Em 2011, um terremoto de magnitude 9.0 atingiu uma região costeira do Japão, causando um enorme tsunami. Além das mortes e desastres que um fenômeno como esse pode causar, houve outro grande problema: as usinas da província de Fukushima foram afetadas, causando um grande vazamento de material radioativo.

Mesmo quatro anos após o acidente, a recuperação dos danos ainda é lenta, difícil e, principalmente, muito cara. Uma auditoria realizada pelo governo japonês indica que um terço – ou seja, centenas de milhões de dólares – do dinheiro foi desperdiçado. A primeira suspeita foi de que o valor havia sido desviado por esquemas de corrupção, mas não foi bem isso que aconteceu.

Nem a tecnologia ajuda

A parte do orçamento gasta não foi perdida para a corrupção, e sim para a tecnologia mal utilizada. Os processos de retirada dos resíduos e a recuperação das áreas afetadas utilizaram as mais criativas, diferentes e bizarras soluções, mas todas falharam ou se mostraram pouco efetivas.

A Tokyo Eletric Power Co – ou Tepco – é a grande responsável pela limpeza dos materiais radioativos, mas ela não sabe muito bem como fazer isso. A primeira tentativa tentou congelar toda a água contaminada em trincheiras, criando grandes muralhas de gelo. Entretanto, o resultado não foi bom.

O líquido não se mantinha congelado nas fissuras, e a companhia se viu obrigada a enterrar os dejetos nocivos com cimento. O projeto custou ao todo US$ 840 mil (cerca de R$ 2,65 milhões), uma pechincha perto do gasto que outras tecnologias custaram.

Apelando para a tecnologia estrangeira

Quando a solução japonesa não funcionou, parte do orçamento foi gasto no contrato com a empresa francesa Aresa AS, que prometeu que teria uma maneira para ajudar na recuperação de Fukushima. Mais uma vez, a solução não funcionou.

O método utilizado pela companhia consiste em adicionar na água contaminada metais e outros elementos químicos, que se prendem aos resíduos e decantam até o fundo do oceano. Posteriormente, a camada tóxica é retirada e enterrada em outro local. Entretanto, esse método é altamente criticado por biólogos e pela Comissão Regulamentadora Nuclear.

Além de utilizar uma técnica criticada mundialmente, ela não deu certo. As máquinas foram compradas pelo valor de US$ 270 milhões (cerca de R$ 850 milhões) e foram deixadas de lado em poucos meses de uso.

Outros métodos gastaram mais de US$ 134 milhões (cerca de R$ 422 milhões) e também não foram efetivos. Infelizmente, o investimento em tecnologias erradas tem custado muito ao Japão – tanto financeiramente ao governo quanto na forma de transtornos à população – e ao meio ambiente.

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