(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Você já conhece o App Inventor? Trata-se de uma ferramenta gratuita do Android voltada ao desenvolvimento de aplicativos e jogos para dispositivos mobile a partir da combinação de blocos “prontos” de programação. O Tecmundo conheceu um pouco mais essa ferramenta em workshop realizado por Andrei Thomaz, artista brasileiro responsável por uma das exibições jogáveis da mostra Play!, em São Paulo, que vai até o dia 7 de abril.

O App Inventor foi idealizado com o propósito de aproximar jogador e jogo, em termos de desenvolvimento. Não é preciso ser um programador, tampouco um especialista em informática, para utilizar a ferramenta. Portanto, se você não faz a menor ideia do linguajar de programação, não se preocupe. O intuito do App Inventor é se aproximar exatamente de alguém com o seu perfil.

Conta no Google necessária

Naturalmente, é preciso ter uma conta no Google para usufruir do App Inventor. Se você usa Gmail, então já possui essa conta. Basta entrar no site http://appinventor.mit.edu/ e clicar em “Invent” para exibir a interface através do próprio browser.

Os elementos ficam dispostos de forma muito amigável na tela. No workshop, Andrei mostrou alguns deles e enalteceu pontos interessantes para as primeiras perguntas que podem pairar sobre a cabeça dos que se aventurarem na empreitada: textos, imagens e até mesmo sincronização com GPS podem ser trabalhados a partir do menu que fica à esquerda na interface. É de lá que você pode arrastar os ícones à tela principal.

Repare que ao lado direito são exibidas as propriedades do elemento selecionado. Nesse local você pode definir cor, dimensões, alinhamento do texto e outros ajustes, dependendo do material com o qual estiver trabalhando. Ou seja: é escolher no menu da esquerda e realizar ajustes nas propriedades à direita. Simples e prático.

Emulação no computador

O workshop mostrou um pouco da emulação de um dispositivo Android no computador – recurso aplicável em Windows, Linux e Mac. O emulador do App Inventor já vem pré-configurado.

A primeira estranheza do público presente no evento foi notar a diferença de velocidade entre aquilo que é visto no emulador e o conteúdo exibido na tela do dispositivo Android.

“Há uma sensação de lentidão no desempenho do conteúdo sendo executado no PC. Isso é natural, uma vez que os hardwares são diferentes. O PC é mais potente, então, a velocidade tem de ser reduzida para ficar o mais perto possível daquilo que você de fato verá no celular”, afirmou Andrei.

Outro ponto importante a se ressaltar diz respeito à conectividade. Computador e dispositivo devem estar numa mesma rede WiFi para que possam se comunicar. Só assim a emulação é feita com sucesso. Não é possível estabelecer comunicação se o computador estiver conectado a uma rede sem fio e o celular no 3G, por exemplo.

O emulador tem o aspecto de um smartphone. Aliás, seu funcionamento é parecidíssimo com o de um: é preciso deslizar uma barrinha para desbloqueá-lo e utilizar as setas para navegar entre as opções. Dá até para abrir janelas dentro dele. Como já foi dito, todo o conteúdo é exibido com uma certa lentidão, justamente por “emular” aquilo que você veria no celular.

Editor de blocos

O maior chamariz do workshop ficou resguardado para a etapa final do evento: o “Blocks Editor”, ou editor de blocos. É por meio dele que você configura o comportamento dos elementos que arrastou no browser. O botão “Open the Blocks Editor”, localizado no canto superior direito da interface, abre o editor. É necessário ter o Java 7 instalado para executá-lo; ele será exibido em outra janela.

Uma opção interessante apresentada por Andrei foi a aba “Built-in”, que conta com eventos pré-configurados para você aplicar em seu projeto. Um “evento” nada mais é do que algo que ocorre de forma independente ou em resposta a uma ação do usuário. Aqui, é possível controlar um intervalo de tempo – por exemplo, uma plataforma se movendo ininterruptamente ou durante momentos fixos programados –, acelerômetro, variáveis, entre outros elementos. Tudo funciona como um plano cartesiano, isto é, um espaço para especificar pontos (nesse caso, blocos) numa determinada área com dimensões.

Conveniente para protótipos

Talvez você se pergunte se é possível pensar em projetos mirabolantes com o App Inventor. “Não exatamente”, declarou Andrei ao concluir o workshop. “O App Inventor é uma ferramenta interessante para protótipos, para quem deseja fazer um piloto e testar. É por isso que está ao alcance de qualquer público”, completou.

Confira abaixo, na íntegra, a entrevista que fizemos com o artista brasileiro Andrei Thomaz após o workshop:

O App Inventor representa uma tendência de aproximar cada vez mais jogador e jogo em termos de desenvolvimento, principalmente no mercado mobile. Você concorda com isso? Acha que as coisas podem ficar “genéricas” demais ou que essa abertura pode revelar novidades promissoras?

Acredito que o fator mais positivo do App Inventor é eliminar a passividade do jogador. A ferramenta desperta nele o senso de efetivamente desenvolver algo, trabalhar de perto com aquilo, colocar a mão na massa.

Claro que isso pode trazer coisas boas e ruins, mas nada impede que vejamos trabalhos diferentes daqui a algum tempo. O mercado mobile é imenso, e o App Inventor abre portas a diversas possibilidades. O mais interessante é o fato de despertar um senso ativo no jogador, aproximá-lo das etapas de desenvolvimento de um joguinho, tudo de forma simples. Os que se interessarem por jogos educacionais estão com um prato-cheio à disposição, pois há recursos para aplicação de matemática, textos, movimentação etc. Podemos ver coisas interessantes nesse sentido num futuro próximo.

É possível que um usuário básico do básico, isto é, o “não tecnófilo” mas igualmente interessado, consiga fazer uso de ao menos algumas das ferramentas do App Inventor?

Quem deseja aprender, sim. Toda aquela etapa complicada de programação é burlada aqui. O interessado se depara com blocos prontos e só precisa encaixá-los para determinar parâmetros e comportamentos. Claro que ele precisa ter noções de informática, mas a ideia do App Inventor é se aproximar justamente desse jogador passivo que tem alguma vontade de aprender a fazer seu próprio joguinho. Qualquer um pode se arriscar. É uma ferramenta gratuita.

Essa foi a primeira edição da mostra Play!. Que balanço você consegue fazer da repercussão?

Foi muito acima da média! Quando constatamos o volume inicial dos visitantes e do evento em si, ficamos impressionados. A estratégia de marketing foi simples, porém a divulgação espalhou-se rapidamente, o que reafirma a tendência do mercado nacional em investir cada vez mais em projetos assim. Há um número expressivo de visitantes todos os dias desde a inauguração.

Será que veremos edições futuras da mostra Play! com games desenvolvidos por usuários que hoje mal conhecem o universo da programação?

A ideia é promover a iniciativa. Com esse retorno mais que positivo, é possível que tenhamos sim outras edições da mostra Play! e, quem sabe, com exposição de jogos desenvolvidos por pessoas dos mais diversos perfis. Prevalecem aqui a criatividade e a vontade de aprender.

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