(Fonte da imagem: Reprodução/Solid Rain)

A falta de água é um problema global crescente, ao qual não podemos mais ignorar e fazer de conta que não existe – nossa vida depende dessa substância, e é preciso encontrar soluções com urgência para evitar o desperdício dessa fonte natural.

Segundo a ONU, grande parte da água potável disponível hoje é utilizada na irrigação do solo para o cultivo de alimentos, e pesquisadores têm estudado possibilidades para reduzir esse uso de água na agricultura sem prejudicar o setor.

Uma das soluções que têm chamado a atenção da comunidade científica é o pó de “chuva sólida” criado pelo engenheiro químico mexicano Sérgio Jesus Rico Velasco. Esse produto é capaz de absorver uma grande quantidade de água e ir soltando a substância no solo aos poucos, ao longo do tempo, para alimentar as plantas mesmo durante a seca.

Aplicações na agricultura

A “chuva sólida” é uma espécie de pó feito de um tipo de polímero absorvente. Originalmente criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nos anos 1970, o material teve uma aplicação comercial conhecida em fraldas de bebê, para segurar o xixi dos pequenos.

O mexicano Velasco fez uma modificação nessa fórmula para conseguir aplicar o produto no solo. Dessa forma, em vez de apenas reter o líquido e cristalizá-lo, seu pó é capaz de soltar a água aos poucos e manter as plantas hidratadas.

(Fonte da imagem: Reprodução/Solid Rain)

A goma de “chuva sólida” pode absorver água em volumes até 500 vezes maiores ao seu tamanho. Ela funciona como um reservatório subterrâneo que se prende às raízes das plantas. Esse pó ajuda a capturar toda a água que geralmente seria desperdiçada, por escoamento ou evaporação, e a reaproveitar cada gota na agricultura.

Supergoma contra a seca global

A empresa de Velasco já está no mercado há dez anos, mas agora começa a conquistar territórios fora do México, chamando a atenção de países que sofrem com a seca, como a Austrália e a Índia.

De acordo com o empresário, o seu produto pode durar até 10 anos no solo, dependendo da qualidade da água utilizada na irrigação. Velasco garante que a goma de “chuva sólida” é completamente natural e não é tóxica, e que o pó se desintegra por completo após os anos de uso.

A empresa recomenda usar cerca de 50 quilos do produto por hectare (10 mil metros quadrados), embora essa quantia custe cerca de US$ 1.500 (o equivalente a R$ 3.500).

Há, porém, quem critique o material e duvide de sua eficiência. A Dra. Linda Chalker-Scott da Washington State University, nos Estados Unidos, acha que não há qualquer novidade no produto de Velasco, dizendo que o pó é similar a outros componentes conhecidos por qualquer jardineiro.

“Há um problema adicional na utilização de géis. Assim que eles começam a secar, eles sugam toda a água ao seu redor vigorosamente. Isso significa que eles vão tirar a água diretamente das raízes das plantas”, disse a especialista.

Para a doutora, que conduziu uma pesquisa com transplante de árvores, é mais barato utilizar lascas de madeira misturadas à terra, que têm o mesmo efeito de reter e umedecer o solo sem a necessidade de acrescentar um produto sintetizado em laboratório.