Depois de um pequeno notebook analisado pela equipe do Baixaki (confira aqui a análise do HP Mini-Note PC 2133), chegou a hora de testar uma intrigante peça de hardware: o teclado Zboard, da SteelSeries. Só que dessa vez, o trabalho ficou com nosso colega Ricardo Fadel da equipe Baixaki Jogos. Confira abaixo sua análise sobre esse periférico.

O Zboard foi testado através do Windows Vista Home Premium 64 Bits em um notebook ASUS G50VT-X5, que esbanja em capacidades técnicas (4 GB de memória RAM DDR2, 300 GB de HD, processador Intel Core 2 Duo P7450 e uma placa de vídeo GeForce 9800M GS de 512 MB). Em geral, os testes correram muito bem, mas...

Flexível é a palavra-chave

Um teclado comum? Não exatamente

O Zboard é um teclado ligeiramente diferente dos demais. Bem, o conjunto testado conta com um suporte para teclados (é isso mesmo, uma base para que diferentes teclados sejam acoplados mecanicamente) e dois conjuntos de teclas: um padrão U.S. International e um para games do gênero FPS (tiro em perspectiva de primeira pessoa).

Mas, felizmente, conseguimos brincar com um terceiro conjunto de teclas: World of Warcraft: Wrath of the Lich King, criado especialmente para a expansão do famoso MMORPG da Blizzard. Os testes foram satisfatórios, mas a propaganda sobre as características é muito maior — e melhor — que os resultados gerados pelos testes, como veremos a seguir.

Curiosamente prático

Não há como negar que o Zboard é um periférico extremamente prático. É ridiculamente fácil desmontar e montar teclados diferentes no suporte fornecido pela SteelSeries. E o melhor: durante a execução de aplicações. Uma vez que o driver (software de funcionamento) da Z Engine esteja instalado propriamente, não há a entediante necessidade de reiniciar o computador a cada troca de teclados.

Porém, se o usuário não baixar o driver diretamente do site oficial e testar os kits de teclas diretamente, as funcionalidades ficam extremamente limitadas. Como o esperado, o Windows Vista reconhece apenas as funções básicas das teclas se o periférico for conectado diretamente na porta USB sem a instalação do driver proprietário da SteelSteries.

Ficamos alguns dias com os teclados em mãos, testando cada kit com três aplicativos diferentes: Microsoft Word, World of Warcraft: Wrath of the Lich King e Call of Duty 4: Modern Warfare. Os resultados foram surpreendentes... No sentido ruim da palavra, infelizmente.

Confira abaixo os três esquemas de funções utilizados pelo Baixaki nos testes:

Esquema padrão.

Esquema FPS para CoD 4.

Esquema para WoW: WOTLK.

Beleza... Mas funciona?

Sim, funciona. E muito melhor que o esperado. É claro que há uma série de inconveniências que aparecerão nesta análise, mas nada que envolva o "não-pressionar" das teclas ou qualquer tipo de mal funcionamento físico.

Devemos afirmar que, em comparação com outros teclados de pequeno/médio custo, o Zboard não é muito confortável. Ao primeiro contato, os botões aparentam estabilidade, mas, com alguns dias de uso contínuo, o teclado se mostra estranhamente desconfortável e "mole", fazendo com que o proprietário faça a famosa pergunta repetidamente: "Será que fiz um bom negócio ao comprar isto?".

Dobráveis, mas estranhamente desconfortáveis.

Isso vale para todos os três conjuntos de teclas. O mais familiar ao contato físico (o conjunto padrão, é claro) não é tão bom quanto outros teclados equivalentes que os usuários de escritório podem adquirir por preços baixos. Para games, há os kits fabricados sob medida, mas quem está realmente acostumado com o conjunto padrão de botões pode repelir a experiência com extrema facilidade. Vejamos as principais causas dessa "estranheza":


Padrão

Ei, por que esta barra de espaço está cortada ao meio?


É óbvio que, para atingir a facilidade de mobilização dos diferentes kits (cada um pode ser literalmente dobrado em três partes), os fabricantes do Zboard tiveram que atingir um meio-termo entre eficiência e praticidade. Dessa forma, botões "moles", certas teclas mais baixas que outras e uma barra de espaço cortada em duas partes foram alguns dos problemas gerados.

Nenhuma inovação, a não ser as dobradiças

A montagem dos teclados, em geral, é fácil. Há um forte prendedor na parte lateral direita de cada conjunto de teclas para que o teclado fique encaixado de forma justa na base. O medo que pode tomar conta de certos usuários é que as teclas não fiquem corretamente encaixadas nos pequenos suportes de borracha correspondentes. Mas os fabricantes fizeram um excelente trabalho nesse aspecto.

Ao observar com atenção a face que não é voltada para o usuário, é possível perceber que todo o kit é de plástico, com a exceção de um chip localizado no canto do teclado. O chip faz com que o Z Engine detecte qual conjunto de teclas foi acoplado à base para automaticamente escolher um conjunto de funções compatível com o teclado em uso.

Enfim, o teclado padrão que acompanha o Zboard (mais uma vez, padrão U.S. International) é razoável para o uso ocasional em textos, mas não recomendamos o uso contínuo desse kit para escrever durante horas seguidas. O conjunto padrão não oferece muita segurança e, apesar de funcionar relativamente bem, não convence. Se você já está muito acostumado com outro teclado, avisamos: cuidado com a troca.


FPS

Uma "build" infeliz


O pior dos conjuntos. A disposição das teclas remanejadas resultou num tremendo desastre. Para quem está acostumado com o bom e velho WASD dos teclados comuns, o Zboard para games de tiro é horrível. Para iniciantes (realmente iniciantes), talvez o teclado seja interessante. Ainda assim, o tamanho da mão do usuário é fundamental para a adequação ao conjunto de teclas.

Nem um pouco anatômico, o teclado FPS contrasta fortemente com o padrão regular de botões quadrados comumente utilizados pelos jogadores. Por mais que o usuário mexa exaustivamente na configuração dos botões através do Z Engine, não há como evitar o fato de que o design e a disposição das teclas principais (W, A, S, D, Q, E, Left Control, Z, X...) prejudicam intensamente a jogabilidade em qualquer game.

Muito pouco eficaz

Com Call of Duty 4: Modern Warfare, os testes foram decepcionantes. Tendo em vista que os botões de Crouch (agachar, botão C) e Left Control são separados, esperávamos que a mão fosse encaixada perfeitamente no conjunto de teclas. Mas essa separação foi muito deprimente. Antes houvesse apenas um enorme botão circular — ou melhor, quadrado — para a função mundialmente utilizada pelos fãs de FPS.

Quer digitar para se comunicar com outros jogadores? Boa sorte, as demais teclas estão dispostas de modo absurdo, pois há uma grande lacuna que separa algumas letras das outras. Fale com outras pessoas através de recursos vocais, pois chat digitado... Sem chance.

Tente não colocar suas mãos neste teclado

Não há teclado numérico, e muitas outras teclas estão agrupadas, sinalizando uma "economia" de botões. Para quê? Não fazemos a menor ideia. O conjunto FPS é o que apresenta o pior polimento, dentre os três teclados experimentados.


World of Warcraft: Wrath of the Lich King

Apenas para quem joga sem limites


Ou nem isso. O teclado exclusivo para a mais nova expansão de WoW impressionou à primeira vista, mas logo se provou um tanto inútil. Depois de várias horas com testes em combates PvE (jogador contra AI) e PvP (jogador contra jogador), não há como afirmar que o teclado é indispensável para qualquer gamer que jogue o MMO.

Auxílio apenas em alguns quesitosEste é o conjunto que melhor aproveita o espaço deixado pela exclusão do teclado numérico. Na parte direita, há um painel com botões exclusivos para uso in-game, mas a maior parte das funções apresentadas são secundárias dentro de WoW. Além disso, as funções são muito mais direcionadas para o aspecto PvE, no qual a comunicação entre os jogadores de um mesmo grupo é primordial.

É claro que o Z Engine oferece boas possibilidades de "bindings" (personalização de comandos), mas isso o próprio game oferece. Para quem não quer nem se aproximar do software e quer usufruir apenas o que o teclado apresenta por padrão, a decepção é iminente. Há botões perigosos que podem ser ativados com apenas um toque, como Roll, decisivo no sorteio de itens, e Auto Run, que pode deslocar o personagem automaticamente.

O teclado é interessante, mas os adesivos colados para a ilustração dos comandos existentes é de baixíssima qualidade. Os botões circulares poderiam ser mais confortáveis se fossem substituídos por teclas quadradas. De modo geral, quem já possui configurações de ataques e comandos em um teclado comum e não joga WoW no modo PvE de forma exaustiva (mais de 10 horas por dia), não há necessidade de adquirir este periférico.


Conclusões finais

E aí, comprar ou não?


O trio da alegria? Nem tantoÉ curioso constatar que, para cada teclado, a necessidade muda. O FPS, por exemplo, é muito mais recomendado para iniciantes no gênero, enquanto o teclado padrão não apresenta nenhuma vantagem em relação aos demais teclados equivalentes existentes no mercado, tanto para iniciantes quanto para experientes em digitação. Enquanto isso, o teclado de WoW não é muito direcionado para quem joga exaustivamente em PvP.

Bem, é claro que o Zboard tem seus charmes. Em todos os conjuntos, há ilustrações que ajudam bastante a aprendizagem de comandos extras com o auxílio de teclas auxiliares, como SHIFT, CTRL e ALT. Vale relembrar que a montagem e desmontagem dos teclados são atos simples e práticos, tornando a limpeza do suporte e dos próprios teclados extremamente fácil.

Pequenos bugs aumentaram a lista de contras do jogo. Em alguns momentos, o teclado de WoW simplesmente não respondeu ao toque de certos botões. No teclado padrão, um pequeno "glitch" de luz foi visível no pressionar da tecla Bar Lock (que, como o Pad Lock, bloqueia alguns botões).

A base do Zboard possui uma série de botões de atalho interessantes, mas duros e pouco chamativos. É possível controlar o volume e a seleção de músicas através dessas teclas, bem como a abertura de alguns aplicativos, como o próprio Z Engine.

Infelizmente, todos os conjuntos de teclas apresentaram uma terrível falta de polimento. Os fabricantes poderiam ter caprichado muito mais em vários aspectos: resistência dos botões, disposição de botões, qualidade dos adesivos ilustrativos, layout geral, uniformidade de altura e espaçamento...

Será que tudo isto vale 70 dólares?

Dito isso, pode-se afirmar que gastar aproximadamente R$ 200 só com o teclado padrão (até mesmo porque todo o conjunto — base mais os três teclados — custa US$ 69,99 nos EUA) não é um investimento interessante.

espacamento

Esta análise foi escrita com o uso do próprio Zboard. Confortável? Não. Desconfortável? Também não. Uma palavra poderia resumir significativamente o resultado dos testes com os periféricos: indiferença. A surpresa com a montagem e desmontagem dos teclados (a maior inovação do Zboard) se esvaiu após poucas horas de teste.

Conheça mais informações sobre os periféricos da SteelSeries acessando o site oficial da empresa.

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