O mundo das trilhas sonoras marcantes: a visão do compositor de Astro

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Fato: entre outras coisas, os games só são o que são e alcançaram o patamar em que estão por conta das trilhas sonoras. A música, o design de som, a mixagem de áudio e todas as artimanhas artísticas por trás dessa engenharia permitem que a experiência audiovisual seja marcante.

Outro fato: as canções escolhidas e o uso de sintetizadores, sonoplastias e outras técnicas ditam o ritmo de uma aventura, tornando-a marcante, fazendo-nos amar um personagem, odiar um vilão ou reagir com indiferença.

As variáveis são tantas que, diante dos fatos expostos, ninguém melhor que um compositor para falar sobre o assunto. Felizmente, o Voxel teve a oportunidade de conversar com Kenneth Young — alcunhado de Kenny na indústria —, talento por trás da sonoridade de Astro Bot: Rescue Mission, LittleBigPlanet e Astro's Playroom, que vem pré-instalado no PS5, entre outros trabalhos.

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"GPUuuu": o jingle que gruda de Astro's Playroom

Se você jogou Astro's Playroom, que basicamente faz uma viagem pelo hardware do PS5 e cruza a história da marca PlayStation com inúmeras referências, sabe que a canção "GPU", ambientada no circuito de mesmo nome no console, é um grude na memória. A criatividade por trás disso não nasce da noite para o dia.

"É uma mistura de design de som com a música propriamente dita. Quando podemos criar do zero, sem preocupação com direitos autorais, existem muitas possibilidades. Com músicas licenciadas, há todo um processo, o dinheiro envolvido, a burocracia", relatou Kenny.

"Já na criação, podemos fazer muitas coisas. No caso de Astro, misturamos vozes robóticas, palavras audíveis e canções. Grudam na cabeça. Dá para trabalhar a criatividade", enalteceu o artista.

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A liberdade e os riscos

Compor uma trilha sonora por vezes significa assumir riscos, especialmente quando a base é 100% definida pelo autor, sem envolver músicas licenciadas ou coisas prontas. Do zero.

"A liberdade que sentimos ao assumir riscos é gratificante. […] Os antigos jogos de plataforma têm melodias cativantes, estruturas simples e funcionais. Em Astro's Playroom, tivemos o DualSense, os recursos novos, a estrutura inédita; muito fan service, sim, um amor genuíno que nós, como criadores de jogos, quisemos trazer", explicou Kenny.

"Esse tipo de coisa nos traz lembranças de quando éramos jovens. Fiquei feliz de ver a recepção [a Astro's Playroom]. Hoje, as possibilidades de imersão são imensas", endossou.

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Sons icônicos: há fórmula para criá-los?

Além da trilha sonora em si, os "sonzinhos" que você escuta em jogos — como navegação pelo menu, saltos, tiros, socos e outras onomatopeias — são resultantes do design de som. O quão icônicos eles podem ser?

"Cabe ao criador", adianta Kenny. "Existem lacunas entre esses momentos, coisas separadas na cabeça do jogador. Criar sons icônicos envolve as inspirações pessoais de cada um, a vivência, o uso das ferramentas e o amor pelo projeto", concluiu.

"Você quer ser John Williams [compositor e maestro estadunidense que criou trilhas de Star Wars, Indiana Jones, Jurassic Park e outros filmes]? Quer adotar um tom eletrônico? Ser mais complexo? Encontre uma forma de expressar isso do seu jeito e abuse dos sintetizadores", disse.

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Uma dica para quem almeja compor trilhas de games

O conselho fundamental de Kenny para quem deseja trabalhar com isso foi uma mensagem de paixão pelo projeto: "Você precisa encontrar a própria voz. Estude o material daquilo que você gosta, internalize-o e ache uma maneira de expressar essa sonoridade do seu jeito. Seja criativo, seja você. Ame o seu negócio. Esse é o caminho".

O que você pensa sobre trilhas sonoras? Quais são as suas favoritas? As músicas de Astro "grudaram" na sua cabeça também? Conte aqui embaixo nos comentários.

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