De sucesso recordista de prateleiras a uma sequência igualmente ovacionada, The Sims passou para uma região relativamente cinzenta com a sua terceira geração. A despeito da possibilidade de perambular livremente por toda uma cidade recheada de ruidosos ratos de laboratório — tagarelando em Simlish ou fazendo cara de paisagem no bar mais próximo —, há quem tenha sentido falta da simplicidade viciante de The Sims 2.

Isso levou a Electronic Arts à controversa decisão de recuar alguns passos com o novo título da franquia. Mas, embora não falte quem aponte certa estagnação na forma como se dá a “ação” no game vindouro, o mesmo certamente não pode ser dito do editor de personagem reformulado para a ocasião.

Isso porque a melhoria é incrivelmente óbvia. E, sim, nós podemos dizer isso com propriedade, já que gastamos algum tempo com a demonstração recentemente liberada do modo de criação de The Sims 4 — teste que ainda rendeu uma versão virtual da Mariana Ayres, a apresentadora (e beldade oficial) do BJ. (Sim, eu sugeri, como alternativa, uma versão virtual minha, ideia prontamente rechaçada... Por que será? Enfim).

Adeus, barras de deslizamento (já vão tarde)

Sim, The Sims 3 trouxe o tão esperado périplo sem telas de carregamento por toda uma cidade, incluindo o seu trabalho (embora fosse impossível enxergar o que havia dentro daquelas paredes). Não obstante, o modo de criação ainda amargava ali certa “generalidade” herdada dos primeiros games. Como resultado, todos os Sims acabavam parecendo como uma enorme fila de filhos de chocadeira.

Em grande parte, isso se devia às famigeradas barras de deslizamento, responsáveis por alterar pontos específicos do corpo do seu Sim. Dessa forma, caso quisesse, digamos, tornar a sua criação mais ou menos rechonchuda, havia apenas uma solução: encontrar a barra apropriada. Bem, isso não ocorre em The Sims 4, o que nos permite dar um longo (e aguardado) adeus àquelas criações “sem alma”.

Ocupando o lugar das referidas barras, há agora a possibilidade infinitamente mais intuitiva de simplesmente beliscar e puxar a parte do corpo do Sim que se gostaria de alterar. Quer mais barriga? Basta posicionar o mouse e arrastar, formando uma bela pança. Um queixo quadrado, ao melhor estilo “galã de novela mexicana”? Novamente, é só arrastar.

Mas além de ser mais intuitiva, a nova ferramenta também conta com muito mais detalhes e pontos específicos de modificação. Não se trata, portanto, de ter um nariz “curto” ou “comprido”, mas sim de ter um nariz que, embora seja pequeno, possa ser um tanto “bulboso”, afinando gradualmente até encontrar a linha dos olhos. E o mesmo pode ser feito com pálpebras, lóbulos, sobrancelhas e praticamente qualquer coisa que exista no seu avatar.

“Isso me deu uma preguiça...”

Sim, sempre há aquele jogador mais interessado em encarar o mundo de jogo de uma vez. Afinal, para que se preocupar com a ponta do seu queixo quando há um mercado de trabalho voraz esperando pelo talento certo? Para esses casos, há ainda, é claro, as criações padronizadas.

Entretanto, mesmo aqui as possibilidades acentuadas de personalização tornam tudo muito mais interessante. Enquanto uma criação randômica de Sim poderia gerar um personagem estilo “estampa de caixa de cereal” nos jogos anteriores, aqui o resultado é um padrão com muita personalidade em potencial (sim, soa paradoxal).

Na verdade, ao escolher um Sim aleatório, você estará a apenas alguns cliques e puxões de algo muito mais autoral — um convite praticamente irresistível mesmo para o mais ocioso dos jogadores.

Um organismo mais coerente

Apesar de campanhas ativistas de inclusão as mais variadas, não tem jeito: o seu biótipo sempre vai acabar te direcionando (mesmo limitando) para certas atividades. Também é possível que ele responda por grande parte da sua personalidade, convenhamos. E em The Sims 4 isso foi acrescentado à equação.

Dessa forma, um físico esguio é aqui uma boa indicação de predisposição para diversas atividades esportivas. Adicionalmente, ares reclusos e olhar temeroso também vão direcionar o seu Sim para uma existência mais introspectiva — talvez ele se torne um grande artista, caso encontra o momento certo (que pode ser uma depressão galopante).

Como você anda e se veste?

Mas nem tudo é definido pelo tipo corporal do seu Sim. Na verdade, ainda caberá a você escolher o tom de voz para ele (dois tipos femininos e três masculinos) e também a forma de andar — certamente uma das partes mais comicamente divertidas da criação. Também voltam os traços de personalidades (só três agora) e os objetivos de vida, embora com uma disposição aparentemente menos confusa.

E, por fim, embora as roupas aqui não representem uma adição tão parruda em relação ao que já foi visto em títulos anteriores, o chamado “Style Book” certamente traz um bom ponto de saída. Além disso, juntamente com as boas ferramentas de criação e personalização, é fácil dar ares mais exclusivos para ume peça de roupa com cara de liquidação de megastore.

Compartilhe a sua obra de arte

Uma das adições mais interessantes do modo de criação de The Sims 4 é a possibilidade rápida e intuitiva de compartilhar as suas criações. E não apenas isso: caso você tenha a quantia certa de Simoleons no bolso, também é possível adquirir estilos prontos de alguns dos melhores criadores com mania de boutique da comunidade de jogadores. Simples, fácil e, novamente, bastante intuitivo.

Enfim, findo o teste, ficou a boa impressão de que a Electronic Arts realmente acertou a mão desta vez, pelo menos no que se refere ao modo de criação de The Sims 4. Quanto à possível “falta de novidades” que tem animado as discussões internet afora... O melhor, provavelmente, é esperar pelo lançamento completo do game.

The Sims 4 chega às lojas no dia 2 de setembro, exclusivamente para o PC.

PS. Afinal, o que vocês acharam da versão virtual da Mariana (início deste texto)? Comentem abaixo. E não se esqueçam de curtir o canal oficial do BJ. 

Via BJ

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