Por muitos anos, os Estados Unidos reinaram soberanos quando o assunto era os supercomputadores. De uns tempos para cá, entretanto, o país norte-americano viu a China tomar o posto de principal repositório desse tipo de máquina, chegando ao ponto de ter o seu supercomputador mais poderoso com apenas um quinto da potência de sua contraparte chinesa.

Para evitar que a China dê um passo ainda mais adiante, o Departamento de Energia, órgão do governo dos Estados Unidos, liberou US$ 258 milhões para a Hewlett Packard Enterprise (HPE) e outras empresas a fim de que a companhia crie o primeiro supercomputador capaz de rodar processos a nível de exoescala do mundo.

Exoescala?

A capacidade de processamento de um computador é medida em FLOPS e, atualmente, os supercomputadores todos operam na casa dos petaflops. O passo seguinte são os exaflops (1 exaflop = 1.000 petaflops), e ainda não há nenhuma máquina com essa capacidade. Mas, ao que tudo indica, a China está quase lá: o país asiático afirmou em janeiro que a primeira máquina de exoescala do mundo fica pronta ainda neste ano, com funcionamento pleno programado para 2020.

Obstáculos pelo caminho e referência

Segundo aponta o Ars Technica, há três problemas básicos para a criação da supermáquina. O primeiro deles envolve a questão energética, visto que esse tipo de computador consome muita energia tanto para colocar seus circuitos para funcionar e quanto para manter tudo refrigerado. Outro problema a ser superado é a arquitetura necessária para interligar todos os processadores e chips de memória desse monstro computacional.

The Machine, o protótipo da HPE apresentado no ano passado, terá papel crucial na criação do novo supercomputador dos EUA.

Por fim, o terceiro é bem básico: a necessidade de softwares para usufrui todos os recursos de hardware oferecido por este tipo de supercomputador de exoescala. Ainda de acordo com a publicação, a China parece seguir um caminho a parte desses problemas ao planejar finalizar sua máquina ainda neste ano para então colocá-la para funcionar a pleno vapor ao longo dos próximos anos.

Mas o caminho seguido pelo Departamento de Energia dos EUA visa algo mais formatado, e o acordo com a HPE envolve a criação de um design de referência para supercomputadores de exoescala. O projeto faz parte do programa PathFoward, por sua vez parte do programa estatal o Exascale Computing Project, lançado durante a administração de Barack Obama.

The Machine

Um dos trunfos na manga dos Estados Unidos é a tecnologia já existente em torno do The Machine, um projeto que promete revolucionar a arquitetura básica da computação. O protótipo apresentado no final do ano passado conta com tecnologia capaz de reunir um volume absurdo de memória endereçável — supostamente mais de 4.096 yottabytes (1 yottabyte = 1.000 terabytes) — em uma mesma máquina, algo importantíssimo para um supercomputador.

Mas tanto hardware assim não é nada sem software, e aí entra outro possível trunfo da parceria entre governo dos Estados Unidos e HPE: a companhia garante já ter desenvolvido softwares capazes de usufruir de todo esse conjunto de memória “infinita”. Em suma, parece que os EUA têm as ferramentas à sua disposição, só falta, então, superar os obstáculos para dar um passo importante para recuperar o protagonismo no ramo da supercomputação.