Leah Hoyer falou sobre a importância da narrativa em games indie (Fonte da imagem: Reprodução/BJ)

O Museu do Som e Imagem (MIS) de São Paulo é o cenário de um festival que pretende trazer alguma luz aos estúdios e produtores de games independentes do nosso país. Desde o dia 22 de novembro, o Brazilian International Game Festival (BIG) tem reunido profissionais do mundo todo em um ambiente muito propício para trocar experiências e fazer contatos nessa indústria tão promissora.

Ontem (29), o auditório do MIS recebeu três apresentações que se destacaram na programação. A primeira delas foi comandada por Leah Hoyer, da Microsoft, que é a principal responsável pela história por trás do game Adera, título para Windows 8 que mistura elementos de jogos de puzzle e adventure.

Adera e o foco na narrativa

Hoyer, que antes trabalhava escrevendo histórias para desenhos animados, é uma das defensoras de games com boas narrativas. Para ela, a história é essencial para prender o jogador e ela deve ser focada sempre no personagem, e não no roteiro. Segundo a profissional, fazer com que o jogador se identifique com o personagem é a garantia de tê-lo jogando o game até o fim.

É claro que nem todo jogo precisa de uma história por trás, como é o caso do jogo de palavras cruzadas Scrabble, por exemplo. Por isso, Leah também ressaltou que o escritor deve ter o cuidado de escolher a história certa para o título em desenvolvimento, alegando que quase ninguém quer ler oito páginas de texto para entender o que se passa no game e nem todo jogo precisa de um roteiro complexo e extenso.

Adera, para Windows 8, tem história que prende o jogador (Fonte da imagem: Reprodução/Baixaki Jogos)

Hoyer também contou um pouco sobre o modelo de negócios do game Adera. Por ter uma história boa e intrigante, o título será comercializado em um formato parecido com o de uma série de TV: o primeiro episódio é gratuito e já está disponível na loja de aplicativos do Windows 8. Porém, quem quiser saber o que acontecerá na história do game terá que pagar pelos próximos episódios antes de jogá-los.

Televisão e video games: inimigos ou aliados?

Outra questão debatida na quinta passada foi a aproximação das emissoras de TV às mídias interativas e ao conceito de multitelas. Se antes video games e computadores eram vistos como concorrentes, algo que tirava o telespectador da grade de programação dos canais, hoje esses outros meios são vistos como grandes aliados.

O canal infantil Cartoon Network, por exemplo, apoia a produção de games investindo no desenvolvimento de jogos. "Nosso site está no ar há mais de 10 anos e oferecendo dezenas de jogos, inclusive de desenvolvedores brasileiros", afirmou Artur Tillieri, representante da emissora no debate. Segundo Tilliero, a Cartoon Network lança cerca de três jogos novos por mês.

(Fonte da imagem: Reprodução/Baixaki Jogos)

O vice-presidente da TV Cultura, Eduardo Brandini, também se mostrou interessado na produção de games e disse que a emissora trará novidades em breve sobre o assunto, oferecendo, inclusive, mais espaço para o tema em sua grade de programação. Além disso, Brandini também adiantou que a emissora lançará, no início do ano que vem, um concurso de desenvolvimento de games.

O representante da Philips, Luis Bianchi, também trouxe à conversa o assunto das Smart TVs, que hoje contam com conexão à internet, aplicativos e, é claro, jogos diversos para entreter ainda mais o telespectador. Segundo Bianchi, a empresa deve lançar, em 2013, modelos de TV que trarão jogos com a qualidade de console e que serão jogados diretamente na nuvem. Vale a pena ficar atento.

Inovação e música nos games

Depois de uma pausa para o almoço, quem estava no BIG pôde presenciar uma das conversas mais interessantes da tarde, que reuniu profissionais de estúdios independentes que não apenas criam games, como também componentes que enriquecem a imersão dos títulos, como a trilha sonora do jogo.

Quem representou o lado musical da conversa foi Rubem Feffer, do Ultrassom Music Ideas, e David McLoughlin, gerente da BM&A. Feffer demonstrou criações próprias e revelou um pouco da dificuldade de criar a trilha ideal para o jogo, que, segundo o profissional, deve ser interessante a ponto de prender a atenção do jogador, mas nunca interessante demais, pois não pode se sobrepor ao próprio game.

(Fonte da imagem: Reprodução/Baixaki Jogos)

McLoughlin, por sua vez, possui um papel muito interessante na indústria: ele é responsável por exportar a música contemporânea brasileira para o exterior e parte de seu trabalho é também encontrar faixas que possam ser usadas em jogos de video game de grandes companhias.

Trabalhando com isso há mais de 20 anos, McLoughlin também aproveitou a oportunidade para criticar a falta de investimento das produtoras no áudio de seus lançamentos, já que esse setor costuma ficar com a menor parcela da verba disponível para a criação do game.

Papo & Yo: um game de sucesso

Mas quem roubou a cena foi Talita Goldstein, da Minority Media. Brasileira e morando no Canadá, Talita contou como a empresa começou do zero, com profissionais que chegaram a trabalhar de graça por acreditarem que o game Papo & Yo seria um sucesso. E não há dúvidas de que conseguiram. Aqui no BJ, por exemplo, o jogo levou nota 8.0.

Para quem não conhece, Papo & Yo possui uma história pesada e baseada em fatos reais: o game conta um pouco da vida de Vander Caballero, fundador da Minority que, quando criança, sofria com o alcoolismo do pai. O jogo é um bom exemplo das ideias contadas por Leah Hoyer no início do dia: a narrativa é o grande potencial do título e, apesar de nunca abordar o delicado tema diretamente, faz uso de recursos com o realismo fantástico para contar a história.

(Fonte da imagem: Reprodução/Baixaki Jogos)

Outro detalhe que torna esse Papo & Yo especial, segundo Talita, foi o fato de a trilha do game ter sido criada ao mesmo tempo em que o jogo e não posteriormente. Segundo ela, isso ajudou, sem dúvida, a capturar melhor a atmosfera do game e produzir um produto mais coeso.

O Brazilian International Game Festival acontece em São Paulo até o dia 2 de dezembro, no Museu da Imagem e do Som. Para mais informações, consulte o site do evento.

Via BJ

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