PlayStation Mobile (PSM) é uma nova iniciativa da PlayStation que pretende disponibilizar o conteúdo da empresa para sistemas operacionais abertos, que funcionam principalmente em aparelhos portáteis, como celulares ou tablets. Essa nova iniciativa permitirá que um maior número de pessoas possa ter acesso aos trabalhos que levam a marca Sony e, por consequência, PlayStation.

Para acessar a novidade, a companhia atualizou o sistema principal do PlayStation Vita com  uma área específica para os joguinhos e aplicativos móveis. Os donos de gadgets que utilizam sistema operacional Android, certificados com a marca PlayStation, já podem fazer o download do aplicativo PlayStation Mobile.

(Fonte da imagem: Reprodução/PSN Stores)

Entre os dispositivos que podem se aproveitar da novidade estão aqueles pertencentes à linha Xperia e alguns produtos da Fujitsu e da Sharp. Aparelhos como o HTC One X, HTC One S e HTC One V também servem como um meio de usar o aplicativo, o que aumenta o número de opções compatíveis com o produto da Sony em seu lançamento.

Acessando a novidade pela PlayStation Store, os jogadores poderão comprar os aplicativos, com preços que variam entre US$ 0,49 (aproximadamente R$ 1, de acordo com a cotação de hoje) e US$ 7,49 (em torno de R$ 16). O novo serviço conta com pouco mais de 23 joguinhos e um aplicativo (musical), mas é muito provável que o sistema deva ganhar mais títulos já nas próximas semanas.

Mais chances de acertar

Assim como nos primórdios da invenção do primeiro console PSX, que partiu de uma parceria da Sony com a Nintendo, o PlayStation Mobile também abre uma porta para um mundo de oportunidades. A iniciativa PS Mobile, querendo ou não, abre a possibilidade de mais desenvolvedores mostrarem seus trabalhos para a Sony, bem como para todo o mercado.

Com a maior disponibilidade de opções, a chance de aparecer algum jogo diferenciado é considerável. Funciona, de certa maneira, como um grande caça-talentos de desenvolvedores talentosos. No entanto, essa ideia não é exatamente nova, uma vez que esse processo de incentivar a produção de criadores independentes já havia sido utilizado inclusive pela própria Sony.

(Fonte da imagem: Reprodução/PSN Stores)

De acordo com um artigo do site Kotaku, no ano de 1997, a companhia japonesa liberou um pacote chamado Yaroze Net. Tratava-se de um kit de desenvolvimento de “homebrew” para o primeiro PlayStation. Com esse material, qualquer pessoa poderia conseguir uma versão “debug” do PS1 com o software necessário para escrever seus próprios trabalhos.

O pacote Net Yaroze custava US$ 750 (na época) e incluía um console preto fosco, dois controles, um software e todo o tipo de documentação que um programador amador precisa para ter capacidade de fazer seus próprios jogos. O console não contava com trava de região, o que é fenomenal de se pensar nos dias de hoje.

(Fonte da imagem: Divulgação/HTC )

Isto posto, vale lembrar que o montante de games para o primeiro console a carregar o nome de PlayStation era (ainda é) absurdamente grande. Com isso, muitos entusiastas talentosos foram puxados para o meio profissional de games e a Sony continuou sua jornada, lançando o highlander PlayStation 2 — com uma gama de títulos enorme e com muito mais qualidade que o seu antecessor.

Muito mais lucro

O segundo ponto relevante sobre o lançamento da PlayStation Mobile, possivelmente o mais agradável para a Sony, é a inserção da empresa no mercado de jogos para sistemas operacionais móveis. Empresas como a Zynga já comprovaram que o segmento cresce em medidas exponenciais e é capaz de gerar lucros exorbitantes para as indústrias.

A Electronic Arts, uma das maiores publicadoras de games do mundo, também segue investindo fortemente neste mercado. A empresa já realizou aquisições importantes de desenvolvedoras especializadas em games sociais e portáteis, como a polêmica compra da PopCap.

Catalina Lou, diretora sênior de vendas e marketing da EA Mobile, deu uma entrevista ao Baixaki Jogos durante a Brasil Game Show deste ano, explicando que a empresa aposta alto no mercado de jogos para os dispositivos móveis. A Sony, que não é boba nem nada, também pretende entrar de cabeça nesse segmento.

Em certo ponto, a empresa já visa fazer concorrência relevante para os vendedores online Google Play e App Store.

Os 20 e poucos escolhidos

Desde o último dia 2 de outubro, a Sony começou oficialmente a disponibilizar o aplicativo da PS Mobile para o PlayStation Vita e para uma série de outros gadgets compatíveis. Junto com a chegada do aplicativo, 24 jogos também acompanharam o lançamento, sendo 23 deles pagos e apenas um de graça, além de um único app de áudio. Confira a lista:

  • OMG-Zombies;
  • Cubixx;
  • Pinky Spots Leg Massage;
  • Frederic – The Ressurection of Music;
  • Loot The Land;
  • Incurvio;
  • Wipe!;
  • Magic Arrows;
  • Everybody’s Arcade;
  • Underline;
  • Nyoqix;
  • Numblast;
  • Super Crate Box;
  • Aqua Kitty – Milk Mine Defender;
  • Flick Hockey;
  • Word Blocked;
  • Rebel;
  • Tractor Trails;
  • Hungry Giraffe;
  • Beats Slider;
  • Fuel Tiracas;
  • Twist Pilot;
  • Samurai Beatdown;
  • Beat Trellis.

O BJ resolveu testar alguns deles no PlayStation Vita para descobrir como será a experiência de utilizar um desses joguinhos no portátil da Sony. Para contrabalancear a análise, nós também pegamos um smartphone Sony Ericsson Xperia Play e testamos mais alguns joguinhos para sentir a diferença entre os gadgets.

Vamos ver como os apps se comportam:

  • OMG-Zombies;

O PlayStation Vita disponibiliza um poderio técnico muito superior ao de qualquer outro gadget mais simples. Portanto, o mínimo que podemos esperar desses aplicativos da PS Mobile é uma qualidade visual e sonora muito mais apurada do que estamos acostumados em nossos tablets e smartphones.

Nesses quesitos, OMG-Zombies — um dos mais recentes games a compor essa lista de lançamentos — consegue até surpreender. Trata-se de um shooter estratégico bastante simples, no qual você conta com pouco mais do que dois ou três tiros no pente de sua arma e precisa acertar alguns mortos-vivos para cumprir seus objetivos. Ao atingir a cabeça de um zumbi, ele explode, detonando com ele as outras criaturas que estiverem dentro do raio de alcance de seus fragmentos.

A trilha sonora do game é muito bem produzida, dando um ar de “jogo mais importante”. Testá-lo foi uma experiência interessante, e o custo de US$ 2,99 (R$ 6) faz dele um bom negócio.

  • Fuel Tiracas

Fuel Tiracas é um game absolutamente simples, no qual você precisa pressionar com rapidez os pontos coloridos que aparecem nos extremos laterais da tela para conseguir sincronizar uma determinada quantidade de tanques de combustível. O game foi adquirido por US$ 0,49 (em torno de R$ 1, de acordo com a cotação de hoje), o que representou um excelente negócio.

(Fonte da imagem: Reprodução/TheVerge)

A jogabilidade, gráficos e sons são muito bem explorados, fazendo bom uso do potencial do PS Vita: é possível notar claramente que este game foi feito para um smartphone ou tablet. Uma péssima situação que enfrentamos foi que ele travou várias vezes durante os testes.

  • Frederic – The Ressurection of Music