O designer de games Noah Falstein, um dos responsáveis pelo clássico Indiana Jones and the Fate of Atlantis, foi contratado pela Google em 2013 para assumir a posição de chefia na criação de jogos da companhia. Nesta quinta-feira (6) ele anunciou sua saída, já que a empresa não estaria muito interessada em investir nos projetos de novos títulos.

A oportunidade de realmente construir os jogos grandes e para os quais tinha sido contratado para ajudar a criar não se materializou

“Quatro anos atrás me tornei designer da Google. Parecia um momento promissor para realizar jogos em uma empresa conhecida por sua tecnologia de abrangência mundial. Infelizmente, a oportunidade de realmente construir os jogos grandes e para os quais tinha sido contratado para ajudar a criar não se materializou, mesmo com o mercado em crescimento de tamanho, diversidade e alcance geográfico. Assim, decidi deixar o Google", justificou Falstein.

Falstein foi um dos criadores do clássico Indiana Jones and the Fate of Atlantis

Ainda que o hit Pokémon Go tenha nascido na Niantic Labs no interior da Gigante das Buscas, nenhum outro grande título saiu de lá; depois disso o próprio laboratório se separou para se tornar um grupo à parte.

Uma companhia de plataformas e não de jogos

Está bem claro que a Google prefere ser uma empresa direcionada a oferecer ferramentas para plataformas e não uma criadora de games. Afinal de contas, a empresa já tem uma posição confortável com a receita que recebe via comissão de vendas na Play Store.

Google recebe  30% nas vendas via Play Store e movimentou aproximadamente US$ 4,1 bilhões em 2016.

A companhia de Mountain View cobra 30% ao comercializar os títulos via loja virtual, que, de acordo com pesquisa de mercado da Newzoo, movimentou aproximadamente US$ 4,1 bilhões em 2016. “A Google é grande e sei que vou perder as vantagens, a emoção e, acima de tudo, meus colegas de lá. Mas com 37 anos como desenvolvedor profissional, fazer jogos está no meu sangue. Não estou pronto para desistir, certamente não quando há novos campos excitantes apenas se abrindo", comentou Falstein.

Próximo passo

Falstein está particularmente interessado em se dedicar mais aos jogos de realidade virtual (virtual reality — VR) e neurociência. “Antes de eu chegar à Google, tive o prazer de trabalhar em vários títulos de jogos de saúde e neurociência, e esse campo agora está amadurecendo. Penso em entrar no negócio para atuar tanto em termos de benefícios para a humanidade quanto de viabilidade", disse.

"Relacionado a isso, acho que as conexões emocionais possíveis na VR, mais proeminentemente mostradas na empatia evocada por uma sensação de proximidade física e contato visual que nenhuma tecnologia anterior pôde igualar, vai abrir uma nova fusão de filmes, interação e jogos — algo que até pode precisar de um novo nome.”

O designer de games ainda não sabe exatamente com o que vai trabalhar, porém já adiantou que deve ser algumas dessas áreas já citadas e tudo o que for novidade. “A única maneira de eu ou meus colegas de longa data nos mantermos atualizados em uma indústria que está mudando constantemente é evoluir para atender a esse ambiente de adaptação. Se neurogaming, filmes de VR interativos ou algum outro território ainda não sonhados devem ser meu próximo desafio, então estou ansioso para começar a explorar!"

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