WWE 2K Battlegrounds toma nocaute dele mesmo

4 min de leitura
Imagem de: WWE 2K Battlegrounds toma nocaute dele mesmo
Imagem: Saber Interactive
Avatar do autor

Califa das Tormentas, Mister Argentina e Ted Boy Marino são nomes desconhecidos para muitas pessoas porque o Telecatch foi transmitido na televisão brasileira na década de 1960, mas de Dwayne "The Rock" Johnson e Hulk Hogan provavelmente você já ouviu falar. O primeiro faz algumas pontas como ator e o segundo sempre foi a marca da luta livre nos Estados Unidos.

Os amantes do World Wrestling Entertainment (WWE) são únicos e transformaram a luta livre em entretenimento puro e religião. Por aqui não foi diferente, e existe um nicho muito respeitado de apaixonados. Já faz um tempo que a 2K Sports desbrava esse caminho, mas sem sucesso.

Os últimos jogos da produtora não tiveram o resultado esperado e muitos foram literalmente espancados pela crítica especializada. Foi pensando nisso que a empresa resolveu tirar um ano sabático para remodelar totalmente a ideia, colocou de lado a série WWE 2K e resolveu se aventurar no gênero de forma diferente. Durante o período de reflexão surgiu WWE 2K Battlegrounds, que tem passos importantes para uma retomada do gênero.

Ao longo dos anos, diversos jogos de wrestling chegaram ao mercado e tentaram retratar o universo fictício criado por atletas que encenavam nos ringues. Munidos de fantasias, grandes atuações e shows pirotécnicos, os eventos eram pitorescos e engraçados ao mesmo tempo, o que sempre levou os fãs ao delírio.

Repaginado

O título pode ser considerado um sucessor espiritual de WWE All Stars, que também trazia imagens cartunescas. Publicado pela THQ e desenvolvido pela THQ San Diego para PlayStation 3 e Xbox 360, o título caiu nas graças dos fãs de wrestling.

WWE 2K Battlegrounds retrata isso com êxito. Com personagens da vida real em gráficos cartunescos, a empresa mostrou o que era encontrado nas transmissões. Só que jogar na resolução 4K não foi uma experiência satisfatória, já que é possível notar a falta de polimento dos bonecos e principalmente do cenário. Em certos momentos, tivemos a impressão de jogar um game em upscaling, sem uma resolução nativa em 1440p.

O mesmo acontece com os cenários, retratados de forma alegre, com muitas cores e de forma vibrante. A continuação dessa arte pode ser vista no modo carreira. A narrativa é suave, empolgante e com pitadas de humor e surpreendeu o fato de ela estar retratada em um esquema de HQ, em que toda a história é transmitida ao jogador por meio de quadrinhos.

Diversidade

Outro fator importante em Battlegrounds é que não faltam personagens. Na imagem a seguir dá para conferir os que estão presentes no game e os que serão inseridos após o lançamento. Muitos deles são desbloqueáveis com a moeda do jogo, que pode ser adquirida de forma controversa: cumprindo desafios nos diversos modos ou comprando créditos.

Por mais que a empresa diga que é possível adquirir todos os personagens de forma gratuita, prepare-se para o paywall. Você vai ter de jogar muitas horas caso queira desbloquear tudo o que é possível.

Mecânica repetitiva de combate

Por mais que a 2K Sports tenha caprichado nos diversos modos de jogo, é triste saber que em diversos aspectos o título se torna repetitivo. Além das mesmas animações e da falta de emoção no rosto dos personagens, a jogabilidade simples acaba sendo a grande pedra no sapato de um título que tinha tudo para conquistar os fãs.

Por se tratar de um game casual, o combate se limita a chutes, socos, golpes especiais e agarrões. Só que a variação no embate é pequena, trazendo a mesmice em praticamente todas as lutas. O bolo apresentado é maravilhoso, com artes e cenários muito bem feitos, porém o recheio é pesado e gorduroso, com uma jogabilidade muito simples e pouco diversificada.

A inserção de fogo e raio como movimentos especiais transforma a realidade em fantasia e desmonta tudo o que foi construído ao longo dos anos. Sabemos que é uma brincadeira, mas seria melhor deixar as magias para o cRPG.

IA burra e online com problemas

Outro fator que reforça a mesmice dos confrontos é o desbalanceamento dos personagens e a pouca inteligência artificial colocada neles. Mesmo no nível mais difícil, não traz um grande desafio por parte dos adversários; em certos momentos, o lutador fica parado sem demonstrar reação, parecendo que está só pedindo para apanhar.

Achamos que um dos principais objetivos da empresa foi proporcionar uma boa experiência no modo multiplayer. Quem acompanha o mundo da luta livre sabe que Tag Match e Royal Rumble são os modos que mais divertem os jogadores. O fato é que esses confrontos e o modo online têm uma ligação direta, só que o tiro saiu pela culatra.

Mesmo tendo uma boa conexão (100 MB de download e 50 MB de upload), foi sofrido jogar pelos servidores. Quem já se aventurou em outros games da publisher sabe que esse é um dos seus calcanhares de Aquiles, principalmente se você mora no Brasil. É impossível jogar um título de luta se não existe um tempo de resposta hábil para realizar os comandos. O delay é significante e impossibilita qualquer tipo de diversão online.

Quem sabe na próxima

WWE 2K Battlegrounds tinha tudo para ser a retomada triunfal do gênero, mas, mesmo trazendo diversos modos de jogo, dezenas de personagens e desbloqueáveis, peca na execução. Sim, ele diverte, mas por pouco tempo.

Com uma jogabilidade simples e pouco personificada, o fator replay diminui consideravelmente, deixando a animação presente por poucas horas. Vamos torcer para que a 2K Sports aprenda com os erros dessa edição para trazer um jogo que caia definitivamente na graça dos apaixonados por luta livre.

NOTA: 70

Tinha tudo para ser um Hulk Hogan, mas não passa de um Dustin Rhodes

Fontes

WWE 2K Battlegrounds toma nocaute dele mesmo