Acredite ou não, mas ainda existem criminosos envolvidos no Holocausto soltos por aí — e é um tanto complicado para a Alemanha conseguir julgá-los de forma apropriada e colocar os reminescentes nazistas dentro de uma prisão. Felizmente, uma ferramenta criada pelo Departamento de Crimes Federais da Baviera pode alterar drasticamente esse cenário e dar um empurrãozinho precioso para as autoridades alemãs.

O órgão acaba de construir um detalhado modelo tridimensional dos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, locais que eram utilizados pela polícia nazista Schutzstaffel (SS) para escravizar e exterminar judeus, russos e outros grupos étnicos indesejados por Adolf Hitler. Usando óculos de realidade virtual, os juízes e os investigadores podem caminhar pelos campos como se fossem oficiais a serviço do Fuhrer.

Essa técnica foi utilizada no julgamento de Reinhold Hanning, antigo oficial da SS que foi sentenciado a cinco anos de prisão pela morte de 170 mil prisioneiros em Auschwitz. “A grande vantagem desse modelo é oferecer uma melhor visão dos campos na perspectiva de um suspeito, como em uma torre de vigilância, por exemplo”, afirma Ralf Breker, investigador da Baviera.

Isso é mesmo necessário?

De acordo com Jens Rommel, outro investigador alemão, a ferramenta é importante para invalidar argumentos usados na defesa de muitos criminosos do Holocausto, que costumam afirmar não serem capazes de testemunhar as execuções ou grupos de prisioneiros marchando em direção às câmeras de gás. Os modelos 3D, que recriam até mesmo as árvores e condições meteorológicas da época, podem derrubar desculpas como essa.

Para desenvolver os campos em realidade virtual, foram utilizadas milhares de fotografias da época, plantas arquitetônicas e uma análise forense do que restou do local — com direito a uma digitalização de Auschwitz-Birkenau feita com lasers. O equipamento escolhido para que essa “viagem no tempo” seja possível foi o HTC Vive.

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