Desde os fliperamas, os games são uma forma incrível de socialização. Mesmo sem conhecer os outros jogadores, isso nunca foi um impedimento na hora de se divertir dirigindo rumo ao primeiro lugar em Daytona USA ou evitando o domínio alienígena em Alien Vs. Predator.

Com a chegada dos consoles caseiros, terminar um jogo acompanhado ou organizar um pequeno campeonato de Street Fighter, por exemplo, tornou-se também uma boa opção não só para passar o tempo, mas também para reunir-se com amigos e botar o papo em dia.

O que parecia consolidado viu grandes mudanças alguns anos atrás com a chegada das partidas online. Com a novidade, o fato de um amigo não poder ir a sua casa (ou morar em outra cidade) nunca foi um problema capaz de impedir duas pessoas de reviver a final da última copa do mundo no simulador de futebol de sua preferência, por exemplo, a qualquer momento.

Contudo, aquilo que parecia ter vindo para aumentar a experiência de jogo acabou por limitá-la. Focados nas modalidades online, os jogos atuais cada vez mais abandonam o multiplayer local em favor de partidas disputadas pela internet. A grande pergunta é: será que isso é o que as pessoas realmente querem?

Dividindo a tela 

 A divisão de tela (ou, se preferir o termo em inglês, splitscreen) é um dos elementos mais tradicionais nos video games. Apesar de ter apenas metade da televisão (ou um quarto em games como Mario Kart e GoldenEye), o sacrifício de uma área da tela, mesmo em televisores de 14 polegadas, sempre compensou pela diversão extra de jogar com os amigos.

A partir daí, seria lógico imaginar que com a criação dos televisores de alta definição, assim como com o aumento do tamanho médio dos aparelhos de TV, o multiplayer local ficaria ainda mais agradável. Ficaria, é claro, caso o modo ainda fosse comum.

Como a divisão da tela obriga o jogo a criar entre dois a quatro cenários simultâneos, é comum notar a queda de qualidade dos gráficos no multiplayer em relação às outras modalidades para evitar travar as partidas – algo que é notado em games como Call of Duty: World at War, por exemplo, no qual basta acionar o splitscreen para notar que a visibilidade do cenário cai pela metade do normal.

Enquanto a Activision mantém até hoje a modalidade na franquia, outros desenvolvedores decidiram abandonar o desenvolvimento da modalidade em favor da perfeição nos modos exclusivamente online.

Se for fazer, faça direito

Ao mesmo tempo, outros games que conseguem manter uma boa qualidade visual em seus modos de multiplayer local cometem outro pecado ao limitar as opções oferecidas aos seus jogadores.

Borderlands, por exemplo, é um título que só oferece a divisão vertical de tela – algo que corta parte do campo visual dos jogadores. Já games como Halo Reach e Uncharted 3, enquanto oferecem o corte horizontal (mais tradicional), mantém duas bordas pretas nos cantos da tela para manter as proporções originais do jogo.

Tudo isso pode até não se tornar um impedimento para a maior das pessoas. Ainda assim, quando o multiplayer local não recebe o mesmo cuidado que seu "irmão" online, quem prefere chamar os amigos para jogar em casa é prejudicado quase da mesma forma como se a modalidade estivesse ausente. 

A revolução online: o fim da era “um contra um”

Apesar de tudo, a predominância online atual não é consequência direta da criação de jogos online, sendo que é igualmente injusto afirmar que a internet acabou com a socialização dentro dos games.

Desde os primeiros MMOs – como Ultima Online – até o bem-sucedido World of Warcraft, o gênero pôde se orgulhar de ser o primeiro a permitir que jogadores do mundo inteiro se unissem para realizar seus objetivos. Ao mesmo tempo, não são raros os casos de pessoas que mantém contato com amigos conhecidos em jogos online, mesmo sem conhecê-los na vida real.

Sendo assim, seria mais correto afirmar que o grande problema do multiplayer local realmente criado pelos games online é outro: a expansão do multiplayer. Enquanto antigamente os desenvolvedores precisavam criar estágios para duas a quatro pessoas, atualmente (com exceção, talvez, de jogos esportivos e de luta) os games têm sido criados para comportar cada vez mais jogadores, precisando de cenários cada vez maiores.

Basta pensar em duas pessoas perdidas em qualquer mapa de Battlefield 3 ou MAG (games que comportam, respectivamente até 64 e 256 jogadores simultâneos) para entender como o desenvolvimento de jogos atualmente é algo completamente diferente do que foi há alguns anos atrás.

Pensando em todo mundo?

Ao criar modos de jogo para serem jogados online, no entanto, os desenvolvedores não deveriam limitar-se. Em Call of Duty: Modern Warfare 3, por exemplo, todos os modos multiplayer podem ser jogados pela internet ou localmente – sendo que nos modos competitivos dois amigos podem dividir a tela de uma televisão e conectar-se a outros jogadores em uma partida online.

Se as Spec Ops de Modern Warfare 3 podem ser jogadas localmente, não há nenhum impedimento (fora o capricho dos desenvolvedores) que justifique o fato da campanha cooperativa de Battlefield 3 estar disponível apenas online.

Do mesmo modo, títulos como Grand Theft Auto IV e Tony Hawk Pro Skater HD poderiam receber receber modos multiplayer offline sem nenhum problema. Basta lembrar que os dois jogos são herdeiros de franquias que fazem sucesso desde as últimas gerações, entre outros motivos, por conta de seu multiplayer diversificado.

E você, leitor. Sente falta de poder chamar os amigos em casa para jogar? Prefere games online? Depende do gênero de jogo? Não deixe de expor a sua opinião nos comentários!

Via BJ

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