A menos que você seja como a minha namorada, que gosta de transformar GTA em uma espécie de The Sims melhorado e dirige pelas cidades do jogo obedecendo placas e semáforos e respeitando os pedestres, então é provável que você não ache que os games da franquia são um bom treinamento para a condução no mundo real. Por incrível que pareça, no entanto, pesquisadores da indústria automotiva discordariam dessa afirmação, já que estão usando o game para aprimorar a inteligência artificial responsável por guiar veículos autônomos.

Por mais que grandes companhias, como Ford, Uber e Waymo (da Alphabet), tenham planos de lançar seus carros sem motoristas dentro de alguns anos, os algoritmos ainda têm muito o que aprender antes de conseguirem reagir a todo tipo de situação que pode acontecer nas ruas. A velocidade de obtenção de dados por automóveis reais equipados com os sensores necessários, no entanto, é muito lenta, de forma que se torna necessário incluir simuladores no processo – e é aqui que GTA entra.

Mundo rico

GTA V tem um mundo tão rico que funciona como um simulador para os carros autônomos

Os jogos lançados hoje em dia conseguem ser realistas o suficiente para gerar informações muito parecidas com o que é visualizado por carros autônomos nas ruas e estradas do mundo real. O título mais recente na franquia da Rockstar Games, GTA V, conta com ao menos 262 tipos de veículos, mais de mil variantes de pedestres e animais, 14 condições climáticas e incontáveis placas, semáforos, pontes, túneis e cruzamentos – isso sem falar nos absurdos do jogo, é claro.

Ano passado, cientistas da Darmstadt University of Technology, na Alemanha, e da Intel Labs desenvolveram um sistema capaz de extrair informação visual diretamente do título da Rockstar. De lá pra cá, pesquisadores modificaram algoritmos derivados do software de Grand Theft Auto V para usá-los no aprimoramento das IAs dos carros autônomos.

Obviamente, as rodovias e ruas da cidade fictícia de Los Santos não são substitutos perfeitos para o mundo real, mas o fato é que a quantidade de variáveis imprevisíveis no game consegue chegar relativamente perto da realidade. “[O jogo] é o ambiente virtual mais rico do qual poderíamos extrair dados”, afirma Alain Kornhauser, professor de Princeton University que atua como conselheiro do time de Engenharia de Veículos Autônomos da instituição.

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