Um único vídeo foi o suficiente para fazer com que gamers e desenvolvedoras voltassem suas atenções a um pequeno estúdio australiano. E não foi para menos, afinal, a proeza da Euclideon com o chamado Unlimited Detail promete revolucionar a criação de jogos e oferecer um salto grandioso na qualidade visual das futuras produções.

Porém, até o momento, a forma com que a tecnologia funciona continua um mistério, pois a própria empresa se nega a revelar o funcionamento da novidade, prometendo mais informações em breve. Isso não impediu, no entanto, que o presidente da companhia, Bruce Robert Dell, desse uma rápida explicação sobre o que pode ser o próximo passo da computação gráfica.

A essência da matéria: o átomo

Esqueça a Geometria e relembre a Física

(Fonte da imagem: GritBit)

Para entender o funcionamento da Unlimited Detail é preciso ter em mente que um polígono é uma pequena superfície usada para dar forma aos elementos de jogos. Como ainda é impossível criar algo perfeitamente redondo, os programadores usam diversas dessas estruturas para simular o efeito, sendo preciso uma quantidade maior de polígonos cada vez menores para que nosso olho consiga ver esse arredondamento. No entanto, isso é algo que exige muito processamento, o que torna o processo limitado.

É aí que está o grande segredo da tecnologia da Euclideon. Ela abandona o uso desse tipo de artifício para dar lugar aos átomos — polígonos tão pequenos que deixam de ser uma superfície para se transformarem em pontos. Assim como as partículas que você aprendeu nas aulas de Física, essas microestruturas se agrupam para dar forma aos elementos do jogo, criando uma espécie de nuvem.


Em comparação ao método de modelagem atual, esse aglomerado se difere exatamente por não ter de simular a curva do objeto, pois os átomos se organizam de forma que esse arredondamento aconteça de forma natural.

O milagre australiano

Como toda tecnologia, essa nuvem atômica tem seu preço. Por ser algo que realça os detalhes a níveis muito acima do padrão atual, é preciso um hardware incrivelmente potente para dar vida a tudo isso ao mesmo tempo. Existem vários estudos que tentam viabilizar esse recurso, mas nem todos conseguiram resultados satisfatórios. Exceto a Euclideon.

A empresa australiana não detalhou exatamente como o Unlimited Detail irá funcionar, mas explicou que não se trata de nenhum método conhecido — como Voxel ou Ray-Tracing —, mas de algo completamente novo.


Dell menciona o chamado search algorithm, uma forma de fazer com que a renderização aconteça somente nas áreas exibidas pela câmera. Isso permite que a memória do computador ou do console não seja sobrecarregada, pois o processamento é apenas de um número limitado de objetos, não do cenário por completo. O próprio presidente da Euclideon compara o funcionamento do recurso com a ferramenta de busca do Microsoft Word: pode haver dezenas de páginas escritas, mas ele irá exibir somente aquilo que você estiver procurando.

Desse modo, um estúdio traria uma quantidade ilimitada de detalhes sem ter de se preocupar com limitações de hardware, chegando a um resultado semelhante ao apresentado pela companhia australiana. Mais do que isso, qualquer máquina seria capaz de rodar games com essa qualidade, pois a própria companhia garantiu que usou um laptop com um processador Core i7 de apenas 2 GHz para rodar as imagens do vídeo.

Tem poeira na sua tela

E isso é algo extremamente positivo

A demonstração do Unlimited Detail chamou a atenção de todos exatamente por causa da riqueza de detalhes na ilha criada. Em determinados momentos da exibição, por exemplo, era possível conferir os torrões de terra no chão e a complexidade de um tronco de árvore, algo que os polígonos não conseguiriam trazer com tanta qualidade.

Por mais que tenhamos evoluído muito na polidez desse recurso, ele ainda não consegue atingir um resultado extremamente realista. Elementos que merecem pouca atenção na cena recebem um tratamento bem simples para liberar memória para a criação de objetos mais importantes, como os personagens.


É por isso que o vídeo da Euclideon cita o chão exatamente como um dos objetos que irá se beneficiar com a nova tecnologia. Se hoje se trata apenas de uma superfície lisa e coberta com a fotografia de um terreno qualquer, o search algorithm do Unlimited Detail permite que os desenvolvedores criem estruturas realistas sem o medo de que isso prejudique o jogo em outros aspectos.

Com essa liberdade, os artistas podem modelar desde pequenas pedras em uma estrada ao volume das raízes na terra. A demonstração deixa isso muito claro, pois a tecnologia realmente nos oferece uma quantidade absurda de detalhes.


Para exemplificar, Dell cita o sempre elogiado Crysis. Em uma árvore do jogo da Crytek, o tronco possui lados planos preenchidos com uma simulação de textura, já que não se trata de algo essencial no game. Em seguida, o presidente do estúdio australiano mostra como a nuvem atômica consegue criar estruturas muito mais complexas.

O que é real?

Outro ponto que colabora para ampliar a riqueza de detalhes do Unlimited Detail é a possibilidade de escanear objetos reais, transportando-os para dentro de um jogo. O vídeo demonstrativo exibe uma pedra que possui o mesmo formato, textura e detalhes de uma rocha de verdade, provando o quão incrível é o potencial da nova tecnologia.


Isso também pode ser usado para criar itens fictícios, como no caso do cacto. A partir de folhas da planta, a Euclideon conseguiu dar vida a outro tipo de vegetação, mas respeitando todas as mínimas particularidades. Dell ainda cita que, com um pouco de criatividade, é possível adicionar asas, pele de tigre ou o que mais você imaginar.

Do polígono ao átomo

Outra proeza prometida pela Euclideon é a possibilidade de converter os tradicionais polígonos na nuvem de átomos. A ideia é usar isso como uma forma de aumentar a aceitação do Unlimited Detail entre os próprios desenvolvedores, pois não seria preciso reaprender a trabalhar com o novo método, apenas se livrar dos limites.

Em outras palavras, os programadores poderiam abusar da quantidade de polígonos sem o medo de que o hardware não consiga suportá-los, pois tudo isso será convertido na nuvem atômica e osearch algorithm evitaria que o desperdício de processamento.

Será verdade?

A revolução ou o conto do vigário

Apesar de tudo, o Unlimited Detail está longe de ser perfeito. Alguns elementos muito importantes não foram exibidos, como a iluminação e o sistema de impactos da engine. O desempenho é outro problema, pois o resultado apresentado roda a apenas 20 quadros por segundo e não possui nenhuma ação.


Além disso, vários nomes importantes da indústria de games duvidam da veracidade dos avanços da Euclideon, chegando ao ponto de acusá-la de fraude. John Carmack, da id Software, duvida da viabilidade dessa qualidade gráfica nos sistemas atuais — algo que o próprio Robert Dell afirmou que não é verdade. Já Markus Persson, criador de Minecraft, foi mais agressivo e disse que o estúdio australiano deseja somente atenção para atrair investidores para, então, sumir do mapa.

Segundo ele, seria preciso uma quantidade absurda de espaço de armazenamento para suportar todos os dados prometidos pelo Unlimited Detail. De acordo com os cálculos feitos em seu blog oficial, seriam necessários cerca de 512 petabytes, algo praticamente impossível para os padrões atuais.

Via Baixaki Jogos

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