Amnesia: Rebirth prova que renascer é ótimo, mas ainda tem seus problemas

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Quando Amnesia: The Dark Descent foi lançado em 2010, trouxe um mundo todo sombrio de exploração, descoberta pessoal e um medo da escuridão que fez muitos jogadores pularem de medo na frente do computador.

E quando Amnesia: Rebirth foi finalmente anunciado, dez anos depois, o trailer prometia um nível de pânico e pavor, que se não fosse superior, pelo menos se igualaria aos seus antecessores. Mas será que a Frictional Games realmente conseguiu cumprir esta promessa? Bom, confiram nossa análise para descobrir!

Viajar é ótimo, até seu avião cair no meio do deserto

Dessa vez assumimos o controle da arqueóloga francesa Anastasie Trianon, ou Tasi para os íntimos, que parte com seu marido Salim e outros companheiros para uma expedição em 1937 na África colonial.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Os pombinhos estão muito felizes com a chance de viajar de graça e se afastarem das memórias sombrias que ficaram em Paris, mas isso ainda é um jogo de terror e os problemas estão só começando. O avião da equipe, chamado Cassandra, sofre um acidente após um estranho obelisco misterioso ser avistado, e cai no escaldante deserto da Argélia.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

É após este desastre que finalmente assumimos o controle de Tasi, agora desorientada e sem memórias recentes, obrigada a vagar pelo terreno estéril em busca de seu amado e amigos, que parecem a primeiro momento ter sumido sem explicação.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Munida apenas com seu caderno de desenhos e um bracelete do qual não faz ideia de como conseguiu, a mulher não tem apenas que enfrentar as intempéries do mar de areia, como também escapar de monstros sinistros que parecem fazer parte do folclore local, além de navegar através de um mundo paralelo completamente sinistro e que parece ter saído diretamente de um pesadelo lovecraftiano.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Em sua jornada, Tassi vai gradualmente recuperando suas memórias através de pequenos vislumbres do passado, cartas escritas por seus parceiros para famílias que jamais as receberão e tristes corpos esquecidos em cavernas e na outra dimensão, informações que a levam até uma verdade assustadora: ela não só está perdida e sozinha no deserto, sem saber como escapar, mas ainda por cima está grávida.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

A história de Amnésia: Rebirth é profunda, amarga e recheada de horror cósmico. No primeiro momento que vi o outro mundo com sua arquitetura futurística mas também um tanto quanto arcaica e seu tenebroso céu esverdeado, me senti imersa em um conto de Lovecraft, com aquela sensação de que nenhum humano deveria chegar ali, e que todos os desafortunados que pisaram naquele local jamais teriam um final feliz.

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Durante a jogatina também fui criando um apego por Anastasie, sentindo uma dó real com os comentários que ela faz para si mesma e para a bebê em seu ventre, ficando impossível não simpatizar com esta mãe que já passou por diversos mal bocados em sua vida, mas se recusa a desistir diante de todas as adversidades simplesmente pelo bem da criança.

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Fuja da escuridão e... Acalme seu bebê?

Assim como nos outros games, evitar ficar no escuro é essencial. Para isso, existem diversos fósforos, e refis de óleo para a lamparina. O que incomoda um pouco é que qualquer mera penumbra não só desestabiliza Tasi, fazendo com que tenha visões bizarras, mas também incomoda seu bebê.

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Em vários momentos precisamos parar e acalmar o feto, o que parece extremamente inovador, mas também cansa um pouco, pois às vezes você só quer avançar na área e não pode até certificar o neném que tudo ficará bem (o que é bem difícil de acreditar por conta de toda situação).

Além disso, os puzzles podem ficar um tanto quanto repetitivos demais, e alguns não são muito intuitivos. Por exemplo, um deles exigia rodas para um antigo suporte de canhão, a única forma de quebrar uma parte danificada do chão e atingir meu objetivo.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

O problema é que o item estava no escuro e difícil de perceber, e eu acabei usando meu estoque inteiro de fósforos tentando entender o que precisava ser feito ali, tendo que terminar de solucioná-lo no breu, com Tasi beirando uma crise de insanidade.

E mesmo em locais iluminados o que não falta é confusão. O reino paralelo também apresentou vários momentos nos quais era difícil entender o que eu tinha que fazer e até para aonde ir, inclusive em um deles eu só fui correndo feito barata tonta até finalmente conseguir escapar do labirinto e do monstro que me perseguia.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Com o desenrolar do jogo, descobrimos que o amuleto de origem desconhecida que é o que nos permite trafegar entre as dimensões, uma mecânica bem interessante, mas que no final das contas não acaba sendo muito explorada.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Só passamos para “o outro lado” em momentos lineares específicos, e acredito que seria mais divertido se esse recurso tivesse sido mais utilizado, permitindo cruzar mais livremente em diversos pontos ao longo de todo o gameplay.

Tropeços no escuro

Amnesia: Rebirth é um ótimo jogo, mas não deixa de ter seus problemas. Além dos pontos que já citei acima que causam um certo cansaço, a perseguição dos monstros deixa de ser aterrorizante em um determinado ponto e passa a ser apenas enfadonha.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Em dois momentos, um que envolve um ninho recheado de criaturas bizarras e outro no qual é preciso escapar de sentinelas espectrais, eu me vi rezando para acabar logo não por estar apavorada, mas sim porque ficou entediante.

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A própria história também tem suas falhas. Na tentativa de criar um mundo paralelo tão diferente e perturbador, alguns textos ficam um tanto quanto confusos, sendo preciso ler com muito cuidado para entender direitinho e não perder informações valiosas.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Vale a pena?

Mesmo com seus vacilos, esta aventura não deixa de ser muito boa. O caminho para a descoberta do que realmente aconteceu com a tripulação do Cassandra e a verdade sobre o outro universo foi excelente, e ver tudo que Tassi está disposta a fazer e arriscar pelo bem de seu bebê e pelos traumas de seu passado causa desespero e uma vontade genuína de ajudá-la a encontrar uma saída desta saga macabra.

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A relação da protagonista com sua filha é crível demais, e um momento no fim me deixou genuinamente emocionada, principalmente ao saber que o único desfecho possível para mãe e filha só poderia ser amargo.

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O título tem um começo lento, mas a partir da metade passa a se desenrolar de uma forma bem rápida, sendo uma verdadeira viagem bizarra por dentro das entranhas do horror cósmico, com reviravoltas e revelações que mostram o quanto qualquer civilização estaria disposta a cruzar os limites do ético e aceitável em busca de realizar um objetivo tão complexo como a imortalidade.

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Com certeza vale a pena desbravar esse novo capítulo da série da Frictional Games, e enfrentar todos os horrores que podem estar se ocultando nas sombras.

(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)(Fonte: Voxel/Stella/Reprodução)Fonte:  Voxel 

Amnesia: Rebirth foi gentilmente cedido pela Terminals para a realização desta análise.

"Amnésia: Rebirth traz todo o lado macabro do horror cósmico e a luta desesperada de uma mãe pelo bem de sua filha, mas peca na repetição e confusão ao tentar manter um constante estado de medo"

Amnesia: Rebirth prova que renascer é ótimo, mas ainda tem seus problemas