O início da geração Xbox 360 e PlayStation 3 mudou um pouco a maneira como tratamos games em seu lançamento. Se antes um título para consoles de mesa permanecia sempre o mesmo desde sua chegada às lojas, as conexões à internet oferecidas por esses dispositivos permitia que produtoras investissem em DLCs e patches com correções de bugs e aprimoramentos de desempenho.

Na teoria, essas soluções — já conhecidas de alguma forma por quem jogava no PC — deveriam trazer somente benefícios. Afinal, não era mais preciso ser condenado a jogar um título “quebrado” caso você decidisse investir seu dinheiro em um produto cuja equipe da produção não se mostrou muito atenciosa.

Apesar de isso ter acontecido em certa medida, é difícil se desvincular da impressão que essa comodidade também é usada para permitir que empresas trabalhem de forma mais “preguiçosa”. Isso porque, ao colocar um jogo novo em um console de mesa, é cada vez mais raro conseguir escapar dos famigerados “patches de dia 1” — o que elimina a antiga tradição que envolvia colocar um disco em um video game e estar se divertindo em questão de segundos.

Por que isso acontece?

Para entender a existência dos patches de dia 1, é preciso entender um conceito conhecido como “ir a Gold”. Quando um game atinge esse patamar, isso significa que ele está respeitando as regras que Sony, Microsoft ou Nintendo estabeleceram para ele ser publicado nas plataformas disponíveis no mercado.

No entanto, isso não significa que os times de desenvolvimento envolvidos em um projeto param de trabalhar assim que isso acontece. Eles simplesmente “embalam” o código disponível no momento e os enviam aos responsáveis pela produção de cópias físicas e para serem autenticados pelas empresas donas das plataformas digitais onde os projetos são distribuídos.

Assassin's Creed Unity

Enquanto esses processos acontecem, é comum que a equipe de produção continue buscando bugs e trabalhando em conteúdos adicionais que não puderam ser incluídos na versão que foi a Gold. Não raras vezes, as correções e adições resultantes desse trabalho ficam prontas antes de o jogo ser lançado oficialmente — o que resulta nos conhecidos “patches de dia 1”.

Infelizmente, essa comodidade traz consequências que nem sempre são muito boas. Entre elas está o fato de que essas correções estão associadas a transferências de arquivos relativamente grandes — Borderlands: The Handsome Collection, por exemplo, exige um download de 16 GB no Xbox One e de 8 GB no PlayStation 4 para funcionar corretamente.

Também há casos em que as “atualizações” nada mais são que o download de componentes essenciais de um jogo que não cabiam no espaço oferecido pelo disco que foi enviado às lojas. Em Halo: The Master Chief Collection, por exemplo, os consumidores são forçados a baixar todo o componente multiplayer do título para seus discos rígidos por conta dessa situação.

Esse problema é um tanto grave quando levamos em consideração que muitas pessoas possuem conexões de internet com velocidade limitada ou sequer têm acesso à rede. Também não contribui em nada o fato de que muitos desses patches demoram um tempo considerável para serem lançados, dando a impressão de que desenvolvedores e publicadoras não se preocupam em oferecer “produtos quebrados” para quem decidiu investir em pré-compras ou não quis esperar por uma promoção.

A alternativa

Ciente do incômodo que patches de dia 1 provocam, muitas empresas recorrem ao adiamento de seus jogos. Embora isso possa gerar certo descontentamento por parte do público, fato é que são muito raros os casos de games com qualidade indiscutível que foram criticados por demorarem a chegar às lojas — The Last of Us pode ter sofrido muitas críticas, mas nenhuma delas destacou os adiamentos feitos pela Naughty Dog.

The Last of Us

Uma empresa que costuma adotar essa filosofia é a Nintendo, conhecida por lançar experiências bastante polidas assim que seus títulos chegam ao mercado. Apesar de em anos recentes a companhia ter adotado a prática de oferecer patches para alguns de seus jogos, são muitos raros os casos em que seus fãs são obrigados a baixar alguma atualização para que algum game recém-comprado possa funcionar.

Embora nem mesmo adiamentos garantam que um título não vá ter um patch em seu primeiro dia, fato é que dar mais tempo a desenvolvedores geralmente resulta em experiências com menos bugs e instabilidades. No entanto, sabemos que a indústria de games também tem que respeitar prazos e janelas de lançamentos, o que impossibilita que a maioria dos estúdios — especialmente os pequenos — consigam extensões de prazo para melhorar seus projetos.

A aceitação do público contribui para a situação

Pode parecer meio óbvio, mas a normalização dos patches de dia 1 acontece por uma questão meramente comercial. Embora seja comum (e aceitável) que muitas pessoas reclamem dessas atualizações, fato é que muitos poucos consumidores estão dispostos a abrir mão da oportunidade de comprar um jogo assim que ele chega às lojas.

A isso podemos ligar a famosa “cultura do hype” e ao costume que muitos têm de comprar games de forma antecipada para ganhar algum bônus especial. Especialmente nos Estados Unidos, as empresas da área tendem a oferecer uma série de conteúdos adicionais “exclusivos” para quem decidir investir meses antes em um jogo sem ter qualquer garantia de sua qualidade.

Fallout 4 tem um patch de dia 1 relativamente pequeno

Somando a aceitação dos consumidores a essas práticas que lhes prejudicam com a falta de disposição que certas empresas têm de oferecer experiências completas, cria-se a situação em que a indústria se encontra atualmente. Infelizmente, são poucos os indícios de que as atualizações de dia 1 sejam eliminadas nesta geração ou em consoles futuros, especialmente no que diz respeito a jogos grandes que devem responder a prazos estritos de desenvolvimento.

A solução para não se estressar? Esperar. Tanto em consoles quanto no PC, muitos títulos só se tornam experiências realmente completas e estáveis meses após terem sido lançados oficialmente. Reconhecemos que isso nem sempre é algo viável por diversos motivos, mas atualmente essa parece ser a única solução para quem deseja escapar de possíveis dores de cabeça — trazendo como vantagem o fato de que quase sempre isso permite economizar dinheiro de alguma forma.

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