(Fonte da imagem: Reprodução/PokeBattlerMaster)

Quando criou um jogo de RPG em 1996 para o promissor GameBoy, Satoshi Tajiri não deve ter imaginado que seria o responsável por uma das maiores febres do entretenimento mundial. É ele o criador dos pocket monsters (ou monstrinhos de bolso) que deram uma longa vida a Pokémon, uma das maiores e mais lucrativas franquias da Nintendo.

O tempo passou, os 151 pokémons viraram 649 e as versões Red, Blue e Green do jogo foram seguidas por 20 outros games principais e 39 títulos derivados. A série ainda foi transformada em um desenho animado que se tornou tão popular quanto o material que o originou.

Mas é preciso fazer uma reflexão: será que algum dia a série poderá ser considerada um fracasso, não conseguir alavancar as vendas de produtos relacionados e virar só mais uma lembrança de gente nostálgica? Ou será que você ainda vai travar batalhas – agora via infravermelho e Wi-Fi, não mais pelo Cabo Link – com seus filhos e netos?

Muito dinheiro no bolso

O primeiro argumento a favor da continuidade de Pokémon não pode ser outro: a franquia rende dinheiro demais para a Nintendo – e o bolso sempre fala mais alto nessas horas.

(Fonte da imagem: Shuttershock)

As vendas de Pokémon cresceram de forma tão incrível que parecem fruto de uma dieta à base de Rare Candies – mas não tem nenhum tipo de trapaça aí. Confira alguns números isolados dos games que provam o sucesso da série:

  • A série de games já passou fácil das 210 milhões de cópias vendidas – e olha que tem muita gente usando emulador por aí;
  • Não é Pokémon o jogo mais vendido do GameBoy, mas sim Tetris, com 35 milhões de unidades. As versões Red, Blue, Gold e Silver vêm logo em sequência, somando juntas 46,65 milhões de games vendidos. Na mesma lista, o comércio da versão Yellow foi, sozinho, de 8,86 milhões;
  • O GameBoy Advanced não escapou da febre: Ruby e Sapphire venderam 13 milhões juntas, e FireRed e LeafGreen (remake das primeiras aventuras) ficaram logo abaixo, com 11,82 milhões. A versão Emerald fecha o pódio com 6,32 milhões de cópias;
  • No Nintendo DS, a concorrência era maior: Diamond e Pearl venderam 17,57 milhões, Black and White fechou com 14,71 milhões de cópias e Platinum foi o menos bem-sucedido, com 7,06 milhões de unidades;
  • Mais recentes da série principal, Pokémon Black & White 2 venderam 1,6 milhão em apenas dois dias – e isso ainda é menos que o primeiro Black & White, que vendeu 2,6 milhões nesse mesmo tempo, mas em 2010.

Já dá para fazer uma fortuna, não é mesmo? E os games são só a ponta do iceberg que é a franquia.

Pikachu, eu escolho você!

Todos os produtos lançados com a marca Pokémon parecem ser superefetivos em relação ao consumidor. O desenho animado não é mais tão popular por aqui, mas ainda existe, é bastante assistido no Japão e não tem data para acabar. O mesmo acontece com as cartas: você não vê mais pessoas com o chamado Trading Card Game no Brasil, mas elas não param de sair.

A britânica Lisa Courtney, recordista oficial de acessórios da franquia, tem 12.113 produtos de Pokémon.
(Fonte da imagem: Reprodução/BBC)

A linha de produtos licenciados da série é mais extensa que um Gyarados. De camisetas, bichos de pelúcia e canecas a sutiãs e carros personalizados, a marca é poderosa. Tudo isso é vendido em qualquer loja, mas existem ainda os Pokémon Centers – que, em vez de curar os bichinhos feridos, como nos games, são lojas de departamento imensas e lotadas que só vendem acessórios da franquia.

Recentemente, a série até foi tema de brindes que acompanhavam um pedido de uma famosa rede de fast food no Brasil, estrategicamente na época do Dia das Crianças. Nem é preciso falar que as lanchonetes lotaram, sendo que muitas pessoas estavam lá apenas para levar os brinquedos avulsos – e Pikachu, claro, era o que esgotava mais facilmente.

(Fonte da imagem: Reprodução/Etsy)

E a internet só facilita a propagação da febre: Pokémon tem uma infinidade de fóruns de discussão, um site próprio de memes e enciclopédias de dar inveja a qualquer guia oficial.

Sem aposentar as pokébolas

Oshawott, Arceus, Galvantula e Hydreigon. Esses nomes podem parecer desconhecidos para você, mas são de alguns dos monstrinhos da quarta e quinta (a atual) gerações da franquia. Os torneios oficiais ou amadores ainda existem, acreditem, sendo disputados por fanáticos de todas as idades, com batalhas acompanhadas por espectadores ansiosos.

Aquela geração que conheceu os primeiros 151 monstrinhos ainda está na ativa em relação aos video games. Há aqueles que já se dizem “adultos demais” para jogar ou mesmo gostar de Pokémon, mas a verdade é que nenhum deles se seguraria se começasse a ouvir aquela abertura clássica do anime.

"Isso, agora usa o Choque do Trovão!" (Fonte da imagem: Shuttershock)

Apesar de não existirem estudos que comprovem, os fãs adultos ainda respondem por boa parte dos números de Pokémon – e, quando eles se acharem velhos demais para continuar gastando com a franquia, é só passar o bastão para os próprios filhos, sobrinhos e netos, que vão conhecer uma nova geração e sustentar a franquia.

Evoluir ou não evoluir?

Mas tanta longevidade traz alguns riscos: é preciso inovar para não cair na mesmice, porém é necessário manter a mesma fórmula de sucesso para continuar faturando tanto.

Muita gente já demonstrou descontentamento pela falta de novidades em Black and White 2, por exemplo, como gráficos mais ousados e elementos mais imersivos do gênero RPG. E não é só encher de extras no modo multiplayer ou após vencer a Liga, mas oferecer elementos de campanha para que o jogador se sinta interessado e desafiado a continuar a jornada.

(Fonte da imagem: Reprodução/LA Times)

Além disso, a Nintendo precisa continuar bem no mercado de portáteis, já que o sucesso do GameBoy ao Nintendo 3DS é parte importante no sucesso da franquia. Já pensou se a empresa resolver descontinuar os aparelhos e focar só nos consoles de mesa? Aí sim seria um motivo de preocupação. Por enquanto, Pokémon continua aproveitando o reinado, que não parece ter data para acabar.

...

Público fiel (mas também em constante renovação), jogos que ainda vendem bem em todo o mundo e monstrinhos simpáticos que estampam qualquer produto. Com essa fórmula de sucesso, assim como franquias veteranas como Mario, The Legend of Zelda e Metroid, também pratas da casa da Nintendo, Pokémon ainda deve durar muitos anos e travar muitas batalhas – tudo sem precisar de GameShark.

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