Você se lembra da mostra Play!, exposição artística organizada em 2013 pela Verve Cultural e que transformou um dos maiores prédios de Avenida Paulista em um telão para jogos interativos? O evento, de curadoria e direção da brasileira Marília Pasculli, teve como objetivo a popularização da ideia de que games também podem ser considerados peças culturais e legítimas manifestações artísticas.

O sucesso da mostra foi tão grande que a Verve Cultural, em parceria com Serviço Social da Indústria de São Paulo (SESI-SP), resolveu organizar uma segunda edição do evento cuja inauguração oficial ocorreu na noite da segunda-feira passada (7).

Assim como no ano passado, a exposição (que estará aberta ao público até o dia 4 de maio) traz uma série de obras interativas e audiovisuais que utilizam as novas tecnologias para promover debates sobre a sociedade brasileira e incentivar discussões sobre questões rotineiras da vida urbana.

(Fonte da imagem: BJ)

Muito mais do que um simples entretenimento

As obras são originárias de artistas do mundo todo – a “Play Goal”, por exemplo, é de autoria do coletivo alemão Pfadfinderei e desafia o jogador a tentar acertar um pênalti, chutando uma bola real que se projeta no telão feito com mais de 26 mil clusters de LED. Os espanhóis Noobware & Nutone, por sua vez, dialogam sobre segurança do pedestre e acidentes de trânsito em “Street Crosser”, que desafia uma dupla de participantes a atravessar uma avenida em segurança enquanto ajuda os idosos.

Já “Car Crush”, feito pelo programador Paulo Muggler, adota uma jogabilidade idêntica à do hit Candy Crush, mas trocando as guloseimas por carros multicoloridos. O game é inspirado em um problema de infraestrutura urbana que todo paulistano conhece muito bem: o trânsito caótico e rotineiro que os cidadãos de SP são obrigados a enfrentar diariamente.

(Fonte da imagem: BJ)

Além das artes interativas, a mostra Play! também conta com duas obras audiovisuais. “Indie Pixel Life” é uma divertida animação que parte da questão “Se você tivesse superpoderes, o que faria por São Paulo?”. Já “SP-o-Matic” simula um aplicativo fictício de smartphone no qual é possível combinar pedaços de rostos de pessoas, sugerindo um debate sobre a diversidade cultural da capital paulista.

A exposição traz ainda reprises dos trabalhos mais marcantes que deram as caras no ano passado, como vinhetas de Pac-Man, Tetris, Pong e Space Invaders.

(Fonte da imagem: BJ)

Despertando o interesse pela arte

Nossa equipe teve a oportunidade de testar um dos games disponíveis para interação: controlando os personagens de “Street Crosser”, confirmamos o quão divertida e única é a experiência de jogar video game usando um dos prédios mais marcantes de São Paulo como monitor. A opinião entre os transeuntes que ali paravam para observar as obras era unânime: “criativo”, “inovador” e “divertido”. Entre crianças e idosos, era difícil encontrar quem não estivesse maravilhado com a iniciativa da Verve Cultural.

De fato, a mostra Play! é revolucionária em todos os seus ângulos. Além de tentar transmitir a ideia de “games como um produto cultural”, a exposição também mostra que é possível casar arte e tecnologia para criar obras interativas que conseguem chamar mais a atenção de seu público do que as tradicionais pinturas, esculturas e instalações visuais. A interatividade, além de despertar a curiosidade do transeunte, consegue criar um vínculo maior com o próprio ao fazê-lo participar da obra em si.

Se você estiver afim de ver – e jogar – as obras da mostra Play!, fique de olho: a interatividade começa às 20h e se estende até as 22h. As vinhetas, contudo, são exibidas no prédio durante toda a noite, sendo desligadas somente às 6h da manhã. A Galeria de Arte Digital do SESI-SP fica no número 1313 da Avenida Paulista, próxima da estação Trianon-MASP da linha 2 Verde do metrô.

Via BJ

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