Você pode nunca ter lido o conto chinês “Jornada ao Oeste”, mas são grandes as chances de já ter consumido algum conteúdo inspirado por ele. Enquanto Dragon Ball é o exemplo mais popular, no mundo dos games também temos títulos como Enslaved: Odyssey to the West sendo influenciados pela história — caminho seguido por Unruly Heroes.
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O primeiro game da Magic Design Studios, formado por veteranos da Ubisoft que trabalharam em séries como Rayman e Valiant Hearts, usa a história centenária como base para aventura que combina ação e plataformas. Seu objetivo é reunir os pedaços de um pergaminho sagrado que foi despedaçado e se espalhou por todos os cantos do mundo — incluindo o pós-vida e o próprio inferno.
Desde o começo, você conta com quatro personagens para realizar essa missão, cada um com visual e características próprias. Enquanto o macaco Wukong tem golpes com grande alcance, o porco Kihong pode planar no ar e inflar seu corpo. Já o guerreiro Sandmonk consegue destruir obstáculos pelo caminho, enquanto o monge Sanzang pode planar no ar durante alguns momentos e tem ataques que atingem vários inimigos de uma só vez.
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Basta apertar um botão para trocar entre eles, algo que só se torna obrigatório em determinados momentos: alguns puzzles são específicos a certos personagens, o que obriga a aprender ao menos o básico de todos os membros de seu mundo. Também dá para encarar tudo no multiplayer local, o que facilita um pouco os combates, mas pode complicar as partes de plataforma caso seu parceiro não seja tão habilidoso.
Jornada atraente
Se há algo que chama a atenção em Unruly Heroes logo de cara são seus visuais. As influências dos jogos mais “artísticos” em 2D da Ubisoft são claras e mostram o DNA forte que a empresa tem na formação do estúdio — no entanto, conforme eu jogava o que mais lembrei foi dos jogos da Vannilaware, especialmente no que diz respeito ao design dos chefes.
Isso é mais um elogio do que uma declaração de que a identidade visual de Unruly Heroes é derivativa. Vale a pena jogar algumas fases mais de uma vez para prestar atenção nos detalhes de cada uma delas, especialmente quando há animações de fundo rolando e revelando elementos que muitas vezes servem como previsão de desafios futuros.
Se, graficamente o jogo é agradável, a jogabilidade oferece uma experiência mais mista. Todos os elementos que fazem um bom jogo de plataforma estão aqui, mas pequenos detalhes fazem com que o game ainda “não chegue lá” em alguns quesitos: por exemplo, falta uma sensação de “fisicalidade” na hora de pular nas paredes, o que prejudica um pouco o timing e torna um tanto confuso saber se você vai ou não conseguir realizar essa ação em alguns momentos.
Também tive alguns probleminhas com a câmera, especialmente nas fases de “perseguição”. Controlada de forma automática, ela tende a demorar um pouco para mudar seu ângulo, o que pode resultar em pulos às cegas que resultam em sua morte — felizmente, checkpoints constantes evitam que isso se torne uma grande frustração.
Se nem tudo é perfeito, Unruly Heroes acerta muito ao apostar em desafios variados, alguns que só surgem em fases específicas. Ao viajar para o outro mundo, por exemplo, todos os seus personagens são transformados em versões juvenis, e cabe a você se virar sem poder contar com seus ataques convencionais ou recursos como pulo duplo.
Se nem tudo é perfeito, Unruly Heroes acerta muito ao apostar em desafios variados
Também há alguns temas específicos a certos conjuntos de fases que variam em ritmo constante e evitam que o tédio e a repetição tomem lugar. Quando você pensa que já viu tudo que Unruly Heroes tem a oferecer, ele apresenta um tipo diferente de quebra-cabeça ou inimigo que garante certo frescor ao que você está fazendo.
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Destaque especial deve ser dado às batalhas contra os chefes que, embora sempre se baseiem na memorização de padrões, nunca são uma igual à outra. Cada um desses confrontos ocupa uma “fase” própria, o que é justificado devido ao fato de que cada um deles possui diferentes formas, que vão exigir observação atenta para superá-las.
Uma bela aventura leve
Unruly Heroes de certa forma me lembra uma versão mais “light” de Rayman Legends e Rayman Origins. Isso no sentido de que o game compartilha a beleza visual do título da Ubisoft e alguns princípios de plataformas e combates, mas se diferencia por ser uma experiência mais contida em sua duração.
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Em aproximadamente 8 horas dá para chegar ao final da aventura e ficar satisfeito com isso — sabe aquele tipo de jogo que “dura o que tem que durar”? Esse é Unruly Heroes. Para quem gosta de fazer 100% e caçar conquistas, é possível retornar a fases anteriores para coletar todas as moedas e pedaços de pergaminhos escondidos nelas — o que ajuda a alimentar a galeria de imagens do jogo e a desbloquear mais skins para seus personagens.
Infelizmente, o game não deixa de ter suas “gordurinhas”: o modo PvP, por exemplo, é totalmente dispensável e serve mais como uma distração do que algo que faz sentido com a proposta central. Caso você queira um game com uma história leve e desafios na medida, mas que pode ter alguns probleminhas mecânicos, Unruly Heroes sem dúvida merece ficar em seu radar.
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