Preview de Cyberpunk 2077: o jogo mais ambicioso do século?

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O mercado de games se tornou industrializado, copiado e colado à exaustão: nada como reaproveitar fórmulas de sucesso e não mexer no time que está vencendo para vender milhões de cópias a cada 2 anos ou menos. Eis que um estúdio que até então estava se provando com uma série pouco conhecida lançou The Witcher 3, um RPG que não só foi sucesso de crítica e de vendas como também se tornou um novo padrão para a indústria.

E o que esse estúdio faria com ainda mais tempo, dinheiro e dedicação?

Cyberpunk 2077 foi anunciado há nada menos que 7 anos e nos intriga desde então. A CD Projekt Red se tornou referência e altamente qualificada para trazer o próximo passo evolutivo dos jogos singleplayer, mas será que o game vai corresponder às expectativas altíssimas? Nada é certo por enquanto, mas depois de jogar mais de 3 horas do título o futuro parece mais claro — e muito, mas muito promissor. Confira as nossas primeiras impressões.

Antes, vamos deixar algo claro: jogamos uma build feita no fim de maio e que não representa a qualidade final, portanto há bugs e coisas a serem corrigidas.

Tão detalhado quanto um RPG de mesa

Para aqueles que não estão familiarizados, Cyberpunk tem raízes mais antigas do que o jogo digital: tudo começou com Cyberpunk 2020, um RPG de mesa muito famoso. Honrando o legado de suas origens, 2077 segue um nível de customização absurdo que fará inveja a qualquer game do gênero.

Desde o começo, você pode escolher o estilo de V, protagonista que pode ser homem ou mulher: da aparência nos detalhes mais minuciosos, que vão da cor dos olhos às partes íntimas, até os Rumos de Vida, que podem ser Nômade, Marginal ou Corporativo, mudando drasticamente o início da campanha e suas especialidades, o conhecimento do mundo e os relacionamentos com diversos personagens.

A(Fonte: CD Projekt Red/Reprodução)

Durante as mais de 3 horas de jogatina, pudemos ver o começo da jornada de Corporativo e Marginal, que são consideravelmente diferentes entre si, trazendo NPCs distintos e relações completamente alteradas entre um rumo e outro. Jackie, por exemplo, já é seu amigo quando você escolhe Corporativo, mas no caminho do Marginal você só o conhece depois.

Apesar de a primeira missão principal ter sido consideravelmente igual nos dois rumos, as opções de diálogo eram diferentes, e as abordagens possíveis variaram bastante. Como Corporativo, tivemos algumas escolhas não existentes em cada conversa em determinada quest, enquanto o modo Marginal abriu outro leque de opções. É como uma grande ficha de RPG de mesa levada a sério e muito bem explorada.

Em outra missão, tivemos que recuperar um robô das mãos dos Maelstrom, uma das gangues do game. A quest pode ser simples, como entrar atirando e encontrar o produto, ou complexa o suficiente para entrar em contato com a Militech, uma das grandes corporações do jogo, para explorar diversas abordagens. No fim, você pode beneficiar uma ou outra organização, matar o chefão logo de primeira, ajudar o chefão contra a corporação e até mesmo usar dinheiro e não entrar em conflito com uma facção.

A impressão é que Cyberpunk 2077 será facilmente um título com um dos maiores fatores de replay que vimos nos últimos anos, fazendo o jogador zerar tudo de novo só para ver diferentes rumos.

E isso pode ser feito de várias maneiras no gameplay também. V tem cinco atributos: Corpo, Reflexos, Inteligência, Habilidade Técnica e Estilo, cada um provendo status diferentes. A grande sacada é que eles têm múltiplas árvores de habilidades para aprimorar o personagem, desde recuperar a vida lentamente fora de combate até melhorar as habilidades de hacking.

O título traz uma abordagem de classes fluidas que mistura todos os atributos, as especialidades e os equipamentos possíveis para que se adequem ao gosto de quem joga. Liberdade é uma palavra que parece combinar bem com Cyberpunk 2077 no que envolve combate e missões.

Combate refinado no talo

O que seria de um grande RPG sem um combate que corresponda à qualidade dos demais elementos? E até aqui a CD Projekt Red acertou com maestria. Cyberpunk 2077 é um shooter tão bom ou até melhor do que muitos outros, e não há nada com o que se preocupar.

Apesar de os inimigos terem níveis, a ideia da desenvolvedora é que o jogo não seja frustrante e tedioso, com mecânicas de esponja de balas, em que adversários precisam receber dezenas de tiros para morrerem. Existem rivais mais fortes, é claro, mas nada que quebre a imersão. O mais bacana é que mesmo em primeira pessoa você tem coberturas à sua disposição: basta se agachar atrás de um muro ou no canto de uma parede e apertar o botão de mira para que V se incline levemente para atirar. Somente esse fator já traz vantagem a muitos games de tiro por aí.

Caso seu estilo seja o corpo a corpo, há opções de monte. Desviar e atacar com armas brancas ou com o próprio punho funciona muito bem, com mecânicas de esquivas perfeitas, parry e muito mais. A CD Projekt já disse publicamente que ainda não acha que as batalhas melee estejam boas, e de fato não estão perfeitas, mas veremos melhorias na versão final.

Além da experiência comum para desbloquear habilidades, persistir em um estilo também garante melhorias, similar ao que acontece em Skyrim. Quanto mais você jogar com armas, melhor serão suas habilidades com pistolas, rifles e muito mais. É realmente a experiência completa em RPG.

Tiroteios, batalhas frenéticas de katanas, furtividade e exploração do cenário com hackeamentos: todos funcionam muito bem e podem ser combinados em perfeita harmonia. Por falar em hacking, é muito interessante utilizar o visor de V para avaliar inimigos e absolutamente todos os elementos do mapa que podem ser usados em sua vantagem, como holofotes para distrair inimigos, e até mesmo hackear os próprios adversários. Mas é claro que tudo depende dos implantes e das experiência no estilo, então nem tudo é possível logo no começo.

A(Fonte: CD Projekt Red/Reprodução)

Ser em primeira pessoa é o brilho da experiência

"Mas por que Cyberpunk 2077 não é em terceira pessoa? Vou personalizar meu boneco e nunca vou ver?". Você pode ter ouvido bastante essa pergunta ou até ter sido a pessoa que a fez. Fique tranquilo: ser em primeira pessoa não só é o ideal para o estilo do game como também não vai ficar devendo em nada.

Você verá o personagem de diversas formas, no menu e durante as animações extremamente refinadas do game. Enquanto V está sentado, a câmera segue realisticamente as ações das mãos, as pernas cruzadas e coisas do tipo, em um nível de detalhe corporal similar a grandes games lineares em primeira pessoa, como Mirror's Edge e a franquia Call of Duty.

Esqueça aquele estilo genérico de animações que vemos em Fallout, The Outer Worlds e outros RPGs em primeira pessoa. Nada de animações toscas e ciclos de poses genéricas; tudo é muito orgânico e cinematográfico. E, parando para pensar na larga escala do jogo, é muito impressionante que a CD Projekt Red tenha dedicado tanto esforço aos detalhes. Então relaxe, pois optar pela perspectiva mais íntima foi a escolha certa.

Uma bisbilhotada na nova geração

Se tem algo que é inegável em Cyberpunk 2077 é a qualidade dos gráficos. Não há nada relativo por aqui, e os visuais são indiscutivelmente estonteantes. Mesmo jogando através de plataformas de streaming, é notável que esse é um dos games mais bonitos da geração. E talvez um pouco mais.

Não é segredo que há muito tempo vemos relatos de que esse seria um dos primeiros jogos pensados para a nova geração. E, pelo que jogamos, ele faz valer. A máquina que estava rodando o título tinha uma RTX 2080 Ti, um Intel Core i9 e um SSD Firecuda 510 da Seagate.

A(Fonte: CD Projekt Red/Reprodução)Fonte: CD Projekt Red

Night City é uma cidade viva

Não tem jeito: em jogos urbanos, a cidade é frequentemente um personagem mais importante que muitos NPCs, presente do começo ao fim como uma constante que constrói o clima e ajuda na imersão. Night City é uma megalópole que deve ser essencial para nos jogar de cabeça na atmosfera de Cyberpunk 2077.

Felizmente, parece que o papel está sendo cumprido. Night City é realista, respira vida a cada esquina e é recheada de detalhes. Infelizmente, por mais que pareça que 3 horas são muita coisa, não são. O gameplay envolveu mais seguir as missões do que explorar a cidade, mas o que foi possível apreciar se mostrou algo fora da realidade.

A(Fonte: CD Projekt Red/Reprodução)

As barraquinhas de produtos são incrivelmente detalhadas, pessoas realizam os mais diversos tipos de atividades, como exercícios físicos, basquete e abordagens policiais. Como em qualquer cidade gigantesca, a densidade populacional é absurdamente grande, e vemos todas as ruas lotadas.

Vez ou outra, há missões que nos levam em veículos voadores, e podemos apreciar toda a magnitude da cidade, com arranha-céus enorme e cheios de projeções holográficas, propagandas das mais variadas, indo de aprimoramentos cibernéticos a brinquedos sexuais. O mundo do game é abarrotado de anúncios, colaborando com a atmosfera de uma época e um lugar em que o consumismo é desenfreado.

A CD Projekt Red realmente se superou na atmosfera cyberpunk, e todos os elementos essenciais para montar o clima estão ali em Night City: muito neon, diversidade e coisas acontecendo ao mesmo tempo, de marginais a corporações dominando a megalópole. E tudo isso é apenas o centro urbano, já que não tivemos tempo de explorar as Terras Baldias do rumo de vida Nômade.

Como você deve imaginar, não dá para rondar um local tão enorme a pé. Como seu "fiel companheiro" você tem o carro Quadra Turbo R, que funciona bastante como Carpeado de The Witcher 3 em muitos aspectos. Você pode chamá-lo a qualquer momento e usá-lo para realizar diversas atividades.

Enquanto explora a cidade ou segue missões, é possível ver o minimapa pipocando de atividades, como crimes em andamento e ações secundária. Contudo, pela falta de tempo, não pudemos verificar quais são elas e quais são seus tipos, mas tivemos a sensação de ver mais algo similar a grandes RPGs de mundo aberto do que um GTA V.

Alguns bugs aqui e ali, mas não é o jogo final

Conforme mencionamos, a build jogada era do fim de maio e começo de junho e não representa a qualidade final do game. Isso significa que nem tudo estava refinado, havia bugs aqui e ali, e a performance caiu um pouco em alguns momentos. Contudo, ainda ficamos impressionados com como parecia algo pronto para jogar do começo ao fim, mesmo meses e meses antes do lançamento.

Seria Cyberpunk 2077 o jogo que aguardamos há tanto tempo?

Não vamos mentir: Cyberpunk 2077 é um game que aguardamos com muita ansiedade desde o anúncio. Cada vez que novos materiais surgem na internet, as expectativas aumentam. O que a CD Projekt, de The Witcher 3, conseguiria fazer com muito mais tempo e dinheiro? Não tem como negar que toda a ideia é muito promissora.

Achamos que as pessoas mais empolgadas deveriam ser também as mais críticas, afinal criar expectativas tão grandes requer que o produto corresponda ao que esperamos. O que jogamos foi apenas uma leve bisbilhotada em tudo que o game pode oferecer, e mal deu para tocar a superfície da experiência.

A(Fonte: CD Projekt Red/Reprodução)

É simplesmente muito difícil imaginar que esse não será um jogo que vai revolucionar o mercado e trazer novos parâmetros de mundos abertos e RPGs. É claro que essa experiência foi apenas o começo do game e envolveu missões principais, então é possível que nem tudo tenha o mesmo parâmetro de qualidade. Entretanto, achamos que se isso acontecer não será um problema.

A liberdade de ações nas quests, o mundo aberto vivo e real, a atmosfera cyberpunk brilhantemente construída, as linhas de diálogo absurdamente bem feitas e a atenção aos detalhes nos conquistaram. Agora, só resta aguardar ansiosamente até novembro para ver o que encontraremos quando Cyberpunk 2077 chegar ao PC e aos consoles.

Preview de Cyberpunk 2077: o jogo mais ambicioso do século?