Hyrule Warriors: Age of Calamity vai muito além do fanservice

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Imagem: Koei Tecmo/Nintendo
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De cara, é preciso dizer o óbvio: Hyrule Warriors: Age of Calamity não é Breath of the Wild. Dito isso, os desenvolvedores conseguiram dar um clima e uma assinatura própria para o game. Além disso, foram capazes de amarrar sua história de forma competente. Também, pudera, tiveram como inspiração um dos melhores jogos da década.

Agora que já tiramos isso da frente, é preciso admitir que o casamento o formato musou e um enredo baseado em uma prequel de The Legend of Zelda – Breath of the Wild foi genial. Para quem não está muito familiarizado com a franquia Warriors, uma explicação simples é dizer que é um estilo de hack'n'slash no qual você controla um herói mega poderoso contra verdadeiras multidões de inimigos.


 

A franquia Dynasty Warriors já vendeu mais de 20 milhões de cópias e tem uma série de spin-offs relacionados com outras marcas famosas, como: Persona, Gundam e o próprio The Legend of Zelda. Essa é a terceira vez que a Koei Tecmo adapta uma franquia da Nintendo para o gênero musou. Todos eles, inclusive, estão disponíveis no Switch. Antes de Age of Calamity, tivemos Fire Emblem Warriors – que transporta os personagens famosos do RPG tático da Intelligent Systems para o formato – e um port do primeiro Hyrule Warriors, um dos raros sucessos de venda do (incompreendido) Wii U.

Em geral, essas adaptações da Koei Tecmo são jogos com muito fanservice e pouca substância. No entanto, Age of Calamity é uma clara exceção. Afinal de contas, como diz o trailer: a história de Hyrule se confunde com a de Calamity Ganon. Acho que agora vocês estão prontos para saber o que aconteceu há cem anos…

Um Link com o passado

Em Age of Calamity sabemos um pouco mais sobre como Daruk, Mipha, Revali e Urbosa, os chamados campeões de Hyrule. É interessante entender um pouco mais das relações entre os personagens que só aparecem em memórias em Breath of the Wild.

É possível jogar com Zelda, Impa e vários outros personagens em Age of CalamityÉ possível jogar com Zelda, Impa e vários outros personagens em Age of CalamityFonte:  Reprodução/Koei Tecmo/Nintendo 

Não deixa de ser um conto de origem com mais espaço para histórias de coadjuvantes – como Impa, Shaka, Robbie, Purah e outros. E esse é um dos pontos no qual a proposta de um Warriors se encaixou perfeitamente. As histórias não contadas fazem Hyrule Warriors: Age of Calamity ter alma própria.

Some a isso o visual com gráficos no mesmo estilo da obra prima do Nintendo Switch e uma trilha sonora com uma série de temas inspirados nas músicas de Breath of the Wild. Com a ajuda de cenas bem elaboradas, temos uma ambientação excelente como cartão de visitas. Além é claro, do principal argumento para qualquer um dos fã de Zelda. Explicar o que raios aconteceu na guerra de 100 anos antes do primeiro jogo lançado no Switch.


A experiência de liberdade de BotW é substituída por mapas mais restritos, como em todo jogo do estilo. Por outro lado, o enredo do game dá justificativas suficientes para você se manter "dentro do mapa". Se em Breath of the Wild há uma atmosfera quase contemplativa de redescoberta das memórias de Link. Em Age of Calamity, não há tempo a perder e a ação é constante.

No clima de Hyrule

No jogo, você se reveza entre uma série de personagens batalhando contra hordas de monstros de diversos tipos em mapas determinados. Apesar de não reinventar o gênero, Age of Calamity teve claramente um cuidado de incluir algumas das marcas registradas da franquia, com surpresas escondidas em cada fase e pequenos puzzles que recompensam a exploração. Você pode coletar korok seeds espalhadas por todos os cenários, por exemplo.

Quatro coisas que a gente pode confirmar:

  • Algumas das boss battles são épicas – com as mais diversas criaturas de Hyrule

  • O elenco de personagens jogáveis é farto – e vai além dos anunciados

  • Controlar as divine beasts é divertido – nada além disso

  • Existem personagens novos bastante importantes na trama

Há ainda outros acenos para lugares que foram destruídos durante o conflito. Os mais atentos vão poder parar e apreciar um pouco de paisagens que estão desoladas em Breath of the Wild. Para quem não faz tanta questão dessa imersão na história, o game é sempre uma boa desculpa para controlar Link, Zelda e outros descendo o sarrafo na monstraiada.

Como todo bom musou, em Hyrule Warriors você vai somando centenas de KOsComo todo bom musou, em Hyrule Warriors você vai somando centenas de KOsFonte:  Reprodução/Koei Tecmo/Nintendo 

We are the champions

A mecânica do jogo não é muito diferente de qualquer hack'n'slash: você vai desenvolvendo combos com diferentes variações entre golpes fracos e fortes. Complete a barra de especial e varra centenas de adversários do mapa com apenas um golpe. Ainda é possível usar as runas aprendidas na sheikah slate, adicionando uma camada de estratégia para as disputas contra capitães e chefes.

A sensação de ser um campeão baita poderoso é muito boa. Poucas coisas são mais divertidas do que enfileirar uma porção de Moglins surfando em um escudo. Ou de acertar um dos relâmpagos de Urbosa para derrotar o clã Yiga Não acredita? Confira com a gente no replay:

Aqui é preciso fazer um reverência aos desenvolvedores da Koei Tecmo que conseguiram tornar a experiência recompensadora e até mesmo estratégica em Age of Calamity. Mipha, por exemplo, é extremamente rápida e leve. Já Daruk é o oposto, pesado e lento. Dá para sentir isso tanto nos golpes especiais como na movimentação dos personagens.

Claro, há sempre um contraponto: usar apenas um personagem pode tornar a jogatina repetitiva logo. Para remediar essa situação, é possível usar as rupees para subir o nível de alguns dos personagens. Assim, eles estarão sempre prontos para entrar na pancadaria.

Não faltam opções para personalizar LinkNão faltam opções para personalizar LinkFonte:  Reprodução/Koei Tecmo/Nintendo 

Há ainda uma mecânica de fusão de armas e a possibilidade de vestir diferentes armaduras, mas nada que demande tanta atenção por parte dos jogadores. O "Link Masterchef" também está de volta em uma versão mais simples: é possível cozinhar antes de cada fase e realizar uma porção de pequenas quests para ganhar mais corações e desbloquear novos combos.

Monstros sagrados

Outra mecânica nova de Age of Calamity é a possibilidade de jogar com as chamadas Divine Beasts. Esses gigantes lendários são controlados pelos campeões de Hyrule e aparecem para salvar o dia quando em missões que ajudam a mudar um pouco o foco das batalhas.


Após uma dezena de horas de gameplay, não destaco nenhum dos mapas jogados com as divine beast. Em geral, são momentos legais, mas pouco inspirados no quesito complexidade. De qualquer forma, a adição desses megazords de Hyrule é muito bem-vinda.

Age of Calamity é cheio de pequenos "truques" que são familiares aos jogadores do game original, como o uso do paraglider para evoluir no mapa. Mesmo assim, a forma criativa como essas novidades são apresentadas no jogo surpreende e deixa a impressão de que o título é muito mais The Legend of Zelda do que uma entrada da série Warriors.

Ao evoluir na história, as demandas se tornando mais complexas e exigindo mais da atenção e estratégia.

Nintendo Switch, um guerreirinho

Se você jogou a demo pode ter ficado com uma impressão ruim por conta de alguns slowdowns em Hyrule Field. Nos mapas subsequentes e durante boa parte do game, essa impressão é dispersada. Isso não significa que o desempenho de Age of Calamity seja brilhante. Manter o visual rico em detalhes e misturar isso ao gênero musou foi uma escolha ousada.

O conteúdo de Hyrule Warriors complementa a DLC Balada dos Campeões de Breath of the WildO conteúdo de Hyrule Warriors complementa a DLC Balada dos Campeões de Breath of the WildFonte:  Reprodução/Koei Tecmo/Nintendo 

É possível observar quedas na taxa de frame e até itens carregando enquanto você corre pelos mapas dessa versão de Hyrule. No modo cooperativo, esse tipo de situação fica ainda mais aparente. Esse tipo de problema é mais comum em momentos com muita iluminação, golpes especiais e algumas áreas mais abertas do mapa. Em defesa de Hyrule Warriors, dá para dizer que o hardware do Switch fica bem atarefado com umas porção de coisas acontecendo – e faz isso com sucesso em boa parte do tempo.

Durante o review, os tempos de carregamento tanto no modo portátil quanto com o console no dock foram bastante de poucos segundos.

De qualquer forma, não deixa de ser um ponto que salta aos olhos. Especialmente, quando a nova geração promete gráficos em 4K rodando em 60 frames por segundo. Não se assuste, não falta diversão e até mapas bem bonitos e rodando de forma agradável em Age of Calamity.

Caos e calamidade em Hyrule

É preciso ser honesto, como todo jogo da franquia Warriors, Hyrule Warriors: Age of Calamity pode se tornar um tanto quanto repetitivo e, por isso entediar quem não gosta do gênero hack'n'slash ou semelhantes. Além disso, os mapas entregam poucos objetivos diferentes durante a campanha. Por outro lado, as opções de estratégia vão brilhando ao longo das diferentes fases. Os mapas têm uma "cara de Zelda" e incentivam os jogadores a aproveitarem das melhores características do farto elenco de personagens jogáveis.

Age of Calamity mostra como as coisas chegaram a Breath of the WildAge of Calamity mostra como as coisas chegaram a Breath of the WildFonte:  Reprodução/Koei Tecmo/Nintendo 

Some a isso o fato de que as batalhas contra chefes conseguem capturar alguns dos pontos mais divertidos de Breath of the Wild. Quem aí não se sentia um verdadeiro monstro sagrado do videogame ao derrotar um Lynel ou um Hinox? Esse é só um exemplo de como a atmosfera da obra-prima do Switch se faz presente no jogo produzido pela Koei Tecmo.

Por falar nessa relação íntima, a história dá motivos para os fãs da série se empolgaram com momentos memoráveis. Age of Calamity é um casamento perfeito entre enredo e diversão. Principalmente, porque o jogo tem uma razão para existir e não soa como um fanservice genérico, como o Hyrule Warriors original.

Nos últimos tempos, a Nintendo tem se mostrado levemente mais aberta em relação ao trato com algumas de suas franquias mais valiosas – com todos os pontos positivos e negativos desse tipo de relação. Se, por um lado, vemos um desempenho e nível de polimento menor do que nos acostumamos com produtos da Big-N, é interessante observar a identidade desses games em formatos inusitados.

Dito isso, Hyrule Warriors: Age of Calamity é competente no que se propõe e merece um lugar na prateleira entre outros bons títulos da franquia The Legend of Zelda. A prequel deve garantir várias horas de diversão neste fim de ano no seu Switch. E manter o hype da franquia lá em cima enquanto não temos mais notícias sobre a sequência de Breath of the Wild, anunciada em 2019.

Nota: 83

Hyrule Warriors: Age of Calamity foi gentilmente cedido pela Nintendo para a realização desta análise.

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