Para algumas pessoas (incluindo este radator), é praticamente impossível ouvir aquele célebre “Tatata-tata-TA” e não seguir pelo resto do dia com as notas retumbando em loop no cérebro — o que ter ocorrido também com você agora. Afinal, por que isso ocorre? E, particularmente, por que isso parece ocorrer principalmente com aquelas musicas relativamente simples de gerações anteriores? Há um bom motivo para isso, é claro.

Ou, pelo menos, há boas propostas, como esta apontada pelo teórico da música Andrew Schartman. Em seu livro “33 1/3”, Schartman coloca em análise a obra magistral do lendário Koji Kondo — responsável pelo harmoniosos “chicletes mentais” ouvidos em Super Mario Bros., em The Legend of Zelda e outros tantos. Para ele, trata-se de uma curiosa mistura entre saudosismo e (pasme) limitação técnica.

Um cérebro acelerado

Primeiramente, boa parte do efeito gerado por aquelas trilhas quando você as ouve hoje tem a ver sim com as memórias ternas que podem ter sido associadas. Sem desmerecer o gênio do Sr. Kondo, mas as gerações que encararam os primeiros movimentos dos clássicos da Nintendo em tenra idade tinham ainda o cérebro em rápido desenvolvimento neurológico — o que se segue até a adolescência, diminuindo lentamente depois disso.

Em outras palavras, os cérebros de pessoas mais jovens são particularmente suscetíveis e responsivos a novas harmonias e melodias — cujas estruturas passam a formar inúmeras ligações neurológicas, gerando “ecos” perceptíveis pelo resto da vida.

Tudo seguindo o mesmo compasso

Mas é claro que apenas o saudosismo não poderia explicar o fenômeno daquelas belas faixas em MIDI. De fato, há uma questão até muito surpreendente: as limitações técnicas dos primeiros consoles respondem por grande parte do status de “clássicos” daquelas composições.

Isso ocorre porque, diferentemente dos sistemas atuais, aquelas estruturas limitadas impunham ao compositor a necessidade de embutir as linhas diretamente no código do jogo — processo visceralmente oposto ao atual, em que as músicas são criadas à parte, da mesma forma que com os filmes.

Basicamente, isso fazia do “clock” do processador uma espécie de “maestro” cuja batuta era necessariamente seguida por todos os elementos dentro do jogo, desde os saltos do Mario até os movimentos dos inimigos e as subidas e descidas das plataformas; tudo ocorria em uma velocidade que devia ser um múltiplo dos pulsos do processador.

O resultado: a música não apenas animava o jogo, mas era também parte dele. Dessa forma, seus movimentos, seus saltos frustrados e aquelas vezes em que você conseguia saltar até o ponto mais alto ao final de uma fase — tudo isso ocorria no exato mesmo compasso da música. Dizem que o processo era muito mais penoso para os criadores... Mas foi em grande parte isso que eternizou o “Tatata-tata-TA”.

Via Baixaki Jogos.

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