Preview Twin Mirror — uma receita bem temperada e com potencial

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A Dontnod se consagrou como uma desenvolvedora que entende de narrativa. Foi lá atrás, com Life is Strange que ela conquistou o amor dos fãs e seguiu um caminho de sucesso criando um estilo bastante próprio de jogo.

Foram lançados alguns games da desenvolvedora depois disso: desde a parte dois de Life is Strange até o mais recente Tell Me Why, em parceria com a Xbox Game Studios. Eles seguem um padrão sobrenatural, em que o protagonista possui um poder que o ajuda a desvendar mistérios e fazer escolhas difíceis durante sua jornada. Agora, estamos mais perto do próximo jogo da Dontnod, Twin Mirror, que será lançado em dezembro.

Ele acompanha Sam Higgs, um jornalista investigativo que volta à sua cidade natal depois de dois anos para o funeral do seu melhor amigo. Fica claro que ao sair da cidade, ele deixou vários fantasmas para trás, mas precisará enfrentá-los novamente e usar seus poderes de dedução para encontrar a verdade e decidir em quem confiar.

Fomos convidados pela desenvolvedora para testar as 2 primeiras horas de Twin Mirror e dar nossas primeiras impressões sobre a história de Sam. Acompanhe com o Voxel mais um preview cheio de detalhes e informações.

Manutenção da fórmula

Quando jogamos um game que segue uma ideia, como os jogos narrativos da Dontnod, podemos ter a impressão de que é um pouco mais do mesmo, especialmente com elementos tão similares entre eles.

Porém, logo nas primeiras horas, fica claro que, apesar de Twin Mirror seguir a fórmula Dontnod de fazer um jogo, há uma tentativa de trazer novidades, especialmente na dinâmica da jogabilidade e até mesmo em elementos narrativos.

Primeiramente que, diferente das duas partes de Life is Strange, Tell Me Why e Captain Spirit, por exemplo, temos um protagonista mais velho, diferente dos jovens que acompanhamos nas outras histórias narrativas.

Essa escolha confere uma experiência de vida para o personagem que dá oportunidade de experimentar ainda mais traumas e velhas feridas do passado do protagonista. Mesmo que ainda não saibamos até que ponto isso vai ser explorado na história, há muito potencial.

Outra escolha narrativa que parece acertada é a profissão de Sam. Ele é um jornalista investigativo, o que traz à tona esse ambiente criminal e sombrio para a história. Em vários momentos, inclusive, cheguei a lembrar de outro jogo narrativo: Heavy Rain.

Isso porque, além da ênfase na parte investigativa, senti uma tentativa de adicionar mais pontos de ação, coisa que vimos muito ao jogar o thriller dramático da Quantic Dream, ao fugir ou lutar contra um inimigo, por exemplo.

Ainda que pontos pequenos, podemos entender que é possível que a fórmula se mantenha forte, já que ainda há um apelo para essa maneira de contar histórias e a jogabilidade segue divertida.

Mesmo com essa manutenção, o jogo ainda vai permanecer fiel aos amantes de histórias e jogadores pacientes que gostam de observar os detalhes sem pressa ou muita intensidade na gameplay.

Sobre os poderes e os detalhes

Como de praxe, o protagonista tem um poder sobrenatural que o auxilia para desvendar mistérios e entender o mundo ao seu redor, mudando o seu próprio destino, fazendo escolhas e decidindo em quem confiar.

Dessa vez, Sam conta com o Palácio Mental, um local dentro de sua própria mente onde ele pode acessar memórias, relembrar momentos confusos e, claro, analisar evidências. Além de ajudar Sam, ele é uma espécie de lugar seguro em que o jogador pode descobrir mais sobre a personalidade do protagonista e porque ele tem tantos problemas com a cidade da sua infância.

Apesar do Palácio ser o aspecto principal das habilidades de Sam, ele também possui uma personalidade "gêmea" na sua mente, que é mais sociável e empática do que ele, confrontando suas decisões.

Só o protagonista pode vê-lo, aparecendo em momentos importantes. Essa identidade secundária acaba sendo a chave para suas decisões do jogo e, claro, as consequências que elas causarão no futuro.

As duas habilidades são usadas a todo momento e são muito interessantes, especialmente porque alteram momentaneamente a jogabilidade e a dinâmica do jogo. Nas primeiras duas horas, ainda não é possível observar o impacto real delas para história, mas espero que elas consigam trazer futuros impactantes para Sam.

E quanto aos demais elementos?

Tudo continua bonito e organizado em Twin Mirror. Você recebe acesso ao diário, com detalhes dos personagens, interações que vão surgindo durante o jogo e memórias que você pode desbloquear quando investiga pelas localidades do game, que funcionam como uma coleção de itens extras.

A história, como sempre, é complementada ao ler e olhar artefatos, cartas, bilhetes e e-mails, além de conversar com os habitantes da cidade, que sempre dão informações extras sobre suas vidas e enriquecem as histórias paralelas.

Os gráficos estão muito bonitos e agradam bastante nos detalhes dos personagens e até mesmo em ambientes mais abertos como as ruas da cidade, por exemplo. Outro elemento muito interessante é a trilha sonora, que continua surpreendendo nos momentos mais tranquilos e nos de maior tensão.

Um ponto negativo são os controles, que parecem um pouco confusos no começo. Você precisa selecionar o objeto com o mouse e depois apertar a tecla que corresponde à ação. Depois de um tempo, você se adapta, mas é um pouco engessada.

O que podemos esperar?

A Dontnod parece não ter perdido a mão ao escrever histórias. Sam e em especial, a vida que ele deixou para trás são elementos que te prendem e te deixam ansioso para entender mais sobre sua jornada. O melhor amigo que faleceu, a afilhada, uma investigação antiga e um amor não correspondido fazem parte dessa camada que adiciona mais riqueza para o enredo.

Ao jogar, você poderá encontrar uma ideia mais madura e cheia de mistérios, com um toque de intensidade que pode dar mais “sabor” para o jogo. A fórmula Dontnod de sucesso está lá, mas o jogo tem potencial para surpreender os jogadores.

Se você já jogou e gostou dos outros games no mesmo estilo, certamente vai se identificar com Twin Mirror. Se você nunca jogou nenhum jogo da desenvolvedora ou não está acostumado com games narrativos, mas gosta de novas histórias, quem sabe possa dar um voto de confiança e se divertir com os pequenos easter-eggs de Pac-Man. Porque não?

Twin Mirror chegará para Xbox One, PS4 e PC (via Epic Games) no dia 1º de dezembro de 2020.

Preview Twin Mirror — uma receita bem temperada e com potencial