O Comitê Digital, de Cultura, Mídia e Esporte do parlamento britânico publicou ontem (05) um conjunto de emails confidenciais de executivos do Facebook. São centenas de páginas de documentos que dão uma ideia de como os líderes da empresa abordam a competição no mercado e o crescimento da rede social.

Empresas que os executivos do Facebook consideravam potenciais concorrentes eram proibidos de acessar dados valiosos disponibilizados pela rede social

A grande maioria dos emails data de algum momento entre os anos de 2012 e 2015 e mostram como o Facebook permite que aplicativos de terceiros acessem dados pessoais dentro da plataforma. Através desses documentos, é possível ter uma ideia melhor sobre como os executivos da empresa agiam durante um período de grande crescimento da empresa e a Business Insider listou alguns pontos importantes que foram descobertos por meio desse vazamento:

1) O Facebook restringia acesso aos dados para alguns competidores estratégicos

Empresas que os executivos do Facebook consideravam potenciais concorrentes eram proibidos de acessar dados valiosos disponibilizados pela rede social. Os documentos mostram que o próprio Zuckerberg, às vezes, analisava as listas de companhias com acesso restrito para aprová-las. Atualmente, o Facebook afirma estar “afrouxando” essa política para poder ter acesso mais rápidos a notícias por meio desses aplicativos.

2) Mark Zuckerberg aprovou o corte de acesso a dados para o Vine

Lembra do Vine, aquele aplicativo para vídeos de até seis segundos lançado pelo Twitter em 2013? Um documento da data de seu lançamento mostra que o vice-presidente do Facebook Justin Osofsky sugeriu o bloqueio de acesso a dados pelo app, que usaria o Facebook para adicionar amigos na recém-criada plataforma. Zuckerberg aprovou o bloqueio.

3) O Facebook tentou dar um jeito de conseguir dados de chamadas dos usuários sem ter permissão

Para tentar dar uma turbinada no recurso “Pessoas que você pode conhecer” no Facebook, que sugere ao usuário novos amigos na rede social, a empresa quis tentar, sem ter permissão, acessar listas de chamadas com números telefônicos e trocas de SMS em dispositivos com Android, mesmo ciente do caos que isso poderia causar entre as pessoas, que poderia ficar revoltadas com a invasão de privacidade.

4) Alguns aplicativos selecionados ganhavam maior acesso do que imaginado a dados

Em 2015, o tempo começou a fechar um pouco para o Facebook com as pessoas e empresas mais cientes de que seus dados pessoais poderiam ser muito valiosos e estariam sendo explorados ilegalmente pela rede social. Assim, algumas mudanças foram feitas na plataforma para desenvolvedores para diminuir um pouco essa abertura que começava a incomodar, mas alguns aplicativos específicos estavam em uma “lista branca” para continuarem acessando tudo o que desejavam no Facebook, entre eles o Airbnb, a Netflix e a Lyft.

5) “O que é bom para o mundo não é necessariamente bom para o Facebook”

A frase é atribuída a Mark Zuckerberg, que afirmou em alguns desses emails que os interesses do Facebook podem ser diferentes das pessoas por aí. Isso foi dito no contexto em que o CEO da rede social discutia sobre aplicativos de terceiros e como o Facebook deveria tentar garantir que os usuários compartilhassem conteúdo na rede social em vez de em outras plataformas, mesmo que isso não fosse de grande interesse de quem publica.

6) Zuckerberg queria cobrar usuários para lerem postagens no Facebook

Os executivos do Facebook, incluindo seu criador, juram de pés juntos que, apesar de explorar de algumas maneiras os dados pessoas de seus usuários, nunca teria vendido absolutamente nada no que diz respeito a informações particulares das pessoas. Ainda assim, nos emails divulgados, Zuckerberg discute um modelo de monetização que permitiria que os desenvolvedores usassem as ferramentas de login do Facebook ou publicassem no Facebook gratuitamente, mas cobrava pela “leitura” de dados um valor de 10 centavos de dólar por usuário por ano.

7) Executivos revelaram qual o maior medo do Facebook

Segundo os emails divulgados, a maior ameaça possível para o Facebook seria uma descentralização da informação na forma de diversos apps menores e especializados que conversassem entre si. O maior medo deles era que essa informação, que seria praticamente monopolizada pelo Facebook, acabasse se fragmentando através de outros serviços. De acordo com os documentos, isso poderia acabar de vez com a existência da rede social.

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