Jogos da Rockstar: do pior ao melhor, segundo a crítica

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A maioria das desenvolvedoras espera a E3 para anunciar seus grandes jogos, sendo novas IPs ou continuações. Se existe uma empresa que foge dessa regra de forma magistral, é a que será o foco aqui hoje.

As palavras "polêmica" e "perfeccionismo" podem definir a maioria dos títulos lançados por ela. Vocês votaram, e aqui está o “Do Pior ao Melhor” Especial da Rockstar. Aqui estão nossos critérios:

  • As notas apresentadas são baseadas no agregador de notas Metacritic. Se o título foi lançado para mais de uma plataforma inicialmente, pegamos as notas de cada uma das versões e fazemos uma média aritmética.
  • Nós ranqueamos os 5 melhores e os 5 piores games da empresa; afinal, essa é a ideia do quadro.
  • Vale lembrar que a Rockstar é uma desenvolvedora e distribuidora, então alguns dos jogos que aparecem não necessariamente foram desenvolvidos por ela.
  • Nós não consideramos jogos ou versões de mobile e portáteis nem expansões.

Vamos começar com os melhores!

5. Grand Theft Auto: Vice City (2002): 94,5 (PC, PS2, Xbox)

No fim de 2002, chegava às lojas Grand Theft Auto: Vice City. No game, acompanhamos Tommy Vercetti, criminoso que faz parte da Máfia Forelli e acabou de sair da prisão após cumprir 15 anos por assassinato. Logo que volta à liberdade, seu chefe o manda a Vice City para estabelecer uma operação de drogas da organização. Só que o trabalho do protagonista será bem complicado, pois envolve realizar diversas tarefas que colocarão sua vida em jogo.

Entre as principais influências do visual estão os filmes Scarface e O Pagamento Final, ambos protagonizados por Al Pacino e dirigidos por Brian de Palma, além da série de televisão dos anos 1980 Miami Vice. O mapa de 9 quilômetros quadrados é dividido em 2 grandes ilhas, e as áreas vão sendo desbloqueadas com o passar do gameplay.

O desenvolvimento começou no fim de 2001, após o lançamento de GTA 3, mas era só a modelagem dos personagens 3D. A produção teve início efetivamente no começo de 2002, e ele era pensado como um pacote de expansão para o seu antecessor, adicionando missões, roupas, veículos e armas. Depois de algumas discussões, decidiram torná-lo um stand alone com o nome da cidade onde ele se passaria.

Na época, esse era o game com maior orçamento da empresa, US$ 5 milhões — que, comparados com os US$ 137 milhões do GTA V, parece pouca coisa. No total, são 8 mil linhas de áudio, 90 minutos de cutscenes e 9 horas de músicas, que totalizam 113 faixas e comerciais.

A crítica elogiou as missões, dizendo que elas são mais complexas e que o enredo ficou melhor por conta disso. O mesmo vale para o protagonista Tommy, que recebeu a voz do ator Ray Liotta, descrito como muito carismático. Além disso, o mundo é mais detalhado e realista que seu antecessor, a trilha sonora é inesquecível, e os personagens são coloridos e memoráveis. Como ele não é absolutamente perfeito, a inteligência artificial e o tempo de carregamento das fases desagradaram os analistas. A nota foi 94,5.

4. Grand Theft Auto III (2001): 95 (PC, PS2, Xbox)

Grand Theft Auto III é um dos jogos mais importantes da franquia, pois transformou GTA no que conhecemos hoje: uma câmera em terceira pessoa, um mundo 3D gigantesco para ser explorado e um personagem com uma história cativante.

Algo interessante sobre o protagonista Claude — que escapou da prisão e quer se vingar de sua namorada, que, durante um assalto a banco, o traiu e o deixou para morrer — é que ele é totalmente quieto, calado, mudo. Outro fato curioso é que, além de não ter voz, ele não tem nome; isso só mudou em San Andreas, lançado 3 anos depois. Segundo os produtores, a ideia era que o personagem fosse quem o jogador quisesse.

O game se passa em Liberty City, inspirada na cidade de Nova York. Por conta dos atentados de 11 de setembro de 2001, o mesmo ano do lançamento do jogo, algumas referências e alguns aspectos do gameplay foram alterados. O carro da polícia mudou para um design preto e branco padrão, em vez de remeter aos da cidade dos ataques; uma missão que fazia referência a terroristas foi retirada; e até diálogos de pedestre foram ajustados. Além disso, o lançamento aconteceria em 19 de setembro, mas foi adiado em 3 semanas.

GTA 3 foi feito pela DMA Design, da Escócia, e pela Rockstar, de Nova York, e usou como referência filmes de mafiosos do diretor Martin Scorsese e jogos como The Legend of Zelda e Super Mario 64. Muitos personagens foram animados por meio de captura de movimento, mas a equipe de produção teve dificuldade para animar NPCs entrando em veículos, tendo em vista a variedade do tamanho dos automóveis.

No fim, o jogo foi um sucesso absoluto. De forma sucinta, amaram o som, a gameplay e o design do mundo, mas não curtiram os controles. Já a versão de PC, que saiu poucos meses depois, foi elogiada pela melhoria no visual e nos controles, mas os requisitos mínimos de hardware foram criticados. No fim, sua nota foi 95.

3. Grand Theft Auto IV: 95,3 (PC, PS3, Xbox 360)

E continuamos em Liberty City, dessa vez para falar de Grand Theft Auto IV, lançado em 2008. Esse foi o primeiro jogo da franquia a sair para PS3 e Xbox 360, além de ser o primeiro em que o protagonista não é americano. Niko Bellic, que nasceu no leste europeu, chega à cidade em um navio de carga para conquistar o sonho americano, procurar o homem que traiu sua unidade de guerra 15 anos atrás e se reunir com seu primo Roman, que ama boliche.

O jogo é o primeiro da chamada Era HD, pois a desenvolvedora decidiu mudar o estilo e o tom para algo mais realista e detalhado. Para conseguir esse resultado, a produção passou pelas mãos de diversos estúdios da Rockstar ao redor do mundo. Ele foi o segundo a usar o motor gráfico RAGE, utilizado até hoje pela empresa em seus mais diversos jogos.

Liberty City foi expandida e foca os quatro boroughs de Nova York: Broker, que é o Brooklyn; Dukes, que é o Queens; Bohan, que é o Bronx; e Algonquin, que é Manhattan. Além disso, há o estado independente de Alderney, que é New Jersey, e três pequenas ilhas. Charge Island é a Randall’s Island, Colony Island é a Roosevelt Island e, por fim, Happiness Island é Liberty Island.

O jogo tem 19 rádios, sendo que 3 delas são de conversas. Entre os participantes dessas rádios estão Iggy Pop, Bill Hader e Patrice O'Neal.

Sobre a crítica, um fato interessante: se considerarmos somente as versões de console, esse é o segundo melhor jogo em questão de nota do Metacritic, ficando atrás somente de The Legend of Zelda: Ocarina of Time e empatado com diversos outros títulos. Ele basicamente estabeleceu um novo patamar para a franquia, para os jogos de mundo aberto e para todo o mundo dos video games. A cidade e seu visual foram aclamados, assim como a narrativa e o protagonista. O combate é mais responsivo que nos games anteriores, o design de som é ótimo, a trilha sonora é cheia de sucessos, e as estações de rádio têm um ótimo humor. O porte para PC, que saiu no final do mesmo ano, foi criticado por ser inferior em relação aos consoles, mesmo que tenha melhorado seus visuais e adicionado texturas. Com isso, ele ocupa o terceiro lugar, com a nota 95,3.

2. Red Dead Redemption 2 (2018): 95,6 (PS4, Xbox One, PC)

Lançado em 2018, Red Dead Redemption 2 é o game mais recente da desenvolvedora a chegar ao mercado. A história se passa antes do primeiro jogo, no ano de 1899, época conhecida como a decadência do Velho Oeste. Acompanhamos Arthur Morgan, um dos membros da gangue Van der Linde — a mesma de John Marston, que está fugindo após um crime não sucedido. Agora, em um novo lugar, o grupo tem como objetivo prosperar novamente.

Seu mapa de aproximadamente 75 quilômetros quadrados tem diversas cidades, simples e modernas, montanhas, vales, rios, prados etc. Além disso, os animais nessas regiões são diferenciados e é possível caçá-los para vender os itens recuperados em mercados.

O jogo traz um sistema de acampamento que pode ser melhorado comprando upgrades com o dinheiro conquistado nas aventuras, o que rende diversos benefícios para a base da gangue. Já duas mecânicas que retornam são o Dead Eye, que desacelera o tempo para atirar nos adversários, e o de moralidade, definido pelas ações positivas e negativas do jogador. O sistema de combate e os gráficos foram refinados e, diferente de Marston, Arthur sabe nadar.

No ano seguinte ao de seu lançamento, surgiu o modo multiplayer chamado Red Dead Online. O jogador controla um protagonista silencioso, que foi liberado da cadeia depois de ser preso injustamente por um assassinato que ele não cometeu. As diversas missões disponíveis podem ser jogadas com um ou mais jogadores; porém, diferentemente do GTA Online, ele recebeu poucos conteúdos, o que rendeu muitas reclamações por parte da comunidade.

O título foi um completo sucesso, recebendo diversos prêmios, vendendo milhões de unidades e conquistando o coração dos analistas. Ele foi elogiado por seu mundo vivo, realista e bem desenhado, pela história bem escrita, pelo sistema de customização de Arthur, pela mistura de diversos estilos que acabaram se complementando, pelo combate que se aproveita bastante do Dead Eye, pelos gráficos incríveis e pela quantidade gigantesca de atividades. A falta de sincronização labial em alguns momentos e alguns elementos pouco realistas atrapalham um tiquinho na experiência, mas nada que tenha efetivamente abalado a experiência da esmagadora maioria dos jogadores. Sua nota é 95,6.

1. Grand Theft Auto V (2013): 96,8 (PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, PC)

Para fechar a parte dos melhores, temos Grand Theft Auto V, um dos maiores jogos já feitos. Ele é o segundo game mais vendido da história, um dos maiores em relação a orçamento e o produto de entretenimento mais rentável.

Ele é o primeiro que traz mais de um protagonista para a trama. Jogamos com o jovem da periferia de Los Santos Franklin Clinton, com o ex-assaltante de bancos Michael De Santa — ou Townley, chame como quiser — e com o redneck Trevor Phillips. O jogo vai alternando entre eles durante as missões, mas o jogador tem a liberdade para utilizar qualquer um quando quiser.

O gigantesco mapa tem diversas áreas, como Los Santos, Vinewood, Vespucci Beach e Blaine County, totalizando 362,6 quilômetros quadrados. A desenvolvedora usou o que aprendeu em Max Payne, GTA 4 e Red Dead Redemption para melhorar as mecânicas de gameplay, como os covers, os tiroteios e a direção de carros. Os atores Ned Luke, Shawn Fonteno e Steve Ogg foram escolhidos para representar Michael, Franklin e Trevor, respectivamente, emprestando suas feições, vozes e até movimentos.

Na parte sonora, 241 músicas estão presentes entre as 17 estações de rádios disponíveis, sendo que 2 delas são de conversa. Além disso, o jogo conta com um modo online que, mesmo não sendo exclusividade para a série, está ativo e recebendo atualizações gratuitas constantemente até hoje, o que gera ainda mais lucro para a desenvolvedora.

Inicialmente, foi lançado para PS3 e Xbox 360 em 2013, mas recebeu versões para PS4 e Xbox One no ano seguinte e, em 2015, finalmente chegou ao PC. Como se não bastasse, foi confirmado para o PS5 e o Xbox Series X já em 2021.

O game é um completo e absoluto sucesso. A crítica elogiou a atenção aos detalhes, o visual, os protagonistas, o mundo aberto gigantesco, a história, as missões de assalto, o sistema de luz etc. A versão para as novas gerações foram elogiadas devido às melhorias gráficas e à novidade do modo em primeira pessoa. O título recebeu diversos prêmios de melhor jogo do ano e é constantemente citado como um dos melhores já feitos. A nota é 96,8.

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Agora, os piores!

5. Red Dead Revolver (2004): 73,5 (PS2, Xbox)

A primeira tentativa da Rockstar de entrar no Velho Oeste foi com Red Dead Revolver, lançado em 2004. O jogo se passa nos anos 1880 e tem como protagonista o caçador de recompensas Red Harlow, que tem como objetivo vingar a morte de seus pais.

Ele não é mundo aberto, mas entre os níveis é possível dar uma passeada pela pequena cidade de Brimstone. Está disponível uma variedade bem grande de armas, como pistolas, rifles, shotgun, facas, coquetel molotov e dinamites. A mecânica Dead Eye, explicada anteriormente, foi introduzida ao mundo, baseada no bullet-time do game Max Payne.

Não entendam mal. Red Dead Revolver não foi um jogo tenebroso, mas a desenvolvedora lançou poucos jogos realmente ruins, então isso o faz aparecer na quinta posição dos piores. Ele recebeu diversos elogios relacionados à sua história e sua jogabilidade diferentona, mas acabou apresentando muito e não focando em nada. Sua nota é 73,5.

4. Grand Theft Auto 2 (1999): 70 (PC, PS1, DreamCast, GameBoy Color)

Lançado em 1999 e desenvolvido pela DMA Design, Grand Theft Auto 2 foi o segundo título da franquia a chegar ao mercado. Ao contrário do que estamos acostumados, tanto esse game quanto seu antecessor possuem uma visão aérea, como se fosse um pássaro observando tudo.

Além disso, a gameplay é diferente: os jogadores passam por diversos níveis e têm que alcançar um número específico de pontos para avançar para o próximo nível. Esses pontos são obtidos destruindo veículos, vendendo carros e completando pequenas missões para sindicatos do crime.

Entre as features introduzidas no game, estão salvar o jogo visitando uma igreja, que custa pontos, e veículos e pedestres mais interativos com o ambiente. Há cinco rádios para serem ouvidas, entre elas a Head Radio, presente em outros jogos da franquia. Porém, se você estiver em uma viatura, uma ambulância ou um caminhão de bombeiros, terá que se contentar com o barulho do caos na cidade.

A intro do game é um curta-metragem de 8 minutos filmado em Nova York e foca em um criminoso chamado Claude Speed, que muitos acham que é o Claude, de GTA III. Quando questionada a respeito disso, a Rockstar respondeu que “pode ou não ser ele”.

Seus gráficos foram criticados por serem basicamente iguais aos do primeiro jogo, e o gameplay poderia ser melhor, mas a trilha sonora, que foi descrita como ótima, e o fator diversão acabaram rendendo a ele a nota 70.

3. State of Emergency (2002): 68 (PS2, PC)

Lançado em 2002, State of Emergency se passa em 2025, com os Estados Unidos sendo tomados por uma força paramilitar chamada The Corporation, após uma grave crise financeira ocorrida 3 anos antes. Diante das atrocidades desses novos líderes, uma resistência surge com o objetivo de acabar com a tirania deles, o que faz com que o governo declare Estado de Emergência em todo território nacional.

A jogabilidade é beat 'em up 3D, ou seja, os inimigos vão aparecer, e você deve atingir todos eles. O jogador pode escolher entre os cinco personagens disponíveis, cada um com seu próprio background que complementa o enredo do título.

Mesmo sendo um título simples, os analistas o consideraram divertido e com sistemas modestos mas interessantes, enquanto as críticas ficaram para sua jogabilidade extremamente simples e os poucos níveis que tornavam a experiência repetitiva. Sua nota é 68.

2. Manhunt 2 (2007): 64,5 (PS2, Wii)

Lançado em 2007, Manhunt 2 é um jogo de terror psicológico e stealth que acompanha os personagens Daniel Lamb, um homem que sofre de distúrbios mentais, está com amnésia e está em busca de recuperar sua memória, e Leo Kasper, um assassino sociopata que guia Daniel em sua jornada.

Grande parte da gameplay se baseia em se esgueirar pelos ambientes e matar os adversários de forma silenciosa e brutal. A maioria das mecânicas do título são como as de seu antecessor, mas melhoradas e refinadas. As formas de assassinar os inimigos são as mais curiosas, podendo usar itens como caixas de ferramentas, telefones e até privadas para acabar com a vida de quem estiver em seu caminho.

Pelo fato de o jogo ser extremamente controverso, a mídia e diversas organizações teceram fortes críticas desde seu anúncio e, por isso, ele segue banido em alguns países até hoje, como em todo o Reino Unido.

Para os analistas, o título consegue casar bem o gameplay e sua história, tornando-se um game satisfatório pela descarga de raiva gerada; ainda, seus visuais combinam muito com a premissa e o stealth necessita de atenção e habilidade. Por outro lado, as críticas ficaram para a história pouco assustadora, o baixo fator diversão para muitos jogadores e para as diversas mudanças sofridas por conta das polêmicas que o envolveram. Sua nota é 64,5.

1. Surfing H3O (2000): 46 (PS2)

Em primeiro lugar entre os piores, um jogo que a maioria nem sabia que existia. Surfing H3O foi desenvolvido pela Opus e lançado em 2000 internacionalmente pela Rockstar. Não há muito mistério: ele é um game de surfe.

Os dois modos disponíveis são o torneio, que o jogador participa de diversos níveis em sequência, e o Versus, que é como o torneio, mas só para dois jogadores, que vão se alternando. Para ir para a próxima fase, é necessário acumular uma quantidade específica de pontos, que são obtidos fazendo manobras ou coletando marcadores pelo caminho.

Os controles são bem ruins, a câmera é tenebrosa, ele não é nem um pouco divertido; possui boas intenções, mas uma péssima execução. A nota é 46.