Trump nega desculpa aos Cinco de Central Park, e diretora de Olhos que Condenam responde

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Donald Trump se recusou a pedir desculpas aos "Cinco de Central Park" por publicar, em 1989, anúncios de página inteira nos principais jornais da cidade de Nova York pedindo a pena de morte como resposta a um caso de estupro. Um grupo de cinco adolescentes - sendo destes quatro negros e um latino, foram acusados e condenados pelo crime.

Dias após o estupro de Trisha Meili, uma mulher branca que tinha 28 anos na época, Trump veiculou anúncios que diziam: "TRAZ DE VOLTA A PENA DE MORTE. TRAGA DE VOLTA NOSSA POLÍCIA!". "Eu não estou procurando psicoanalisar ou entender [os suspeitos]. Estou querendo é puni-los", declarou Trump em uma de suas mensagens.

O crime ocorreu em 19 de abril de 1989, quando Trisha que corria pela região do Central Park, em Nova York, foi atacada e estuprada. Korey Wise, Raymond Santana, Kevin Richardson, Antron McCray e Yusef Salaam, foram acusados de agressão, roubo, estupro, além de terem sido formadas outras acusações baseadas em confissões feitas em interrogatórios policiais que duraram horas e sem seus pais ou advogados presentes.

Os jovens, que tinham entre 14 e 16 anos na época, retiraram as confissões e se declararam inocentes, mas foram condenados e sentenciados à prisão. Em 2002, após um assassino ter admitido ser o verdadeiro culpado pelo crime, com comprovação por um exame de DNA, o grupo foi exonerado.

O caso voltou ao centro dos holofotes com a estreia da série Olhos que Condenam na Netflix, incluindo o papel que a ex-promotora Linda Fairstein desempenhou. A série é dirigida, roteirizada e produzida por Ava DuVernay (de Selma: Uma Luta pela Igualdade).

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Na última terça-feira (18), enquanto falava com repórteres em frente à Casa Branca, Donald Trump se recusou a reconhecer a inocência dos homens quando foi questionado por um dos repórteres se ele iria se desculpar por suas declarações. "Você tem pessoas em ambos os lados disso. Eles admitiram sua culpa. Se você olhar para Linda Fairstein e se você olhar para alguns dos promotores, eles acham que a cidade nunca deveria ter resolvido esse caso. Então, vamos deixar por isso mesmo”, declarou o presidente.

Ava DuVernay responde o presidente

Poucas horas após a declaração de Trump, Ava DuVernay postou em seu Twitter um clipe da série em que imagens reais, utilizadas na própria série da Netflix, apresentando um Donald Trump nos anos 80 (quando ainda era apenas um empresário) declarando como ele "adoraria ser um negro bem educado" por causa de todas as vantagens que a sociedade tem para lhes oferecer.

Na cena, Trump está sendo assistido na TV pela mãe de um dos meninos acusados de ter cometido o crime. "Eles querem matar meu filho. Esse demônio, esse demônio quer matar meu filho ... Eles vão ter que vir para mim primeiro", diz a mãe, Linda McCray (interpretada por Marsha Stephanie Blake).

Não foi a primeira vez que a diretora postou algo direcionado ao presidente nas redes sociais. Ava utilizou o Twitter para cutucar Donald Trump e também divulgar a produção. “Trump comprou anúncios em jornais de Nova York pedindo a execução dos garotos conhecidos como The Central Park Five – antes de seu julgamento. Hoje, nós trocamos essa propaganda odiosa com outra imagem. Eram inocentes e o sistema falhou com eles”, escreveu DuVernay em seu perfil.

Este texto foi escrito por Rafaela Ferreira da Silva via nexperts.

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