A situação dos brasileiros moradores de favelas é, definitivamente, bastante complicada. As construções, nesses lugares, nascem de forma desordenada e sem planejamento algum. Essa situação prejudica muito a oferta de serviços básicos, como a simples entrega de correspondências, por exemplo.

No entanto, um projeto que começou de uma forma aparentemente arcaica planeja pôr um fim nesse tipo de situação. E a ideia está começando na maior favela do país, a Rocinha, localizada no Rio de Janeiro.

O sistema, batizado de Carteiro Amigo e desenvolvido pelo brasileiro Carlos Pedro, usa papel e caneta para anotar cada elemento de uma rua, seja ela tradicional ou “desorganizada”, como a maioria das vias nas favelas. Depois, todos esses dados são enviados para um algoritmo, que cria um mapa através deles e é utilizado pelo sistema de entrega proprietário da empresa.

A grande dificuldade encontrada pelos sistemas tradicionais de mapeamento, como o da Google e do Bing, é que eles têm como base características visuais. Como nas favelas não houve planejamento, muitas estruturas estão escondidas ou não estão sendo utilizadas para o propósito que foram construídas. Um telhado, por exemplo, pode estar sendo utilizado como uma "via" pelos moradores da região.

Outro grande problema relatado pelos criadores do Carteiro Amigo é o desencontro de informações dos próprios moradores. Não há consenso de onde uma rua começa e termina, por exemplo. Para poder colocar o sistema em funcionamento, entretanto, foi necessário estabelecer um ponto inicial para cada via, beco ou ruela.

A ideia tem dado muito certo e os moradores aprovaram a solução. Os criadores do projeto, obviamente, não revelam detalhes do funcionamento do mapa ou do algoritmo utilizado para construí-lo. Sabe-se, porém, que cada residência recebe um número, que cresce à medida que mais casas são cadastradas.

Para poder receber as correspondências, os moradores precisam pagar uma taxa de R$ 16 mensais. Pode parecer muito para um serviço que deveria ser prestado gratuitamente, mas o governo não é obrigado a entregar cartas e produtos a terrenos que não estejam regulares.

O Carteiro Amigo não é exatamente uma ideia nova e já está em funcionamento desde 2000. No entanto, o projeto tem ganhado destaque nos veículos de comunicação e despertou o interesse até da Google. Os criadores da iniciativa, no entanto, recusam-se em compartilhar a solução e não permitiram que a companhia registrasse em fotos o mapa criado pelo algoritmo proprietário.

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