso pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Usando uma arma com 10 balas dada por outro prisioneiro, é necessário sair daquele lugar com vida.

A perspectiva dele é top-down, ou seja, uma visão de cima que mostra todas as paredes do local, os adversários e os baús do mapa. Os guardas que cuidam do local podem ser identificados pelas roupas a prova de bala com a logo da SS e eles reagem a barulhos de tiro e explosões. Para completar os níveis, é necessário matar os soldados ou fugir deles.

O jogo foi criticado pelos analistas da época por conta de seus longos carregamentos, sua gameplay lenta e sua colisão com paredes irritantes, mas elogiado por não ser um game simplesmente de matar tudo o que se move. Como comentado nos critérios, encontramos uma única avaliação com nota, da revista Computer Gaming World, o que faz com que a dele seja 30. No entanto, essa mesma revista classificou o jogo como o 116º melhor título já feito, isso em 1996. Vai entender...

9) Beyond Castle Wolfenstein (1984) - 40 (Apple II, Atari, Commodore 64, MS-DOS)

Lançado em 1984, Beyond Castle Wolfenstein é uma continuação do título citado anteriormente e acompanha o mesmo espião que tem como objetivo entrar em um bunker no qual Hitler está escondido e colocar uma bomba na frente da sala em que o líder alemão se encontra.

A gameplay do título é bem parecida com a do seu antecessor, mas com algumas diferenças. Os guardas podem solicitar sua credencial para aquele determinado andar, que pode ser mostrada após matar um soldado que o tenha ou suborná-los. Caso não consiga fazer nenhum dos dois, eles vão tentar te matar ou acionar o alarme do bunker. Ainda dá pra mover o corpo dos adversários pra usá-los a seu favor e o sistema de áudio foi melhorado.

Os críticos afirmaram que ele tem os mesmos gráficos de seu antecessor, que desencoraja o replay e que as poucas melhorias não atingem a expectativa criada pela empresa. Assim como o anterior, só encontramos a nota dada pela Computer Gaming World, que foi de 40.

8) Wolfenstein: Youngblood (2019) - 66,5 (PC, PS4, Xbox One, Switch)

E fomos dos games mais antigos para o mais novo. Wolfenstein: Youngblood, lançado em 2019, é um spin-off que acompanha as irmãs gêmeas Jessie e Zofia Blazkowicz, filhas de B.J. Blazkowicz, 20 anos após os acontecimentos de Wolfenstein II: The New Colossus. As duas jovens têm a tarefa de encontrar B.J., que desapareceu sem deixar nenhum vestígio.

O título pode ser jogado em single ou multiplayer online, com cada um dos jogadores controlando uma das Blazkowicz, e as missões podem ser completadas de forma não linear. O título também trouxe elementos de RPG à jogabilidade.

Os analistas elogiaram o combate, o conteúdo no geral, o sistema de duas protagonistas e a inteligência artificial do parceiro quando jogado no solo, mas criticaram a história, os diálogos, os personagens e os elementos RPGs, considerados desnecessários. Sua nota é 66,5.

7) Wolfenstein (2009) - 72,3 (PC, PS3, Xbox 360)

Wolfenstein, lançado em 2009, é vagamente uma continuação de Return to Castle Wolfenstein, que tinha chegado ao mercado 8 anos antes. O jogo acompanha William Blazkowicz, mais conhecido como "B.J.", em uma missão na cidade de Isenstadt, que os nazistas estão usando para escavar o cristal raro Nachtsonne com o objetivo de acessar a dimensão Black Sun. Com o passar do tempo, coisas estranhas e sobrenaturais começam a acontecer no local.

A gameplay é bem parecida com outros FPS, mas ele traz como diferencial a possibilidade de entrar em uma outra dimensão chamada The Vein, na qual o tempo desacelera, o jogador fica mais rápido e os adversários brilham, sendo mais fácil encontrá-los e atingi-los. Ele conta também com um modo multiplayer, que foi desenvolvido pela Endrant Studios. O título usa uma versão melhorada do motor gráfico id Tech 4, que já tinha sido usado em Doom 3 e Enemy Territory: Quake Wars, trazendo diversas melhorias gráficas em relação aos seus antecessores.

O game foi elogiado pelas suas chefões, pelas batalhas dramáticas, pelo online sólido e pela gameplay divertida, mas a história é chata, as cutscenes são medíocres, o nível de desafio é inconsistente e há uma cacetada de pequenos problemas que vão incomodando com o passar do tempo. Sua nota é 73,3.

6) Wolfenstein: The Old Blood (2015) - 75,6 (PC, PS4, Xbox One)

Wolfenstein: The Old Blood, lançado em 2014, é um stand-alone que funciona como um prequel pra Wolfenstein: The New Order, acompanhando nosso querido B.J. Blazkowicz em uma missão para se infiltrar no Castelo Wolfenstein e conseguir o documento que entregará a localização de um oficial alemão.

Grande parte da jogabilidade é a mesma de The New Order, com a adição de várias novas armas, como canos de metal, que não só servem para o combate corpo-a-corpo, mas também para escalar paredes de pedra e quebrar superfícies fracas. Outra novidade é a introdução dos Shamblers, que são como zumbis nazistas.

Inicialmente, ele era pra ser duas DLCs de The New Order, mas com o passar do desenvolvimento, a equipe criativa decidiu juntar os dois conteúdos em um título stand-alone, que foi apresentado ao público só dois meses antes de seu lançamento.

O game foi elogiado pelas suas mecânicas de tiro satisfatórias, pela variedade de armas, pelo stealth sólido e pela Inteligência Artificial, mas acabou sofrendo com a presença dos zumbis e com a história fraca. Sua nota é 75,6.

5) Return to Castle Wolfenstein (2001) - 78,6 (PC, Xbox, PS2)

Em 2001 chegou aos mercados Return to Castle Wolfenstein, game desenvolvido pela Gray Matter Interactive que acompanha B.J. e o agente britânico de codinome Agent One que são enviados para o Egito com o objetivo de investigar as atividades da divisão paranormal da SS. Lá, eles descobrem que os alemães lançaram uma maldição antiga que faz com que zumbis despertem, o que trará consequências perigosas que podem afetar diretamente o rumo da Segunda Guerra Mundial.

O singleplayer segue a base da franquia, com o jogador tendo que atirar e se esconder dos inimigos para prosseguir nas fases. Além de armas reais do confronto mundial, é possível também usar as fictícias miniguns alemãs ou a Tesla gun. Mas o que brilhou mesmo foi o modo multiplayer, desenvolvido pela Nerve Software em parceria com a Splash Damage, que dividia os jogadores em Eixo e Aliados, se enfrentando em partidas com diversos objetivos para serem cumpridos. Ele fez tanto sucesso que a campanha foi considerada como um extra pro game e ele serviu de inspiração para diversos títulos lançados depois dele.

Return to Castle Wolfenstein foi muito elogiado pelo seu multiplayer extremamente divertido e pelas mecânicas interessantes, mas criticado pelo seu modo singleplayer. Por conta da versão de PS2 que não tinha o modo online, a nota caiu bastante e ficou em 78,9.

4) Wolfenstein: The New Order (2014) - 79,6 (PC, PS4, Xbox One)

Wolfenstein: The New Order, lançado em 2014, é uma continuação de Wolfenstein, de 2009, e mostra B.J. acordando depois de 14 anos de um coma, que o deixou em estado vegetativo, e descobrindo que os Estados Unidos se entregaram e a Alemanha Nazista venceu a guerra.

O game segue o padrão da série na gameplay, adicionando a customização de armas e a possibilidade de usar cover para se proteger durante os combates. Algumas das armas podem ser utilizadas no estilo dual wield, ou seja, uma em cada mão, aumentando o dano mas diminuindo a precisão. Ele utiliza o motor gráfico id Tech 5, evolução da id Tech 4 que tinha sido usada em seu antecessor, trazendo mais opções de texturas, iluminação, sombras e outros aspectos visuais.

O game recebeu elogios por suas mecânicas de combate old school, pela jogabilidade frenética e variada, pelas armas grandes e barulhentas e pelo stealth simples e efetivo. Já as críticas ficaram para diversos elementos de design antiquados, pouca exploração e o sistema de perks. Sua nota é 79,6.

3) Wolfenstein II: The New Colossus (2017) - 85 (PC, PS4, Xbox One, Switch)

Três anos depois, em 2017, foi lançada a sequência de The New OrderWolfenstein II: The New Colossus começa logo após os acontecimentos de seu antecessor, com B.J. acordando de mais um coma, dessa vez de 5 meses, e descobrindo que Anya, seu par romântico, está grávida de gêmeas. Mas esse momento de felicidade acaba quando a base da resistência, um U-boat chamado Eva's Hammer, é atacada pela oficial da SS Irene Engel, que captura alguns de seus aliados.

O jogo continua no seu estilo que mistura tiro para todo o lado com stealth que pode ser usado para matar furtivamente os adversários ou criar emboscadas para eles. Os generais podem chamar reforços sempre que estiverem em desvantagem, aumentando a quantidade de inimigos que devem ser eliminados. A personalização de armas e o dual wielding estão de volta nesse game.

O título foi elogiado pelos analistas por sua narrativa, personagens, mecânicas de tiro, apresentação, quantidade de conteúdo, sons e a diversão de matar nazistas, mas foi criticado por picos de dificuldade frustrantes e o ritmo arrastado de sua primeira metade. Sua nota é 85.

2) Wolfenstein: Enemy Territory (2003) - 90 (PC)

Wolfenstein: Enemy Territory, também conhecido como Return to Castle Wolfenstein: Enemy Territory, lançado em 2003, é um jogo multiplayer grátis e de código aberto desenvolvido pela Splash Damage que tinha como objetivo ser um pacote de expansão de Return to Castle Wolfenstein, mas foi lançado como um stand-alone.

O título divide os jogadores em Aliados e Eixo que devem defender ou destruir objetivos. Ele conta com 4 modos de jogo e 6 mapas oficiais, que retratam acontecimentos reais da guerra, além de centenas criados pela comunidade. Há um sistema de ranking que vai melhorando conforme o jogador ganha experiências nas partidas, começando em Private para os Aliados e Schütze para o Eixo.

O título foi elogiado pelos seus lindos gráficos, a variedade de mapas, o fator diversão e seu combate 100% Wolfenstein. Ele recebeu algumas críticas relacionadas à vida útil do game, mas isso pois os críticos não puderam experienciar as criações da comunidade antes de publicar as reviews. Sua nota é 90.

1) Wolfenstein 3D (1992) - 100 (MS-DOS)

E em primeiro lugar, como não poderia ser diferente, temos Wolfenstein 3D, lançado em 1993. Tudo começou com o nascimento da id Software, estúdio criado por John Romero, John Carmack, Adrian Carmack (que não é irmão de John) e Tom Hall. Juntos, já tinham criado muitos jogos, a maioria sendo plataformas sidescrolling com uma ou outra experiência de tiro em primeira pessoa, mas nada muito impactante.

Em 1991, o foco de John Carmack era games de ação 3D, foi então que John Romero sugeriu a eles criarem um remake em três dimensões do título de 1981, Castle Wolfenstein, o qual Romero era muito fã. Juntando ideias dos outros artistas, como um visual mais violento, mapas construídos como labirintos e ação rápida, barulhenta e divertida, foi assim que nasceu Wolfenstein 3D.

O título é dividido em dois sets de três episódios que acompanham o espião William "B.J." Blazkowicz em uma missão para acabar com os planos do governo nazista. Inclusive, o último chefão é o próprio Hitler, que está usando uma roupa mecânica equipada com quatro chair guns.

O jogador deve explorar os níveis, matando os adversários, abrindo salas, pegando itens e descobrindo onde está a saída para a próxima área. A parte inferior da tela mostra qual o andar, a pontuação, a quantidade de vidas, o rosto de B.J. que reage com os ataques dos adversários, a saúde, a munição e a silhueta de qual arma está sendo usada. Mesmo com a perspectiva 3D, os inimigos e objetos são sprites 2D.

A desenvolvedora não sabia o que esperar em relação à crítica, mas estava contando com 60 mil dólares no primeiro mês. Em vez disso, receberam 100 mil. As vendas estavam indo muito bem, com 4 mil unidades sendo enviadas pelos compradores por email. Por conta dos símbolos nazistas, o título foi banido na Alemanha em 1994 e novamente em 1997, com o lançamento do episódio stand-alone Spear of Destiny.

Os críticos da época ficaram impressionados com sua jogabilidade, descrevendo ele como rápido e fácil de jogar, e com seus gráficos, chamando ele de lindo, realista e extremamente violento, afirmando que o título era o único de seu tipo. Ele é considerado o avô (ou pai) dos FPS por conta de sua importância para o cenário mundial dos games. Como citado nos nossos critérios, encontramos uma única avaliação com nota, da revista Dragon, o que faz com que a dele seja 100.

Wolfenstein: Do pior ao melhor, segundo a crítica